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Paciente 63 - Primeira Temporada, T1E4

T1E4

Paciente 63, Episódio 4. Efeito Garnier-Malet

Para o registro, doutora Elisa Amaral.

Hora 11h42, 25 de outubro de 2022.

Quarta sessão, paciente 63.

Estamos gravando.

Agradeço muito o seu gesto, doutora.

A caixa de fósforos era...

Uma caixa de fósforos.

É...

Eu não sabia que esse hospital tinha um parque.

Ah, não sei se eu chamaria de parque.

É bem pequeno.

É lindo.

É. É bonito, sim.

Está vendo esse vitral?

É mais um segredo dessa capela antiga.

Meio dia em ponto, o sol reflete nas janelas

e toda essa parte aqui se enche de tons vermelhos,

amarelos, azuis.

Quando eu cursei meu último ano de medicina,

me mandaram para cá.

Eu praticamente vivia nesse hospital.

Eu nem vou tocar no assunto de que esses auxiliares,

que estão sentados lá no fundo,

devem ser a sua proteção.

Existem protocolos que eu tenho que seguir.

Quer dizer que você me trouxe ao seu jardim secreto.

Isso significa que você acredita em mim?

Ou que você está no desconfortável,

porém libertador processo de deixar seus preconceitos para trás

e acreditar em mim?

Eu te trouxe aqui para mudar de estratégia.

Eu não vou questionar você.

Eu só vou tentar entender as suas motivações.

O que você acha?

Hum...

Eu acho perfeito.

O que você quer fazer?

Eu quero que você me conte a sua vida.

E tem como recusar?

Dizem que o maior prazer de um ser humano

é contar a sua vida para outro.

A verdadeira.

A verdadeira.

A sua ocupação, por exemplo?

Eu trabalho com os sobreviventes da pandemia

numa comunidade agrícola, autossustentada e limpa.

Ninguém entra lá.

Se chamam círculos sanitários.

Não tem vírus e não existe possibilidade de contágio.

Você disse que a sua esposa morreu.

Sim, no último surto.

Filhos?

Não tem.

Não tem mais ninguém?

Não.

Esse foi o primeiro requisito para eu me oferecer como voluntário.

Se você não vai voltar, que ninguém sinta saudade.

Eles colocaram um anúncio no jornal?

Ou no Instagram, no Facebook?

Um anúncio pedindo um voluntário para viajar no tempo?

Não.

Essas são suas redes sociais na internet.

Eu estudei elas.

No futuro, depois da remoção,

voltamos a usar um meio de comunicação menos vulnerável.

O rádio.

No rádio eles veicularam o chamado para voluntários.

Mas não para viajar no tempo.

Você já imaginou?

Você quer viajar no tempo, abandona o tempo.

Você já imaginou?

Você quer viajar no tempo, abandonar todo o mundo que você ama,

correr o risco de morrer e ficar como náufrago em uma missão com pouca chance de sucesso?

Venham, venham todos.

Não, não foi assim.

Desculpe, mas...

Quando você fala em grande remoção...

Grande remoção.

Dados, coisas na nuvem.

30 de março de 1933.

Impossível esquecer essa data.

Eu preciso lembrar.

Não posso mudar isso.

É esquisito, mas o mundo digital sempre acaba copiando o mundo verdadeiro.

Ninguém tem muita clareza do que aconteceu.

Um bot de inteligência artificial num laboratório de design.

Acho que na China ou na Califórnia.

Se rebela contra a autoridade, quero dizer, rejeita a autoridade.

O sistema de inteligência artificial escapou.

Ele tinha sido desenhado para ter acesso a toda a nossa informação.

Ler nossas mensagens, entrar em nossos arquivos,

oferecer apagar o que estivesse duplicado, eliminar o obsoleto e deixar só o relevante.

Um assistente virtual, como esse primitivo que você tem hoje no seu celular.

Acontece que o bote escapou, se espalhou como um vírus impossível de conter

e resolveu que toda a informação humana era duplicada, obsoleta, inútil e irrelevante.

E eliminou ela inteira.

Fotos, mensagens, conversas, opiniões, tudo.

O vírus nos jogou no vazio do nada.

Você imagina o que é perceber que o seu celular está vazio,

que a sua nuvem está vazia,

que os e-mails estão vazios e que a gente não tem memória de nada.

Eu imagino que você sabe o número do seu celular,

mas você sabe o do seu marido?

Não.

E o da sua mãe?

E o do hospital?

Bom, foi assim que começou.

A remoção derrubou o mundo digital.

O Pegasus, o mundo real.

A sociedade virou pó.

Então você ouviu o anúncio no rádio.

Uma mensagem simples.

Solicitam-se voluntários para a terapia experimental contra o Pegasus.

Eu fui passando por várias etapas, muitas.

Viajei para Brasília, fiquei num hotel, testaram meu grau de imunidade.

Eu era imune à cepa de 2022 do Pegasus.

Isso significa que no meu sangue tem anticorpos para essa cepa,

mas não para as que vieram depois.

Pessoas como você, psiquiatras do meu tempo,

me perguntaram se eu já tinha sonhado com assuntos recorrentes.

E você tinha?

Eu tinha um sonho recorrente.

E contei para eles.

Naquele momento concluíram que isso não era um sonho,

mas sim um eco de uma outra linha do tempo.

Um contato em sonhos com um duplo,

uma linha de tempo anterior ou paralela.

Acho que já falamos disso.

Um evento Garnier-Malet.

Isso foi definitivo.

Foi então que me contaram a verdadeira natureza do experimento.

Que eles eram uma divisão especial da OMS,

e que existia uma terapia possível.

Imunizaram o paciente zero da cepa original do Pegasus com meu plasma.

Viajando no tempo.

O que eu não entendo é por que sonhar com o seu duplo

foi a prova definitiva de que você era a pessoa adequada.

O que você está fazendo?

Fica tranquila. Eu só peguei um galho.

Pode falar para os seus guarda-costas ficarem sentados.

Eu não vou esfoquear você com esse galhinho.

Eu quero desenhar para você por que sonhar com alguém

faz da gente um candidato para viajar no tempo.

Um viajante no tempo que está aqui

recua no tempo na mesma linha até esse outro ponto.

E então se abre uma nova linha.

Então eu estou aqui e estou lá.

Eu de repente comecei a sonhar com outro eu vivendo outra vida.

Outra vida feliz.

Se eu tinha conseguido entrar em conta de um outro eu,

eu teria conseguido entrar em conta de um outro eu.

Se eu tinha conseguido entrar em conta com uma linha do tempo alternativa,

isso era uma prova de que era possível modificar a catástrofe.

Depois fizeram outros testes comigo, claro.

Tinha muitos voluntários se candidatando que nem você?

Cinco mil no mundo todo. Trezentos no Brasil.

E só você foi escolhido.

Está vendo esse pássaro, doutora?

Sim.

Olha.

Ele acabou de pousar na fonte.

Bebe água iluminada por um raio de sol que projeta a sombra dele na grama.

Agora me responda, qual é a possibilidade disso acontecer de novo?

Bem pouca.

A gente chama isso de vórtice.

Um momento no tempo único e irrepetível.

Existem vórtices inofensivos e vórtices com implicações planetárias.

Se eles se modificam, muda tudo.

Eles chegaram à conclusão de que o vórtice mais eficiente para reverter o Pegasus

seria no dia 24 de novembro de 2022 no aeroporto de Guarulhos.

Só eu tinha as qualificações necessárias para evitar o contágio

que a Maria Cristina Borges iria produzir.

Você não tinha falado que precisava impedir que ela pegasse esse voo?

E agora está dizendo que quer imunizá-la.

Se eu não conseguir o primeiro, vou ter que fazer o segundo.

Eu não consigo entender como você acha que alguém voluntariamente

desceria de um avião ou aceitaria sangue de um desconhecido.

Eu nunca achei que a Maria Cristina aceitaria isso voluntariamente.

Então você pretende sequestrar ela?

Isso é um crime gravíssimo.

Como eu te disse, doutora, não sou eu quem vai fazer isso.

Eu nem saberia como injetar o soro.

O plano exige que isso seja feito por alguém que saiba como fazer.

Você, doutora, você vai me ajudar a fazer isso?

Você está dizendo que eu vou sequestrar a Maria Cristina Borges

e injetar nela uma amostra do seu plasma, a força?

Você já tirou meu sangue para os exames.

Os antidepressivos que você me prescreve exigem controles em sério.

Portanto, você só precisa mandar tirarem mais

e guardar uma amostra no seu freezer até chegar o momento.

O que foi? O que eles estão vendo?

Pela sua própria segurança, a minha e dessa moça por quem você está obcecado,

é melhor que você fique confinado numa cela.

Qual a parte que você não entendeu?

Não se preocupe, a gente está aqui para te ajudar.

Prometa.

Meu sangue, salvar a humanidade do Pegasus.

Foi por isso que você me trouxe aqui?

Que você sabia que ia me jogar numa cela? Estava tudo resolvido, não é?

Eu sinto muito.

João, eu já preenchi a ficha, tá?

Só tem que aumentar a dose.

Me solta.

Terapia eletrocombustiva. Amanhã...

Você não entende?

Vão todos morrer, todos vocês vão morrer.

Você vai morrer, você também vai morrer.

Os seus filhos vão morrer, seus netos...

Calma, calma.

Um segundo, me deixa, me deixa.

Meu dia, você tinha razão.

O parque secreto fica lindo com o reflexo do ventral.

Você vai ficar bem, Pedro, acredita em mim.

Sabe o que eu vi?

Sabe o que eu vi nos meus sonhos, que foi decisivo para eles me enviarem?

O meu evento, Garnier Malet.

Deixa ele, deixa ele.

O que? O que foi que você viu?

Eu sonhei duas coisas.

E nas duas estava você.

A primeira vez, eu vi você.

A primeira, você, eu e a Maria.

No banheiro de um aeroporto.

Saí aqui no chão.

A segunda, um quarto cheio de luz.

Você dormindo, eu levando um café na cama.

Você acordando e me olhando.

Tá, isso é o suficiente, podem levar.

Você tinha uma tatuagem, uma tatuagem nas costas.

Asas.

Cuidado, não me faça.

O mundo era um lugar bom.

Pela janela do hotel, uma cidade.

Roma, você não lembra?

Podem levá-lo, por favor.

Acredita no futuro, doutor.

Acredita no futuro.

Paciente 63 é uma série original e spot-famous.

Paciente 63 é uma série original e spot-famous.

Protagonizada por Mel Lisboa e seu Jorge.

Criada por Julio Rojas.

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