FUNCIONÁRIO DO ANO
Que dia especial hoje, hein?
Essa homenagem ao nosso funcionário Carlão.
Esse sempre vestiu a camisa.
Esse a gente não pode negar que deu o sangue pela empresa,
é um cara que nunca vi reclamar.
Dor de cabeça, virose,
estava com atestado, mas estava trabalhando ali.
Sempre, o tempo todo. Também, sentadinho, descansando, está bom.
Época de fechamento, quem não lembra disso?
Sempre que dá época de fechamento,
a gente ouve aquele barulhinho vindo da mesa dele.
"O que é isso?" É um choro.
Um choro de alegria, né?
Eu sempre falei pra ele: "Você é meu fã número zero."
Porque eu chego perto dele, treme inteiro.
Treme inteiro, nervoso.
Mas mesmo com a psoríase tomando o corpo todo,
o mortadelinha sempre pra cima.
Sorriso no rosto, sempre animado.
Alegrando todo mundo em volta.
A única pessoa daqui que não quis vínculo empregatício.
Impressionante.
Abriu mão de carteira de trabalho, de vale-transporte,
vale-alimentação.
Diferente de muita gente aqui,
que ainda se apega a esse tipo de coisa.
Temos que mirar mais em Carlão.
Quem não se lembra de Carlão virando noite pra bater meta?
E batendo a meta,
e eu levando as minhas filhas pra Disney pra comemorar essa meta
que ele batia, e que pra mim era excelente.
Lançou moda.
Carlão sempre lançou moda, gente!
Não veio de fralda trabalhar pra não perder um minuto
daqui do trabalho?
Me ensinou muito.
Palavras como "burnout", nunca tinha ouvido falar, veio dele.
Chegou um dia dizendo da depressão, e a gente: "Que isso?"
Se preocupou, daqui a pouco é síndrome do pânico.
Aí olhou pra mim um dia, lembra quando a gente chegou cedo?
Olhou pra mim e falou assim: "Eu vou me matar por tua causa."
Eu fiquei tão emocionado, ninguém nunca tinha dito
uma coisa dessas pra mim. Eu pensei: "Caramba, só ele."
Só ele... Lindo isso.
Nunca vi fazer uma cara feia, só com o derrame.
Com o derrame ele fez.
É, não deu aviso prévio, né, Carlão?
E se foi nessa viagem, seguindo o teu rumo.
Quer dizer, pra lá, pra cá, a gente nunca sabe.
Não sou eu que vou julgar agora.
Viajando sozinho,
deixou a gente na mão com relatório ainda em aberto.
Mas não tem importância. A gente perdoa, Carlão.
Uma salva de palmas pro nosso homenageado de hoje!
Carlão!
Tadeu! Competitivo ele. Vamos embora, gente.
Vamos trabalhar, que a gente não tem tempo a perder.
Ele não está nem aí dentro, eu enchi de isopor.
Vamos, vamos, vamos indo.
MORREU BATENDO META
AQUI JAZ UM CARA LIMITADO