Parte VIII: Uma Noite de Planos Secretos
Parte VIII: Uma Noite de Planos Secretos
Maximus está sentado sozinho na prisão escura sob o Coliseu, encostado à pedra fria, com a espada pousada nos joelhos, enquanto os pensamentos giram à volta de tudo o que perdeu e do que ainda resta fazer.
Pensa na família, como sempre, mas também em Lucilla, mesmo tentando afastar essa ideia.
Passos leves ecoam no corredor.
— Maximus…
Ele levanta a cabeça.— Lucilla.
Ela aproxima-se rapidamente, com o rosto tenso.— Preciso de falar contigo.
— O que se passa?
Ela baixa a voz.— O meu irmão está cada vez mais instável… sabe que alguns senadores começam a apoiar-te, e está a preparar algo contra ti.
Maximus mantém-se calmo.— Que tente… o povo já vê quem ele é.
Lucilla aproxima-se ainda mais, insistente.— Não, ouve-me… Roma não precisa de um herói morto, precisa de alguém que fique vivo tempo suficiente para mudar as coisas.
Maximus abana ligeiramente a cabeça.— Sou soldado… e, por agora, a arena é o único lugar onde posso agir.
Lucilla segura-lhe a mão, sem hesitar.— E depois? Se ganhares… o que te resta? A tua quinta já não existe… para onde vais?
Maximus fica em silêncio por um momento. A raiva diminui ligeiramente com esse contacto, mas ele acaba por retirar a mão.
— Se sobreviver… Roma vai precisar mais de paz do que eu.
Olha para ela com mais atenção.— E tu? Vais estar segura se o teu irmão descobrir tudo isto?
Lucilla mantém o olhar firme.— Já estou a correr riscos… mas se Cómodo continuar no poder, o meu filho e eu não temos futuro. Ele já ameaçou o Lucius para me controlar.
Maximus percebe imediatamente, sem precisar de mais explicações.
— Então já não é só Roma…
Ele volta a pegar-lhe na mão, com mais suavidade.— Também lutamos por ele… pelo teu filho, e por todos os que não se podem defender.
Lucilla esboça um sorriso cansado, mas sincero.
Ficam em silêncio por um instante, como se aquela calma fosse frágil e pudesse desaparecer a qualquer momento.
Passos aproximam-se.
Juba aparece à entrada.— Eles estão a chegar… tens de vir.
Lucilla solta-lhe a mão rapidamente.— Tem cuidado amanhã… Roma precisa mais de ti vivo do que da tua vingança.
— Eu sei.
Ela olha para ele uma última vez, depois desaparece pelo corredor.
No dia seguinte, o Coliseu está cheio, mais barulhento do que nunca, como se toda a cidade esperasse algo sem ainda saber o quê.
Maximus entra na arena e luta com precisão, sem movimentos inúteis, enquanto Lucilla observa das bancadas, sentada ao lado de Cómodo.
Depois da vitória, Cómodo levanta-se lentamente.
— Lutaste bem, Espanhol… mas não penses que o amor do povo te protege.
Maximus olha-o diretamente nos olhos.— Não luto para ser amado.
Cómodo inclina ligeiramente a cabeça.— Talvez um dia lutemos juntos aqui… e nesse dia, vais lutar por mim.
Maximus não se mexe.— Já luto por Roma… não por ti.
Um silêncio atravessa a multidão, surpreendida com a resposta direta.
Cómodo sorri, mas o olhar torna-se frio.
Mais tarde, nos aposentos, Juba senta-se ao lado de Maximus.
— Hoje deixaste-o furioso… e isso ele não vai esquecer.
Maximus mantém-se calmo.— Ainda bem… ele tem de perceber que já não decide sozinho.
Juba hesita, depois pergunta com mais suavidade:— E a Lucilla… também lutas por ela?
Maximus baixa ligeiramente o olhar, depois responde:— Luto por Roma.
Juba não diz nada, mas percebe que não é toda a verdade.
Maximus fica em silêncio por um momento, depois acrescenta, mais baixo:— Mas há coisas que não se podem ignorar.
O fogo crepita suavemente, e pela primeira vez em muito tempo, algo muda dentro dele.
A luta ainda não acabou… mas ele começa a ver algo para além da vingança.
Talvez uma possibilidade.
Talvez um futuro.