NÃO REPARA A BAGUNÇA
Êita! Ó quem ta aí?
–E aí, meu irmão? –E aí, Cleiton? Como é que tá?
–Sandrinha, tudo bom, meu amor? –Tudo bem, tudo certo.
E aí, como é que estão?
A gente estava passando na área e falou,
vamos visitar o Daniel, dar uma passadinha lá.
Mas se estiver ocupado é só falar.
Não, tá tudo... Vocês me pegaram de calça arriada.
–Se quiserem subir... –Então tá, vamos.
Que maravilha!
Só não repara a bagunça, viu?
Sentem aqui no sofazinho,
vou só na cozinha pegar algo pra gente tomar e volto já,
mas a casa é de vocês, viu?
Amor, que casa imunda.
Amor, ele não estava esperando visita, né?
Casa de solteiro é assim, normal, baguncinha.
Cleiton...
tem um cocô ali no chão.
Ele falou pra não reparar, amor.
Só não olhar, deve ter sido o cachorro dele.
Cachorro? Não tem cachorro.
Tem milho naquele cocô.
Que cachorro ia cagar milho? Aquilo é cocô humano!
Só não reparar, meu amor.
O cocô consigo não reparar,
mas aquele cara amordaçado não dá.
Ele tá olhando pra gente.
Então não olha...
Ele está pedindo ajuda.
Amor, não repara...
Cleiton...
Cleiton, que porra é essa?
Não sei, amorzinho.
Faz o seguinte, olha que legal,
escolhe um ponto fixo e fica olhando pra ele.
Tô olhando pra aquela meia ali na estante.
Qual delas?
A que está suja de porra seca.
–Qual delas? –A vermelha.
Cleiton...
Cleiton...
Não tá vendo isso aí do lado? O que tá acontecendo?
Não sei, meu amor.
Está com seu celular aí?
Lilia, liga o celular aí e pede um Uber.
Vou falar que minha tia teve um problema, ligou,
e a gente tem que ir lá.
Cleiton!
Cleiton, ele está fazendo xixi e está respingando em mim.
–Quem? O mendigo? –Não! O Daniel!
Opa! Ó o suquinho. Segura.
Por favor, quando forem tomar não apoiem o copo na mesa
porque mancha essa madeirinha e é horrível pra tirar, viu?
Ô, minha gente, fiquem à vontade aí.
A casa é de vocês.
Mozão, pega uma cerveja lá pra mim?
Não, tô indo tirar um cochilo. Me acorda daqui a três horas.
Quer que eu pegue a cerveja?
Pega lá.