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Porta Dos Fundos 2022, ME VÊ UM CU – Text to read

Porta Dos Fundos 2022, ME VÊ UM CU

고급 1 포르투갈어의 lesson to practice reading

지금 본 레슨 학습 시작

ME VÊ UM CU

-Ficou bonito aqui. -Ficou.

Olá. Sejam bem-vindos. Já sabem qual vai ser o pedido?

-Vou ficar na salada de quinoa. -Salada de quinoa. O senhor?

-Um cu. -Um cu? Maravilha.

-Ao ponto? -Ao ponto para mal.

-Perfeito. Com licença. -Obrigado.

-É, deu uma... -Como assim, Felipe?

-Quê? -Desde quando você come cu?

Acordei com uma boca para cu. Falei: "Quer saber? Vou no cu."

-Do nada? -O cu. Normal, cu.

Faz tempo que não como um cuzão bom.

Engraçado, em casa você não come cu. O cu da rua você quer.

É diferente. O cu de casa é uma coisa.

Aqui é feito com uma especiaria ou outra. Tem todo um preparo.

Você conhece? Conhece a qualidade desse cu?

Se foi criado em cativeiro, se foi criado livre?

-Eu já comi muito cu aqui. -É?

Já conheço a cozinha. É tudo higienizado.

Eles tratam o cu como se fosse deles.

-Sério? -Vale. Vale. Deixa eu...

Garçom, desculpe. Me traz uma água com gás?

-Eu quero também. -Para o cu descer. Dois.

Vou te pedir guardanapo, quando eu como cu, eu me lambuzo.

É como frango a passarinho. Fico todo cagado. Pode ser?

-Pode ser. -Obrigado.

Você quer muito. Se eu soubesse,

reservava a cuzeria que abriu em Botafogo.

-Dessas coisas novas eu não gosto. -Sério?

Fica tudo uns cuzinhos iguais. Uns cuzinhos rosinhas pequenos.

Nem enche a boca.

Eu gosto de cu antigo do Rio de Janeiro de Tom Jobim.

Um cu com borda recheada, um cu mais largo

que não tinha preocupação com assalto.

-Cu criado na cevada, todo abaulado. -Que delícia!

-Isso é... Olha. Está sentindo? -Senti agora.

-Isso é cheiro de cu. -Gente...

O cu bom a gente sente pelo cheiro.

-Será que eu peço? -Ah, pede.

-Você acha? -Pede.

-Vou pedir. Garçom, por favor... -Pede então.

-Sim? -Dá tempo de cancelar o pedido,

porque eu acho que vou querer o mesmo do dele?

Infelizmente não. Era o último cu do dia.

Nem degustação, uma coisinha assim?

-Nada. É especialidade da casa. -Cu tem que comer na hora.

-Senão nunca mais tu come. -Vem bem servido?

-Se vier, a gente divide. -Depende do tamanho da fome.

Desculpa. Cu é individual. Não dá para dividir.

Eu boto um inteiro na boca, deixo dissolver, masco.

Posso até te dar uma beirola da lasca da prega.

-Vou querer a salada mesmo. -Não vai na salada.

Não precisa ir na salada. Sempre salada de quinoa.

-Vai no negócio... Se deixa levar. -Será?

-Vai. -Como está a boceta Oswaldo Aranha?

Olha, está boa. Mas hoje a gente fez uma bocetada que olha...

-Fresquinha? -Fresquinha.

-Como faz essa bocetada? -Com a boceta ainda viva.

A gente pega, joga na água quente para dar um choque térmico,

aí é mais fácil para depenar. Aí bota na farinha de trigo,

-com orégano, um pouco de alho... -Estou quase babando. Vou querer!

-Vai querer? -Vou querer.

Uma bocetada para dois e um cu.

-Cu. Perfeito. -Tá bom?

-Mais alguma coisa? -Pimenta dedo de moça.

-Faz isso não, senhor. -Melhor não?

-Melhor não. -Às vezes, é mais graúdo.

-Vê só limão. -Obrigada.

-Que bom! -É uma maravilha.

Depois, de sobremesa, a gente pode pedir o sacolé.

Seu Ademir é um deles. Cria cu há mais de 30 anos

numa chácara perto de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba.

Meu pai foi o primeiro criador de cu aqui da região.

Chegamos aqui, mas criávamos pouco. Só para consumo próprio.

Hoje estamos exportando cu por esse mundo.

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