BOLSA
-Perdeu, porra! -Ah, meu Deus! Ah, meu Deus.
-Me dá o celular, caralho! -O meu celular?
-Celular, porra! Passa o celular. -Calma, moço.
Acabei de fazer a unha! Você pode pegar na minha bolsa?
-O quê? -Amanhã é casamento da Brenda,
minha amiga de infância, você pode fazer esse favorzinho?
-Ai, caralho. -Ai, obrigada.
-Brenda o caralho! -É, Brenda, minha amiga.
-Onde é que tá essa porra? -Tá aí, é só mexer.
Isso é pra chuva.
-Isso aqui? É pipoca, porra? -É! Quando eu sinto fome,
dá licença!
Aí é o pente do meu pai, que ele me deu de presente.
-Aí. -Ah, brigada pelos meus sentimentos.
-Que porra é essa aqui? -Você é meio horrível nisso, hein.
-Onde é que tá essa merda? -Ué, tá aí,
abre o zíper que você vai ver!
-Caralho! -É o controle da Net lá de casa.
Aí, na moral, por que você carrega tanta merda na bolsa?
Ai, eu só uso o necessário, querido.
Isso é brinquedo do meu cachorro.
Pega essa merda, senão tu vai tomar um tiro na cara agora.
Então dá o tiro! Dá o tiro, porque eu não vou voltar na Cleide,
porque ela é uma golpista, ela cobra R$ 25
pra fazer pé e mão, entendeu? A Rose fazia por R$ 15.
-Deixa eu pegar essa merda aqui. -É, pega o celular logo!
Peguei um negócio aqui agora. Que porra é essa?
-Perdeu, filho da puta. -Caralho.
-Bora. -Dona Mara, tua bolsa aqui, ó.
Obrigada, Wagner.
-Leva ele pra DP e depois volta, tá? -Bora, vagabundo.
-Vamos, vamos, vamos, vamos... -Calma, calma, irmão, calma.
Ih, caramba! Rápido, alguma coisa aqui.
O sapato! Não! Pega o sapato!
Um segundo! Vai.
-Tó. Foi? -Aí...
Aff.
Caraca, foi por pouco.