Parte V: O Combate do Gladiador
Parte V: O Combate do Gladiador
O sol cai a pique sobre a arena, esmagando tudo com a sua luz, e a areia quente cola-se à pele como se já fizesse parte do combate.
— Ouves isto? — diz Juba, inclinando ligeiramente a cabeça.
A multidão grita, bate, pede algo simples e brutal.
— Sim… querem sangue.
Maximus mantém os olhos fixos à frente, calmo, quase distante.
— Estás pronto?— Estou.
Juba inspira fundo.— Ficamos juntos, aconteça o que acontecer?
Maximus vira ligeiramente a cabeça para ele.— Sempre.
As portas abrem-se com um rangido pesado, e a luz invade a entrada como uma onda.
— Avança!
Entram na arena, onde seis homens já os esperam, tensos e prontos para atacar.
— Ali!
O combate começa de imediato.
— À esquerda!
Maximus bloqueia um golpe, roda sobre si mesmo, ataca, e recua para recuperar o equilíbrio.
— Atrás de ti!
Juba intervém e afasta um adversário com um golpe seco.
— Obrigado.— Concentra-te!
O ruído está por todo o lado: a multidão grita, o metal choca, a areia levanta-se sob os passos.
— Escudo!
Maximus baixa-se, gira e ataca — um homem cai no chão.
— Faltam dois!— Fica perto de mim!
Movem-se juntos, quase sem falar, como se já antecipassem os gestos um do outro.
— Agora!
Maximus avança sem hesitar, ataca, e o último adversário cai.
Um breve silêncio atravessa a arena… depois a multidão explode.
— Espanhol! Espanhol!
Maximus fica imóvel, sem levantar os braços.
— Ouviste? — diz Juba.— Ouvi.
— Já te adoram.— Não me interessa.
À noite, junto ao fogo, o barulho acalmou, mas a tensão ainda está no ar.
— És mesmo forte — diz Juba.— Faço apenas o que tenho de fazer para sobreviver.
Juba abana a cabeça.— Não… fazes mais do que sobreviver.
Maximus olha para as mãos, cobertas de areia e sangue.— Luto por eles.
— A tua família?— Sim… cada golpe, cada movimento, é por eles.
Instala-se um silêncio.
— Tem cuidado — diz Juba. — Quanto mais ganhas, mais se fala de ti… e alguém importante vai acabar por ouvir.
Maximus levanta lentamente a cabeça.— É exatamente isso que eu quero.
Os dias passam, e os combates sucedem-se.
— O Espanhol!— Outra vez ele!
Maximus continua a ganhar, cada vez mais preciso, cada vez mais calmo.
Nos bastidores, Juba aproxima-se.
— Estás a ficar famoso, quer queiras quer não.
Maximus limpa a espada.— Não quero ser famoso.
— Então o que procuras?
Maximus pára por um instante.— Ser visto… mas só pela pessoa certa.
Uma mulher aproxima-se, hesitante mas determinada.
— Maximus?
Ele vira-se lentamente.— Lucilla.
— Ainda me reconheces.— Há coisas que ficam.
— O meu irmão vai ouvir falar de ti.— Ótimo… é isso que eu espero.
— Estás a brincar com o fogo.— Já estou queimado.
— Se ele descobrir quem tu és, vai matar-te.— Já tentou… e eu ainda estou aqui.
Ela hesita.— E a tua família…
— Eu sei o que lhes aconteceu.
— A vingança não vai mudar nada.— Talvez… mas não é uma questão de resultado.
— Então porquê continuar?
Maximus olha para ela.— Porque tenho de ir até ao fim… senão nada disto faz sentido.
Silêncio.
— Em breve, vais ao Coliseu.
Maximus esboça um leve sorriso.— Finalmente.
— O meu irmão estará lá.— Espero bem que sim.
— É perigoso.— Tudo aqui é perigoso… a única diferença é que desta vez avanço em direção ao que procuro.
— Ele vai tentar destruir-te.
Maximus expira lentamente.— Que tente.
Lucilla recua.— Tem cuidado contigo.— Tu também.
Ela vai-se embora.
Juba aproxima-se.
— Quem era?— Alguém do passado… e do futuro.
— Bom sinal?
Maximus olha para a arena vazia.— O momento certo.
— E depois?
Maximus cerra os punhos.— Roma vai ouvir o meu nome… e ele acima de todos.
O vento passa suavemente.
— E quando ele me vir…
Silêncio.
— Será o fim.