TED TALK
Boa noite!
O Brasil quebrou.
O país faliu.
Bankruptcy.
Muitos falam de Apocalipse.
Mas enquanto uns choram, outros vendem Rivotril.
E eu pertenço ao segundo grupo. Sim, eu, Peu Fraccaroli,
eu criei 5 das 7 maiores startups de Life Coaching do Brasil.
E resolvi trabalhar para encontrar uma solução pro nosso país.
O quê que eu fiz?
Reuni pessoas, né? O que o nosso país tem de melhor.
Contratei um headhunter
e eu falei pra ele chamar os melhores players do mercado
e dar pra eles um briefing pra eles fazerem um brainstorming.
E o briefing é o seguinte: "O que você faria
se o Brasil fosse uma empresa e você fosse o CEO?"
O resultado foi top.
Na verdade não: foi topíssimo.
Primeiro quesito: salário.
Precisa? Calma! Calma! Eu sei que no mundo ideal
todo mundo ganharia alguma coisa para trabalhar, não é?
É verdade! Mas se todo mundo quiser ganhar o tempo inteiro, meu,
a conta não fecha.
Por quê?
Porque there's no free lunch, bitches!
Quem que vai pagar o salário? É Deus, meu? É o governo?
É o empresário. Quem contrata sabe
do peso que o salário tem no final do mês.
Isso, meu, a princesa Isabel lá não pensou.
Os caras que fizeram a abolição... não era empresário.
Os caras não fizeram um estudo do impacto econômico
para ver se cabia no budget.
Para ver se afetaria os stakeholders. Não!
Foi na canetada lá. Certo?
E hoje, até hoje, o empresário tem que pagar o ônus dessa abolição.
A verdade é que não cabe, infelizmente.
O que fazer, então? Cortar o salário de todos? Não é?
Não é bem isso. Mas pensa bem, meu.
Isso é economia 101.
O investidor que quer botar o dinheiro num país,
e o país tem salário, o que ele vai fazer?
Vai preferir um que não tem.
Um país em que ele tenha menos labor cost. Não é?
E o quê que acontece com o país que tem salário? Quebra!
Isso é ruim pra todo mundo:
pro patrão, mas também é ruim pro empregado, que fica sem emprego.
Sim, porque se fosse escravo não seria demitido.
Pouca gente fala isso, meu, mas o desemprego,
na época da escravidão, beirava zero.
Percebam!
Foi nessa época, inclusive, que se inventou a capoeira, o samba.
Os escravos viviam num clima de festa.
E hoje é essa depressão. Por quê? Por causa do maldito salário.
Nossa, mas, Peu, você é um cara tão inovador,
e tá querendo trazer de volta um conceito tão ultrapassado.
Não. Eu sei que a palavra-chave hoje é inovação.
Ao lado dos pilares que são: resistência, prosperidade,
diversidade e propósito. Mas vamos falar de inovação.
Por que falar de escravo, se nós estamos no século 21? Pois é.
Foi aí que os nossos criativos vieram com um conceito novo,
que é o conceito do new slave.
O escravo, ele trabalha num esquema de turnover,
com muito mais job rotation,
e trabalhando num engenho que lembre o coworking.
E um capitão do mato, ele faz uma função ali,
que tá muito mais próxima do coaching,
enquanto o senhor de engenho faz o mentoring.
Na prática, o que acontece? Os escravos mais top,
se fossem bem mentorados, eles estariam subindo,
e chegariam, inclusive, a ser shareholders,
incentivando o quê? A meritocracia.
Mas isso daí não seria a única coisa. Tem outra coisa, pessoal.
Não sei se vocês já perceberam, mas o Brasil tem gente demais, meu.
Vamos falar a verdade: 200 milhões de pessoas
nenhuma empresa tem essa quantidade de gente.
Então não dá pra crescer hoje, o Brasil,
sem fazer um grande mass dismissal.
O famoso "passaralho".
Por exemplo, só de velho tem 50 milhões, meu.
Isso é idoso demais. Um país não precisa de tanto idoso.
Me diz o que vocês acham, por exemplo, de...
Não tô falando de matar ninguém, não. Tô falando de mandar pro Congo,
que é um país que tá faltando velho.
Você vê a pirâmide deles e é invertida.
Então, é disso que eu tô falando, meu.
Cut off! Ah, mas só idosos? Ai, eu adoro meu avô!
Vai doer, meu, vai doer na carne, mas é isso que um CEO faz,
faz escolhas difíceis. Certo? E não é só velho, não.
Eu tô falando de...
artista, youtuber, humorista, de professor, meu.
Então, essa é minha proposta. Não dá pra crescer sem cut off.
Deixa na mão de quem entende
que o Brasil vai ser um puta case de sucesso!
É, Cleide, não tem mais 13º, nem plano de saúde,
nem férias remuneradas,
mas pensa que você não é mais uma babá,
você agora é uma nanny. Quem que nunca sonhou com isso?
Mas é que hoje eu queria voltar pra casa.
Hum, mas nanny tem que fazer sleepover.