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Brasil (Brazil), BR 319: Bem-vindo a Realidade

BR 319: Bem-vindo a Realidade

Quando você quer uma área maior, uma chance maior, você vai para lugares novos.

Você tem a chance que esse lugar se desenvolva e aquele empreendimento adquira valor.

Então é o que move as pessoas a irem para o desconhecido, para desbravar né.

Porque a madeira está ficando um pouco escassa lá para Rondônia.

Eu vi que tinha muita madeira aqui. Então a perspectiva é muito boa.

É que lá o pessoal já derrubou tudo. Lá já está bem desenvolvido, pastagens e tal.

Se aproveitou pouco.

E acabou...

Como eu acredito que aqui também vai acabar um dia.

Por que o senhor acredita que um dia vai acabar aqui?

Ah... porque da forma que a gente o que aconteceu

lá em Rondônia também está acontecendo aqui

o pessoal vai derrubando assim desenfreado, sem controle, sem autorização,

sem aproveitamento da matéria prima. E isso está acontecendo aqui também.

Aqui na Realidade.

Quantos anos o senhor está na Realidade?

Quatorze anos já, desde de 2004, a gente veio para cá.

Aí 2005 já vim de mudança. A terra que a gente tinha era pequena.

Aí a família cresceu e a gente dependeu de mais terra.

Aí a gente veio parar na Realidade.

E a primeira coisa, quando o agricultor entra, tem que derrubar o mato

Ele vende aquela madeirinha que tem em cima ali

E aquela madeirinha ajuda no petróleo.

Ajuda no rancho para passar o mês, o ano

Então, ajuda na despesa da formação da propriedade.

Em 2012. nós tínhamos duzentos e poucos alunos

Não chegava a duzentos e cinquenta

Hoje, atualmente, nós estamos com quase quinhentos

A gente calcula de cinco a seis mil habitantes

Porque em todas as linhas, todas as vicinais,

tem bastante gente.

De todos os estados tem gente aqui.

Mas o mais é Rondônia.

Eles vem com investimento, com capital.

Compram terra. E já se mudam para cá.

Manejo, madeira, muitos estão investindo em pecuária.

Plantio, muito plantio tem aqui.

Gente, nós temos um milhão e meio de quilômetros quadrados no Amazonas

Uia, então vamos desmatar vinte por cento, pelo menos.

O Brasil vira uma potência agrícola

O que é vinte por cento? Não é nada!

Inevitavelmente as pessoas teriam que vir

Os madeireiros... Quando madeireiro vem não tem jeito

Ele vem... se o governo não arruma a estrada, ele arruma, ele dá um jeito

É uma economia, né?

Embora o Ibama nos taxe como bandido,

a gente tenta trabalhar o mais certo possível.

Eles exageram .

Está ocorrendo realmente um movimento de aquecimento daquela economia

De construção de novas serrarias, a migração de novas pessoas para lá

E aquela região tem maior incidência de desmatamento.

A região do Apuí, do Cento e Oitenta, de Boca do Acre

E agora a região de Realidade.

As etapas de desmatamento na Amazônia elas não são muito diferenciadas

Vem a primeira frente, que é a frente de desmatamento

Essa frente já joga o pasto. Tira a árvore, planta o pasto

E a terceira frente é a frente da subida do gado

Isso, na BR 319, começou a acontecer no final de 2016

Pessoal costuma falar muito, fazer muitas comparações,

com a Europa, com os Estados Unidos...

E lá também devastaram tudo.

Até por isso que é desenvolvido

Eu acho que o Brasil, o povo do Amazonas

também merece desenvolvimento.

Logicamente, que se paga um preço por isso, né?

O caráter mais complicado da BR 319,

é essa não clareza, não lucidez, das populações locais

que esse empreendimento será nocivo à sua vida.

Com esse trabalho de melhoramento da pista,

já melhorou muito.

Já não está atrapalhando para a gente trabalhar

O sonho é a BR concluída.

Se sair... Se Deus quiser vai sair

Melhora cento e dez por cento

Porque as pessoas que já estão, permanecem

E a tendência é só chegar mais e mais.

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