SNIPER
[som de sirenes e helicóptero]
Central, alvo na mira.
Aguardando autorização para atirar.
Parece que o negociador
está tentando convencer o meliante a se entregar.
1,80 m...
moreno, pele clara...
olhos verdes.
Rapaz, parece ser daqueles que refletem quando conversam.
Se entregar pode parecer importante
não só para as relações quanto pro crime.
O que quer dizer com isso?
Nada, fica aí com seu moreno de olhos verdes, alto.
Estava descrevendo o suspeito pra Central, Oliveira.
Oliveira?
Até ontem eu era seu urso,
agora é Oliveira?
Às vezes, suas palavras machucam mais que suas balas.
Tá Bututu? Bututu não, Fonseca.
Vamos respeitar o procedimento?
E esse uniforme aqui, hein?
Esse uniforme é pra sempre, isso é o que importa.
Olha só, cara, vamos fazer o trabalho,
e depois a gente conversa o que quiser.
–Pode ser assim? –Hum, hum.
Posso voltar a mirar no rapaz?
Sabe quem tem mira invejável?
O cupido.
Só que depois é só dor.
A gente morre com uma flechada cravada...
Puta que pariu!
Puta que pariu, Oliveira! Sabe que não posso errar, cara!
Não pode errar com uma pessoa que nunca viu na vida,
comigo pode.
Aproveita, amarra uma aliança na bala e atira no dedo dele.
Olha, falei que precisava só de um tempo
pra pensar na nossa relação no futuro.
Gosto de fazer as coisas com calma.
Sou um sniper, me conheceu sniper, gosto de planejar...
Fonseca, atenção, pode efetuar o disparo.
Emissão concedida.
Efetua seu disparo e depois a gente conversa, tá bom?
[tiro disparado]
O que é isso? O meliante é um boneco cheio de confete?
O que está acontecendo?
Capitão, Fonseca, ou melhor, Bututu,
Você aceita se casar com seu urso, o Oliveira?
–Aceito, porra! –Aceita essa missão comigo?
Faca na caveira, meu amor.
Tá na mira, senta o dedo.
–É menino. –É menino!
–É menino, porra! –Vai se chamar Enzo.