GLORY HOLE
E aí, Serjão.
Dia da gente fazer uma brincadeira, cara.
–Aí, Gerson. –Ah, moleque...
Isso aqui é um pouco...
Êêê, cheguei...
Nossa, já foi?
Que rápido, né, meu parceiro.
Isso aqui é uma delícia, por isso gosto de glory hole.
Botou a pica aqui, cheguei...
Tô nem pescando mais.
Ó, só fico aqui...
Drive-thru de pica.
Não, meu irmão. Que cara é essa, meu irmão?
Serjão...
Tá chorando?
Chorando porra nenhuma, cara.
Alergia só, porra.
Vai, bom boquete aí, aproveita.
Ah, não, me fala o que tá acontecendo, porra.
Sérgio, fala.
Porque, porra, é a 10ª vez que venho aqui,
fico botando meu pau aqui e ninguém aparece pra chupar.
Ainda por cima, com a altura desse negócio
tenho que ficar na ponta do pé.
Tá me dando cãibra já, gangrenando a panturrilha.
Não aparece ninguém pra chupar a porra do meu pau, cara.
O que tem de errado com meu pau?
Parece às vezes que tô trazendo brócolis pro churrasco, sabe?
Acho que você tá exagerando.
Ontem te vi ganhando um boquete aí.
–Estava gemendo aí no canto. –Tava gemendo de dor, cara.
Confundiram meu pau com dispenser de álcool gel.
Ficavam apertando o negócio de tudo quanto é jeito,
depois até pediram desculpa.
Sabe como dói, cara?
Apertarem o pau?
Não, a indiferença.
A rejeição.
Me sinto igual a passageiro de Uber com avaliação ruim
que ninguém quer pegar.
Vou te falar uma coisa, não me leva a mal, tá?
Será que você não tá deixando de lavar esse pau?
Porque esse pessoal aqui chupa um cu adoidado,
mas tem uma frescura com lance de piroca.
De repente se tu não estiver lavando isso, que esteja...
... aquela coisa do gorgonzola
senão ninguém vai querer...
Vocês estão mordendo...
Lavo meu pau bem pra caramba, cara.
Passo Monange, passo Victoria's Secret,
hidratante, álcool 70, talco e o caralho, irmão.
Às vezes eu ponho meu pau pra for pra mijar
e pousa uma borboleta.
–Pode ser isso também. –O quê?
O pessoal vai mamar esse negócio aí
e sente aquele gosto amargo de Monange, aí acabou.
É claro, porra. Horroroso, pelo amor de Deus.
A boca começa a espumar e queimar.
Nem estão metendo a boca pra saber se tem.
É porque já espalharam.
Essa cabine não tá interditada?
Meu irmão, tá cheio de gente ali.
Cheio de gente.
Tem um pau aqui, gente.
Não fica gritando, então deixa.
Fico vendo eles passando ali, cara.
Só fico ouvindo risadinha e o caramba.
–Tem ninguém rindo de você. –Acha que meu pau é pequeno?
O teu pau tá na média do brasileiro, Sérgio.
Não entra nessa neurose não.
O tamanho. Você acha ele feio?
Feio não.
Ih, Sérgio, você vai me desconcentrar...
Que pau feio? Tem isso de pau...?
O que é um pau feio?
Tem pau que é feio, cara.
Tem pau que parece enroladinho de salsicha feito às pressas.
Parece um pacote de Bono molhado.
Um braço recém amputado, sabe?
Braço não é, Sérgio...
Por quê? Porque é pequeno?
Não falei isso. Tá vendo como é...
É 10ª vez que venho aqui.
Tem coisa acontecendo aí, se meteu com gente errada
que às vezes fez mandinga pra você.
Vou pra casa. Foda-se.
Vai pra casa o quê, Sérgio.
–Vou, cara, tô... –Não vai pra casa não,
vai chegar alguém aí.
Vou pra igreja, tô cheio de amigo lá.
–Vou jurar celibato... –Puta que pariu!
Gente, peraí, desculpa. Vou sair aqui rapidinho.
Vou chupar teu pau, Sérgio,
mas é a última vez. Cê tá me ouvindo?
É a última vez.
Tu é meu melhor amigo, cara.
Fica falando coisa de amigo também não. Chega.
–Cadê? Tu tá em qual buraco? –Tô aqui, ó.
Tá adiantando não, rapaz. Tá fraco demais hoje.
E os que estão pintando tá tudo murchinho, sem viço, pálido.
–Sem nutriente, sem vitamina. –O que tá havendo?
Olha um grande ali! Pega ali! Vem cá.
Caralho, vai fugir. Porra.
É graúdo, vai. vai.
Deixa eu, deixa eu.
É meu aniversário.
Vai, vai.
Deixa eu ir depois.