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Gladiator, Parte VI: Os Ecos do Passado — 閱讀文本

Gladiator, Parte VI: Os Ecos do Passado

中級1 葡萄牙語 課程,練習閱讀

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Parte VI: Os Ecos do Passado

Parte VI: Os Ecos do Passado

O Coliseu já está cheio de ruído, mesmo antes do combate, e Maximus prepara-se na sombra, as mãos pousadas na arma, enquanto a mente regressa sem cessar a outra vida — mais calma, quase irreal agora.

Revê as campanhas, as decisões difíceis, os homens que o seguiam sem hesitar, e sente que esse passado já não é apenas memória, mas algo que regressa até ele, lentamente, inevitavelmente, como uma força que já não pode ignorar.

Nos corredores, os murmúrios espalham-se: alguns já sabem quem ele é, outros começam a suspeitar, e desses sussurros nasce algo mais perigoso — uma tensão que vai além do simples espetáculo.

Lucilla falou-lhe de um plano, de uma possibilidade, de um caminho que não passa apenas pelo combate, mas por uma mudança mais profunda, algo que pode transformar Roma.

De repente, uma voz familiar corta-lhe os pensamentos.

— Maximus.

Ele vira-se de imediato, tenso, e vê Quintus à sua frente, mais fechado do que antes, como se o tempo tivesse criado uma distância entre eles.

— Ainda trabalhas para Cómodo? — pergunta Maximus, direto.

Quintus hesita um instante.— Não tive grande escolha… sabes no que ele se tornou.

Maximus dá um passo em frente, com o olhar duro.— Estavas lá… quando ele deu a ordem para matar a minha família.

Quintus aperta o maxilar.— Não consegui impedi-lo… mas estou aqui agora para te ajudar.

Maximus não cede.— Porque é que havia de acreditar em ti agora?

— Porque Cómodo sabe exatamente quem tu és… e está a preparar algo para o teu próximo combate… algo que não vai ser justo.

Maximus mantém o olhar firme.— Que venha… já não me escondo.

Nesse momento, Juba entra, observando a cena com cautela.— Quem é este?

— Um velho amigo… ou talvez alguém que já não reconheço.

Quintus aproxima-se, mais urgente.— Maximus, ouve-me bem: ainda há homens que te são fiéis, mesmo aqui, mesmo em Roma, e se sobreviveres amanhã, podemos começar algo maior.

Maximus pensa por um instante, pesando cada palavra.— Por Roma… não por mim.

Quintus acena lentamente.— Por Roma.

Mais tarde, durante a noite, quando o barulho do Coliseu finalmente acalma, Lucilla vem ter com ele, com o rosto marcado pela preocupação e pelo cansaço.

— Quintus veio, não foi?

— Sim… fala de rebelião, de derrubar o teu irmão.

Lucilla aproxima-se, mais tensa.— Se entrares nesse jogo, Cómodo não vai parar perante nada para te destruir… e desta vez não vai falhar.

Maximus mantém-se calmo, quase frio.— Ele já me tirou tudo… não tenho nada a perder.

Olham-se por um momento, e nesse silêncio há algo mais do que palavras — algo antigo, frágil, que não pode existir ali.

Lucilla baixa ligeiramente os olhos, depois volta a levantá-los.— Tem cuidado… o meu irmão ataca sempre quando achamos que estamos prontos, e nunca quando esperamos.

Maximus inclina ligeiramente a cabeça.— Se eu morrer… garante que isto não seja em vão.

Lucilla hesita, depois aceita esse peso.— Vou fazê-lo.

Ela desaparece pelo corredor, deixando Maximus sozinho com os seus pensamentos.

A manhã chega depressa, e com ela uma tensão diferente, mais densa, como se algo maior estivesse prestes a acontecer, para além do combate.

Maximus prepara-se em silêncio, ajusta a arma, respira devagar — mas desta vez o olhar é diferente, mais firme, mais decidido.

Já não é apenas um gladiador que entra na arena para sobreviver.

Voltou para enfrentar aquilo que perdeu, aquilo que lhe foi tirado… e aquilo que ainda tem de mudar.

E, algures no meio do ruído da multidão que espera, Maximus já sabe que este combate não será como os outros.

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