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Aurora Archer, 1 – Text to read

Aurora Archer, 1

de portugués lesson to practice reading

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1

Era uma vez, numa cidade muito movimentada, cheia de prédios altos e ruas sempre cheias, vivia uma rapariga chamada Aurora. Tinha o cabelo comprido, claro como o sol, e uns olhos que brilhavam quando ficava contente.

Numa tarde de sol, ela estava no parque a treinar tiro com arco. Pôs uma flecha, respirou fundo e murmurou:

— Calma… olha só para o centro.

Largou a flecha. “Tac!” Quase no meio.

— Eh pá! Que pontaria! — disse uma voz atrás dela.

A Aurora virou-se logo, com o coração a bater mais rápido.

— Quem está aí?

Um rapaz da idade dela apareceu a sorrir, com as mãos no ar.

— Desculpa! Eu sou o Sam. Estava a passar e parei para ver. Não queria assustar-te.

— Assustaste um bocadinho — disse ela, mas depois sorriu. — Eu sou a Aurora.

— Prazer. Tu treinas aqui sempre?

— Quase todos os dias. Gosto quando está mais calmo.

O Sam olhou para o alvo.

— Como é que consegues acertar assim? Eu já tentei numa feira e… foi um desastre.

— Numa feira é mais difícil — respondeu ela. — Mas mesmo assim, é treino. E respirar.

— Respirar eu sei — disse ele, a brincar. — Mas acertar não.

A Aurora riu.

— Queres ver mais de perto? Fica atrás da linha.

— Combinado. Sou um espectador educado.

Ela pegou noutra flecha.

— Vou tentar acertar mesmo no centro.

— Estou a olhar! — disse o Sam, quase sem piscar.

A flecha saiu direita e ficou muito perto do centro.

— UAU! — O Sam bateu palmas. — Isso foi incrível!

A Aurora ficou um pouco corada.

— Obrigada. Treino desde pequena. O meu tio ensinou-me.

— E eu posso tentar? Só uma vez?

A Aurora olhou para ele, séria por um segundo.

— Só se seguires as regras. Nunca apontas a ninguém. Só atiras quando eu digo. E se te sentires estranho, paras.

— Ok, chefe. Prometo.

Ela entregou-lhe o arco.

— Pés afastados. Ombros relaxados. Isso. Agora puxa devagar.

O Sam puxou e fez uma careta.

— Isto é pesado! Nos filmes parece fácil.

— Nos filmes também ninguém sua — disse a Aurora.

Ele riu, puxou outra vez e largou cedo demais. A flecha caiu na relva.

— Ups…

— Não faz mal — disse ela. — Pelo menos foi seguro.

— Obrigado por não rires muito.

— Eu ri só um bocadinho — disse a Aurora, a sorrir.

— Crueldade em forma de sorriso.

Ele tentou mais uma vez. A flecha foi para o alvo, mas ficou na parte de fora.

— Acertei! — gritou ele, todo contente.

— Boa! — disse a Aurora. — Já está melhor.

O Sam devolveu o arco e respirou como se tivesse feito um desporto enorme.

— Tenho uma ideia: competição.

— Competição? — A Aurora levantou uma sobrancelha.

— Cinco flechas cada um. Quem fizer mais pontos ganha.

— E o que é que o vencedor ganha?

O Sam pensou um segundo.

— Um gelado. O perdedor paga.

— Tu és corajoso — disse ela. — Vais perder.

— Eu tenho esperança. E gosto de gelado. Vale o risco.

— Está bem. Mas sem desculpas.

— Sem desculpas. Palavra de Sam.

Começaram. A Aurora acertava sempre perto do centro. O Sam alternava entre “quase” e “nem perto”.

— Aurora, tu és uma máquina — disse ele.

— Não. Sou só teimosa.

No quarto tiro, o Sam acertou bem mais perto do centro.

— VISTE?! — Ele saltou de alegria.

— Vi! Boa! — disse a Aurora, genuinamente feliz.

O sol começou a descer e o céu ficou cor-de-rosa e laranja. O parque ficou mais silencioso.

O Sam baixou a voz.

— Sabes… eu não estava num dia muito bom. Mas isto ajudou.

— Porquê? — perguntou a Aurora.

— Coisas da escola. E eu estava meio sem energia. Depois vi-te aqui, super focada.

A Aurora encolheu os ombros.

— Quando eu treino, o resto fica mais longe.

— Eu sinto isso quando desenho — disse ele.

— Tu desenhas?

— Sim. Olha. — Ele mostrou um desenho no telemóvel: um alvo e uma rapariga com arco.

A Aurora riu.

— Sou eu?

— Mais ou menos. Ainda não acertei na cor do teu cabelo.

— Então tens de praticar — disse ela.

— E tu tens de me ensinar mais.

A pontuação final era clara.

— Ok — suspirou o Sam. — Eu pago o gelado.

— Pagas, sim — disse a Aurora. — Mas jogaste bem.

— Voltamos aqui depois de amanhã?

— Sim. Mesma hora.

— Feito — disse o Sam. — Até depois de amanhã, Aurora.

— Até depois de amanhã, Sam.

E, sem ela perceber ainda, aquele encontro simples ia ser o começo de uma aventura maior.

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