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Gloss Brazilian Portuguese Level 2+, A incompreensível morte da onça Juma

A incompreensível morte da onça Juma

Símbolo de uma região rica em biodiversidade, animal foi morto após ser usado em cerimônia.

A passagem da Tocha Olímpica por Manaus na última segunda-feira, 20 de junho, trouxe à tona uma questão: até onde vai o capricho humano e quais os perigos que ele apresenta? Juma, uma onça-pintada de 8 anos, símbolo do 1º Batalhão de Infantaria de Selva Aeromóvel, foi morta momentos após participar da cerimônia de revezamento da chama olímpica.

A justificativa apresentada pelo Comando Militar da Amazônia (CMA) para a morte de Juma é de que o animal escapou do Centro de Instrução e Guerra da Selva (Cigs), durante a transição para uma jaula, atacando um militar do local, mesmo sendo atingida por tranquilizantes. O abate da onça foi considerado como "medida de segurança".

A onça-pintada é um dos animais que mais representam a fauna brasileira. Maior felino das Américas, o animal pode chegar aos 100 kg e necessita de espaços de 22 a 150 quilometros quadrados como seu habitat. Reduzir um ser imponente e territorialista a um animal domesticado e recluso em poucos metros apresenta grandes riscos, tanto para a própria onça, quanto para as pessoas com as quais ela convive.

Um animal silvestre, por mais dócil que possa se tornar, guarda suas características primitivas. Situações de estresse, barulhos e movimentação excessiva podem irritar o animal, fator que provavelmente ocasionou a fuga de Juma. Mesmo sendo acostumada com aparições públicas e participações em eventos, conforme justificado pelo Exército, a conduta não é mais adequada.

Culturalmente, tornou-se aceitável a exploração animal, mesmo que isso não seja correto. A utilização de animais silvestres em atrações de circo, espetáculos e em parques aquáticos, assim como a cultura do rodeio presente no Brasil, mostram o quanto o domínio do ser humano sobre os demais seres é algo que passa de geração para geração e ainda consegue sobreviver, resultando em lucro para os exploradores.

Originalmente, a onça-pintada era encontrada em todo o território americano. No entanto, com a caça para uso da pele, queimadas para constituir pastos e abate para proteger rebanhos, o felino já se tornou extinto nos Estados Unidos e é pouco visto em países como o México. A espécie ainda é encontrado no Brasil, nos mais diferentes ecossistemas, o que mostra a resistência natural e a importância deste animal na fauna do país. Mas a pergunta a se fazer é: por quanto tempo?

A morte de animais criados em cativeiro que "atacaram" humanos não é novidade. Um caso amplamente noticiado pela imprensa mundial recentemente foi o do gorila Harambe. O animal foi alvejado para que uma criança fosse retirada de seu recinto no zoológico em Ohio, Estados Unidos. A administração do local também alegou que a ação foi uma medida de segurança, assim como a justificativa para a morte de Juma. Apesar da comoção com o ocorrido, muitas pessoas não refletiram sobre o real problema que é a criação de animais silvestres em pequenos ambientes, submetidos à exposição excessiva.

A morte da onça Juma tem causado comoção nas redes sociais e indignação dos ambientalistas. Algumas pessoas podem se questionar sobre tamanha repercussão do caso, já que para muitos é "apenas" um animal. O que a maioria da população não sabe é que a onça pintada é uma aliada das ações de preservação ambiental.

A presença de onças-pintadas em uma região indica que o local possui condições de sobrevivência de diferentes espécies. A convivência com esses animais é possível, desde que se respeite o seu espaço.

Episódios lamentáveis e imprudentes como o da morte da onça Juma, símbolo de um batalhão na Amazônia, em meio à biodiversidade, mostram a incoerência do pensamento humano ao tentar aproximar o homem da vida selvagem - da maneira mais equivocada -, mas não saber lidar com sua natureza. E a maior ironia em tempos de revezamento da Tocha Olímpica está lógico no fato de que o mascote escolhido para representar os jogos é o que o Comitê Organizador denominou como "uma mistura 'animal' de todos os bichos brasileiros".

Quem sabe um dia o ser humano entenda que não é o centro do mundo, mas sim apenas uma peça dele. Degradar o ecossistema, assim como aquilo que lhe desagrada, não o leva a lugar nenhum.


A incompreensível morte da onça Juma

Símbolo de uma região rica em biodiversidade, animal foi morto após ser usado em cerimônia.

A passagem da Tocha Olímpica por Manaus na última segunda-feira, 20 de junho, trouxe à tona uma questão: até onde vai o capricho humano e quais os perigos que ele apresenta? Juma, uma onça-pintada de 8 anos, símbolo do 1º Batalhão de Infantaria de Selva Aeromóvel, foi morta momentos após participar da cerimônia de revezamento da chama olímpica.

A justificativa apresentada pelo Comando Militar da Amazônia (CMA) para a morte de Juma é de que o animal escapou do Centro de Instrução e Guerra da Selva (Cigs), durante a transição para uma jaula, atacando um militar do local, mesmo sendo atingida por tranquilizantes. O abate da onça foi considerado como "medida de segurança".

A onça-pintada é um dos animais que mais representam a fauna brasileira. Maior felino das Américas, o animal pode chegar aos 100 kg e necessita de espaços de 22 a 150 quilometros quadrados como seu habitat. Reduzir um ser imponente e territorialista a um animal domesticado e recluso em poucos metros apresenta grandes riscos, tanto para a própria onça, quanto para as pessoas com as quais ela convive.

Um animal silvestre, por mais dócil que possa se tornar, guarda suas características primitivas. Situações de estresse, barulhos e movimentação excessiva podem irritar o animal, fator que provavelmente ocasionou a fuga de Juma. Mesmo sendo acostumada com aparições públicas e participações em eventos, conforme justificado pelo Exército, a conduta não é mais adequada.

Culturalmente, tornou-se aceitável a exploração animal, mesmo que isso não seja correto. A utilização de animais silvestres em atrações de circo, espetáculos e em parques aquáticos, assim como a cultura do rodeio presente no Brasil, mostram o quanto o domínio do ser humano sobre os demais seres é algo que passa de geração para geração e ainda consegue sobreviver, resultando em lucro para os exploradores.

Originalmente, a onça-pintada era encontrada em todo o território americano. No entanto, com a caça para uso da pele, queimadas para constituir pastos e abate para proteger rebanhos, o felino já se tornou extinto nos Estados Unidos e é pouco visto em países como o México. A espécie ainda é encontrado no Brasil, nos mais diferentes ecossistemas, o que mostra a resistência natural e a importância deste animal na fauna do país. Mas a pergunta a se fazer é: por quanto tempo?

A morte de animais criados em cativeiro que "atacaram" humanos não é novidade. Um caso amplamente noticiado pela imprensa mundial recentemente foi o do gorila Harambe. O animal foi alvejado para que uma criança fosse retirada de seu recinto no zoológico em Ohio, Estados Unidos. A administração do local também alegou que a ação foi uma medida de segurança, assim como a justificativa para a morte de Juma. Apesar da comoção com o ocorrido, muitas pessoas não refletiram sobre o real problema que é a criação de animais silvestres em pequenos ambientes, submetidos à exposição excessiva.

A morte da onça Juma tem causado comoção nas redes sociais e indignação dos ambientalistas. Algumas pessoas podem se questionar sobre tamanha repercussão do caso, já que para muitos é "apenas" um animal. O que a maioria da população não sabe é que a onça pintada é uma aliada das ações de preservação ambiental.

A presença de onças-pintadas em uma região indica que o local possui condições de sobrevivência de diferentes espécies. A convivência com esses animais é possível, desde que se respeite o seu espaço.

Episódios lamentáveis e imprudentes como o da morte da onça Juma, símbolo de um batalhão na Amazônia, em meio à biodiversidade, mostram a incoerência do pensamento humano ao tentar aproximar o homem da vida selvagem - da maneira mais equivocada -, mas não saber lidar com sua natureza. E a maior ironia em tempos de revezamento da Tocha Olímpica está lógico no fato de que o mascote escolhido para representar os jogos é o que o Comitê Organizador denominou como "uma mistura 'animal' de todos os bichos brasileiros".

Quem sabe um dia o ser humano entenda que não é o centro do mundo, mas sim apenas uma peça dele. Degradar o ecossistema, assim como aquilo que lhe desagrada, não o leva a lugar nenhum.