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Porta Dos Fundos 2018, OFERENDA

OFERENDA

Mentira que você lembrou do meu dia!

Não precisava!

-Omolú? -E sabe o meu nome, que amor!

Pipoca! Eu adoro pipoca!

É meu prato favorito, pipoca com lasca de coco.

-É uma oferenda para você. -Estou vendo, meu amor!

Que coisa linda!

-É que eu estou... -Olha!

Estatuinha! Quem te falou que eu colecionava, tipo Marvel?

O pai de santo... o...

-O Pai Cláudio de Obaluaê. -É!

Que sacana!

Ele me ligou um dia desses perguntando o que eu gostava,

eu nem desconfiei.

Não vá me levar a mal,

mas esse sou eu, eu já tenho.

-Você fica chateada se eu trocar? -Não!

Tá bom, então, eu vou... Onde você comprou?

Na Casa do Mago, no Humaitá, conhece?

Eu sei onde é!

Eu passo lá e troco por um Xangô, está tudo certo.

-Tá. -Mas eu adorei tudo!

Cumbuca de barro, eu estava precisando tanto.

-Pode ir no micro-ondas, essa? -Ué, eu acho que pode.

Que maravilha!

Agora, o charuto, eu não vou nem pegar.

É porque eu parei... Eu podia até mentir,

"ah, quero", e jogar no mato.

Não vou fazer isso.

-É que eu parei fumar. -Ah...

-Tá. -Pode retirar.

Não é nem questão de saúde, é segurança.

Aqui, olha.

Que com essas palhas secas aqui a manutenção é complicada.

Tudo bem, sem problemas.

Em dia de sol, eu nem saio muito, com medo de gerar fagulha.

Mas eu adorei que você veio. Você é minha filha?

-Sou sua filha! -Conversa!

-Sou sua filha! -Eu achei que não tinha filha.

Achei que eu era estéril.

Porque o pessoal é mais filho Iansã,

mais filho de Iemanjá, o pessoal mais bombado lá...

Eu trabalho mais no underground mesmo.

Eu não estou nem no pacote básico dos búzios.

O que eu te dou? O que você quer de mim?

Você quer o quê? Amor em três dias?

-É o Jorge ainda? -Não!

Sou casada com o Antônio.

Mas não ama o Antônio, que a gente sabe.

Vou trazer o Jorge para você, me dá três dias.

Não, espera!

É... Uma moto para o meu cunhado, então.

-Moto? -Moto.

Mas o meu trabalho não é muito...

Moto não é muito a minha seara, né?

-Ah, é? -Meu negócio é mais saúde.

Você não tem uma doença para eu curar?

-Estou até puxando aqui, mas... -Nada? Uma gripe?

-Coceira braba, ziquizira? -Não...

Alguma coisa? Aquela coceirinha sua, já resolveu?

-Já, já... -Fui eu.

-É... -Está tudo ótimo, obrigada.

Mas fica chato para mim, né?

Você me dar uma oferenda e sair de mão abanando.

Nada? Vamos dançar!

-Vou botar uma música para a gente. -Não, não precisa.

-Precisa, sim! -Não, é que...

Você veio até aqui.

Eu sei que não é fácil fazer oferenda para mim.

Tem que ser em encruzilhada perto de bambuzal.

É muita exigência...

Não sou nem eu que peço, são os empresários.

-Mas vamos pelo menos nos divertir. -Tá.

Venha cá me ajudar, venha cá me defender

É um grande orixá

Quem? Atotô Obaluaê

Venha cá me ajudar

E vem, e quebra

E vem na paradinha

-Deu minha hora. -Mas já? Agora que eu estou...

Já, já.

Vai ter uma festa para mim num terreiro lá na Penha.

Não dá ninguém.

Mas a mãe de santo é tão amorzinho, que eu faço questão de ir.

-A bênção, meu pai. -Não tem nada de pai, nada.

-A gente é amigo. -Mentira...

Obrigado mesmo, viu? Amei que você veio.

É a primeira pessoa que faz isso por mim.

Olha quem está aqui.

Que maravilha. Xangô?

Não sabia que vocês eram amigos, conhecidos...

Não, não é Xangô, não.

Esse aqui é um cara que faz tatuagem lá no Baixo Gávea.

Tatuagem de henna.

Ele vai comigo para a Penha, vai para a minha festa também.

Vamos, Nilo?

Tchau, obrigado, viu? Não vamos perder contato.

-Não. -De verdade. Eu...

-Prazerzão, viu? -Prazer...

Nunca ninguém fez nada parecido, de verdade.

-Vem aqui... e cruza... -Atotô Obaluaê...

Aí, irmão.

Vai se queimar com o cigarro aí.

Puta que pariu! Eu tenho uma raiva de fumante!

Não assopra, que alastra, idiota!

Tem que rolar!

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