COMPRANDO ARMA
-Opa, amigão. -Opa.
Procurando alguma coisa especial aí?
A gente está com uma promoção aí de rifle e carabina,
-se tiver interesse, está ali. -Não, não.
Na verdade, eu estou procurando alguma coisa mais portátil.
-O que é que você tem de portátil? -É bom mesmo.
Arma hoje tem que levar pra tudo que é canto,
que a gente nunca sabe onde é que a bandidagem vai atacar.
-Rio de Janeiro está impraticável. -Não, mas aqui no Rio de Janeiro,
não tem como! Eu vou me defender como
com uma arma, se o cara chega com um fuzil R15 na janela do carro?
Você vende tanque de guerra?
Bomba nuclear. Né? Aquela bazuca.
Ainda não, ainda não, mas já, já, quem sabe um dia?
Eu vou querer uma arma mais pro comum.
Assim, pro dia a dia, sabe? Pro corriqueiro.
-Você quer o padrão, né? -Sim.
Aquela arma pra apontar pro vizinho que está com o som alto,
de repente, ameaçar um cara que você acha que está cantando sua mulher.
Levou uma fechada do taxista, já abre o porta-luvas,
-já atira de lá. -Não, não.
Pra isso, eu já tenho uma réplica. Eu estou querendo um negócio
que supra minha falta de amor paterno na infância.
Ah, tenho um negócio ótimo pra você aqui!
Olha essa aqui.
-Essa aqui é dourada. -Uia.
Parece a fivela do cinto que seu pai batia em você,
dava no teu lombo quando você era criança,
sem motivo nenhum.
Isso aqui cumpre perfeitamente o papel.
Essa daí é bonita mesmo! Gostei. Achei muito bonita.
Agora tem um problema, eu estou achando ela pequena.
Porque eu quero um negócio que tenha mais impacto, sabe?
Que eu boto na cintura assim e o povo veja de longe.
Você tem um pistolão, um revolvão com presença?
Você tem alguma coisa assim?
Você tem pau pequeno, não tem?
Pequeno e fino, mas como é que você sabe?
A gente está no meio da promoção do lapisinho vermelho aqui.
Olha só, rapaz. Tem um negócio aqui.
Pessoal vem sempre atrás aqui de um três-oitão.
Ele cumpre esse papel de falo pra quem tem
uma sexualidade frustrada e reprimida que nem você.
Você usa um negócio desse na cintura aqui,
você vai se sentir o próprio negão da piroca do WhatsApp
-com um pau que você não tem, pô. -Opa, gostei desse negócio.
Agora, é importante saber o seguinte.
O som dela é alto mesmo? É bom?
Porque tem aquele ditado que diz: "Amante bonita e arma,
o que adianta ter, se eu não posso sair berrando por aí?"
Isso aqui grita que é uma beleza. Cada pipoco pro alto!
Tem final de Big Brother, Réveillon, é gol do Flamengo,
-gol do CSA, porra. -Ô, que alegria!
-Quanto é que está essa? -Seis mil e novecentos.
É minha! Pode embrulhar. Vou levar essa bicha.
Mais alguma coisa?
Você tem calça camuflada e camisa da seleção?
Teu casamento é de fachada que nem o meu, né?
-Totalmente. -Vem cá, sua putona.
Usa coturno, mas pinta a unha do pé, não pinta?
Você é contra a cota porque é a favor da meritocracia?
Perdeu a virgindade com 25 anos, não foi?
-Com 28. -Quase.
Você é contra a vacina, não é?
Você acha que briga de marido e mulher,
ninguém mete a colher.
Você está usando agora a calcinha da sua mulher escondido.
-E freada. -Filha da puta, cara.
A gente é muito alma gêmea.