6
Numa tarde de sol, a Aurora Archer e o Sam estavam no parque a treinar tiro com arco. Estavam a procurar um sítio novo para pôr os alvos, quando a Aurora reparou numa coisa a brilhar no chão, perto de um monte de terra.
— Sam… viste aquilo? — perguntou ela, a apontar.
O Sam aproximou-se e baixou-se.
— Uau. Espera… isso parece uma flecha.
Era mesmo uma flecha, meio enterrada na terra. Mas não era uma flecha normal. O metal brilhava de um jeito estranho, e no corpo da flecha havia símbolos gravados.
— Uau, olha para isto, Aurora! — disse o Sam, ajoelhado. — Nunca vi uma flecha assim.
A Aurora ajoelhou-se ao lado dele, curiosa.
— De onde é que isto veio? — disse ela, a olhar para os símbolos. — Parece… antigo.
— Ou super moderno. Tipo tecnologia secreta — disse o Sam, com os olhos a brilhar.
A Aurora estendeu a mão devagar.
— Vou tocar só um bocadinho.
— Espera, e se isso der choque? — perguntou o Sam.
— Vai correr bem — disse ela, mas já estava nervosa.
Assim que os dedos da Aurora tocaram na flecha, sentiu um formigueiro a subir pelo braço. Foi rápido, mas forte. Ela arrepiou-se toda.
— Ai… — murmurou ela. — Sam…
De repente, a cabeça dela encheu-se de imagens, como um filme muito rápido: ruínas antigas, pedras com sinais iguais, uma porta escondida, ouro, mapas, e sombras a mexer num corredor escuro.
A Aurora fechou os olhos e afastou a mão.
— Aurora! Estás bem? — perguntou o Sam, assustado.
Ela abriu os olhos devagar, a respirar com força.
— Eu… acho que sim. Mas… eu vi coisas.
— Viste coisas? Como assim?
— Como… imagens na minha cabeça. Ruínas, tesouros, lugares que eu nunca vi na vida.
O Sam ficou em silêncio um segundo.
— Ok… isso não é normal.
— Pois, não — disse a Aurora. — Esta flecha não é uma flecha qualquer.
O Sam aproximou-se mais.
— Os símbolos… estão a brilhar?
A Aurora olhou melhor. Era verdade: os símbolos tinham uma luz fraca, quase como se estivessem vivos.
— Estão mesmo — disse ela, em voz baixa. — Sam, eu estou a sentir… energia. Não sei explicar.
— Então temos de levar isto para casa e ver com calma — disse o Sam, animado e ao mesmo tempo sério. — Pode ser importante.
A Aurora pegou na flecha com cuidado, como se fosse frágil.
— Ok, mas com cuidado. Se isto faz coisas estranhas, eu não quero que magoe ninguém.
— Combinado. Eu levo a mochila — disse o Sam. — E tu mete a flecha aí, bem enrolada.
A Aurora hesitou um pouco antes de a guardar.
— Sam… achas que alguém perdeu isto?
— Ou alguém escondeu isto — respondeu ele. — E se foi escondido… pode haver uma razão.
A Aurora sentiu um frio na barriga, mas também uma curiosidade enorme.
— Vamos descobrir — disse ela.
E eles ainda não sabiam, mas aquela flecha misteriosa ia mudar tudo: ia abrir segredos antigos, dar-lhes poderes escondidos, e levar os dois para uma aventura muito maior do que eles imaginavam.