Parte II: O Dever de um General
Parte II: O Dever de um General
A noite está fria, e Maximus cavalga com Quintus e os outros soldados, o olhar perdido na escuridão, enquanto o vento lhe lembra as noites calmas na quinta e o calor da família que deixou para trás depressa demais.
— Mudaste, meu amigo — diz Quintus, olhando de lado. — Pareces mais um agricultor do que um soldado agora.
Maximus esboça um leve sorriso.— Porque é isso que me tornei. Gosto da minha terra, gosto da minha família… e já não procuro a guerra.
Quintus mantém o olhar.— Talvez… mas Roma não mudou. E continua a precisar de ti. O Imperador conta contigo.
Maximus fica em silêncio por um momento, depois olha em frente.— Roma precisa sempre de alguém… mas eu tinha finalmente encontrado paz.
Quando chegam ao acampamento romano, o ar está cheio de ruído, vozes, metal, e Maximus sente logo as memórias a regressar, como se aquela vida nunca o tivesse realmente deixado.
— Lembras-te? — diz Quintus, apontando para as tendas.— Sim… e pensei que nunca mais voltaria a ver isto.
Na tenda do Imperador, Marco Aurélio parece cansado, mas o olhar mantém-se claro quando vê Maximus entrar.
— Maximus, meu amigo… fico feliz por te ver.
Maximus inclina-se ligeiramente.— É uma honra, Imperador… mas já não sou o homem que conheceste.
Marco Aurélio esboça um sorriso calmo.— Talvez sejas… e é por isso que te mandei chamar.
Maximus levanta os olhos.— O que quer de mim?
— Roma está em perigo — diz o Imperador, sem rodeios. — Estamos a perder terreno a norte, e os meus generais não aguentam. Preciso do melhor… preciso de ti.
Maximus inspira lentamente.— Tenho uma família agora… e quero viver em paz, longe de tudo isto.
Marco Aurélio acena suavemente com a cabeça.— Compreendo… mas pensa nas milhares de famílias que não têm essa paz, e que contam connosco para a recuperar.
Instala-se um silêncio, pesado mas tranquilo.
— Só mais uma vez, Maximus — acrescenta o Imperador, com uma voz mais suave. — Ajuda-me a ganhar esta guerra, e depois poderás voltar para casa sem que te chamem outra vez.
Maximus fecha os olhos por um instante, como se pesasse a escolha.— Se é isso que me pede… então fá-lo-ei. Por Roma.
Mais tarde, lá fora, Maximus caminha com Quintus, observando os jovens soldados a treinar, alguns confiantes, outros claramente nervosos.
— Fizeste a escolha certa — diz Quintus. — Roma precisava de ti, e agora têm um verdadeiro líder.
Maximus baixa ligeiramente o olhar.— Talvez… mas cada passo que dou aqui afasta-me da minha família.
Quintus suspira baixinho.— Quando tudo acabar, voltarás para eles… mas, por agora, estes homens contam contigo.
No dia seguinte, Maximus já está no centro do acampamento, a dar ordens com uma autoridade natural que regressa sem esforço.
— Mantenham a linha e os escudos levantados! Se ficarem juntos, ninguém vos vai quebrar!
Quintus observa a cena com um sorriso discreto.— Estás a ver? Eles acreditam em ti… e vão seguir-te para todo o lado.
Maximus mantém-se sério.— Só espero que isso chegue para os manter vivos.
Mais tarde, durante a noite, junto à fogueira, Maximus fica sozinho, com os olhos fixos nas chamas, enquanto os sons do acampamento vão desaparecendo pouco a pouco.
Quintus senta-se ao lado dele.— Ainda pensas neles?
Maximus não desvia o olhar.— O tempo todo… vejo o sorriso dele, ouço o riso… e sinto que estou em dois lugares ao mesmo tempo.
Quintus acena com a cabeça.— É isso que é ser soldado… e pai.
Maximus deixa passar um momento antes de responder.— Vou fazer o que tenho de fazer aqui… e depois volto para casa, aconteça o que acontecer.
O fogo crepita suavemente, e Maximus fica ali, dividido entre dois mundos — com o dever à sua frente e o coração longe, nos campos, junto da sua família.