5
No dia seguinte, a Aurora Archer estava no parque a treinar tiro com arco quando ouviu alguém chamar pelo nome dela.
— Aurora!
Ela virou-se e viu o Sam a correr na direção dela, com um sorriso enorme.
— Ei, Aurora! Andei à tua procura em todo o lado! — disse o Sam, a ofegar um bocadinho.
A Aurora sorriu, feliz por o ver.
— Sam! O que se passa? Aconteceu alguma coisa?
O Sam abanou a cabeça e tentou recuperar o fôlego.
— Não, não. Nada disso. Eu só queria passar o dia contigo. Pode ser?
A Aurora sorriu ainda mais.
— Claro que pode! Eu também quero.
— Boa! — disse o Sam. — Então hoje nada de treino pesado?
— Podemos fazer um bocadinho… mas sem stress — respondeu ela.
— Combinado. Eu venho em modo “diversão”.
Eles guardaram o arco por um momento e começaram a passear pelo parque. Foram ver o lago, ficaram a observar os patos, e depois foram para uma zona com relva para jogar.
— Ok, escolhe: apanhada ou pedra-papel-tesoura até alguém perder a dignidade? — perguntou o Sam.
— Apanhada — disse a Aurora. — Mas eu aviso: eu corro rápido.
— Ah, sim? Então apanha-me, heroína! — provocou ele, e começou a fugir.
A Aurora correu atrás dele, a rir.
— Sam, para de fazer curvas! Isto não é uma corrida de carros!
— É estratégia! — gritou ele. — Eu aprendi com filmes!
Depois de algum tempo, ficaram cansados e sentaram-se num banco.
— Estou a morrer — disse o Sam, com a mão no peito.
— Estás dramático — respondeu a Aurora, a rir.
— Dramático, mas vivo.
Ficaram a conversar sobre coisas simples: escola, músicas que gostavam, comidas, e até lugares onde queriam viajar um dia.
— Se eu pudesse, ia ver montanhas — disse a Aurora. — Um sítio calmo, sem barulho.
— Eu ia para uma cidade grande com tecnologia e luzes — disse o Sam. — Mas depois ia contigo para as montanhas, só para equilibrar.
— Boa ideia — disse a Aurora. — Assim eu não te deixo ficar maluco com tanta luz.
— Obrigado. Eu preciso de supervisão.
O dia passou rápido. Quando o sol começou a descer e o céu ficou laranja, a Aurora olhou para o Sam e sentiu uma coisa boa: ela tinha mesmo sorte.
Ele estava sempre ali, pronto para ouvir, para ajudar, ou só para fazer companhia.
— Obrigada por hoje, Sam — disse a Aurora, com um sorriso sincero. — Eu precisava mesmo disto.
O Sam sorriu, com os olhos cheios de calor.
— Sempre, Aurora. Tu és a melhor amiga que eu podia pedir.
A Aurora ficou um pouco envergonhada, mas feliz.
— Então… amanhã vemos-nos outra vez?
— Claro — disse o Sam. — Amanhã e depois. E quando vierem aventuras, a gente vai junto.
Eles foram para casa, cansados mas contentes, com o coração cheio e a amizade ainda mais forte. E eles ainda não sabiam, mas em breve essa amizade ia ser testada, quando aparecessem novos desafios e novas aventuras.