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Portuguese With Leo (2021), Português vs Italiano - Semelhanças e diferenças

Português vs Italiano - Semelhanças e diferenças

Olá a todos e bem-vindos de volta ao Portuguese With Leo. Eu sei que digo muitas vezes neste canal

que o vídeo de hoje vai ser especial, e todos os vídeos são especiais mas o vídeo de hoje

é verdadeiramente especial, por dois motivos. O primeiro é que *há 3 semanas* chegámos

aos 50 mil subscritores, que é uma coisa que eu quando comecei este canal, se alguém me dissesse

que eu ia chegar a 50 mil subscritores em menos de um ano eu nunca acreditaria, nunca imaginei que

tantas pessoas pudessem estar interessadas em português europeu e a querer aprender a língua ou

interessadas simplesmente em aprender mais sobre a língua, e por isso muito obrigado a todos vocês

por subscreverem *o* canal, por verem os vídeos, por porem gosto, muito obrigado, do fundo do coração.

O outro motivo porque o vídeo de hoje é especial é porque tenho um convidado, o Stefano, do canal

linguaEpassione. O Stefano é um poliglota que fala dez línguas e hoje vamos comparar o português

com a língua materna do Stefano e aquela que para mim é a língua mais bonita, o italiano.

Bom dia Stefano. Bom dia Leonardo. Tu preparaste aqui uma lista de algumas das semelhanças e diferenças

entre o português e o italiano, que são duas línguas muito parecidas, mas antes de passarmos ao vídeo

em si, gostava só de saber assim, muito rapidamente, porque é que decidiste aprender português europeu

e não brasileiro, és um dos poucos. Antes de mais nada, muito obrigado Leonardo pelo teu convite. Fico

muito feliz por estar aqui e ansioso por começar. Talvez não saibas, esta é a primeira vez que eu

faço um vídeo de colaboração em português e as pessoas que me seguem sabem o quanto eu adoro esta

língua, portanto, podes imaginar o quanto eu estou feliz agora por estar aqui contigo. Então, muito

obrigado e, porque é que eu falo com este sotaque? Foi mais ou menos um acaso porque encontrei um

curso de português na Alemanha quando eu estava na Alemanha a fazer, a tirar um curso, digamos, a

participar no programa Erasmus, não é? Programa de intercâmbio entre as universidades europeias.

Encontrei esse curso na universidade de Heidelberg, na Alemanha, e a professora era de origem

moçambicana mas cresceu em Portugal e *tinha* este sotaque, portanto todos os materiais também eram

em português de Portugal e de facto adorei este sotaque ainda mais *do que o* pouco brasileiro que eu já

tinha aprendido antes, e fiquei com este sotaque e nunca quis mudá-lo, é por isso, é muito simples,

é uma razão muito simples, eu adorei. Olha, fico feliz por saber isso. E tu tens um vídeo inteiro dedicado

à tua história com o português que eu já vi, eu já sabia a história da professora moçambicana

e tu entras em mais detalhe, e portanto, para os que nos estiverem a ver, vão ver o canal do Stefano,

linguaEpassione, e vão ver o vídeo em que ele explica toda a sua história com o português. Hoje

vamos fazer uma coisa diferente que vai ser, então, comparar as nossas duas línguas, ambas de origem

latina, o português e o italiano. E por isso, Stefano, tu preparaste toda uma lista de semelhanças e

diferenças e podes começar quando quiseres. Ok, vamos lá começar com a coisa mais simples, os

substantivos, os nomes, o plural dos substantivos. Os plurais em português são mais fáceis, podemos

dizer, do que em italiano porque só se acrescenta um "s" se a palavra termina em vogal e "es" se a palavra

termina em consoante. Claro, há também outras pequenas diferenças, por exemplo, se

a consoante for um "l", acrescentamos um "is" e se for "m", acrescentamos o "ns". Mas são

diferenças pequenas, não causam muitos problemas aos estudantes, acho eu. Uma só que eu acrescentaria

é nos ditongos, as palavras que acabam em "ão", esse ditongo transforma-se em "õe" e acrescenta-se

um "s" - situação, situações. No que diz respeito aos ditongos, a dificuldade está no facto que alguns,

digamos, tornam-se um pouco diferentes. Não "ões" mas "ãos", por exemplo - a mão, as mãos. Não "as mões".

Ou alemão, alemães. Mas isso são pequenas exceções. Regra geral, e para quem está a aprender português,

se estiverem na dúvida, palavras acabadas em "ão", no plural é "ões", na dúvida. Pode haver uma outra exceção

mas no geral é assim. Já no Italiano. Já no italiano temos várias terminações diferentes dependendo do

género da palavra, sobretudo, e também da vogal na qual a termina a palavra, ok? Por exemplo, para os

femininos podemos ter o "a" no final de uma palavra, como por exemplo, "casa", o plural será "case" com "e".

Mas se a palavra já terminar em "e", no singular, como "nave", quer dizer "navio", o plural vai ser "navi" com "i".

Portanto temos essas duas terminações diferentes para o plural. Os masculinos sempre fazem.. sempre

têm o plural com "i" mas o singular também pode ser com "o" ou com "e". Por exemplo temos o "libro" (livro), "libri". Mas,

"cane", o cão, "cani". E, estou-me a lembrar aqui de um plural de um singular com "a". "Sistema" ou "problema" - "problemi",

"sistemi". Para não falar nos plurais irregulares, porque, por exemplo, o ovo em italiano é "uovo", e é

masculino, não é? Mas o plural torna-se feminino. Muito estranho, "le uova". Outros exemplos desta coisa temos

para as partes do corpo humano, por exemplo o braço, em italiano é "il braccio". Mas quando *falamos* no

plural também se torna feminino, "le braccia". Que é muito estranho. Ou "ginocchio", joelho, "ginocchio", "le ginocchia". Ok.

E por aí fora. Para falar nos artigos, nos artigos definidos, eu acho que os artigos

definidos também são mais fáceis, mais simples, em português do que em italiano porque em vez

de quatro artigos que se podem combinar com quatro preposições para criar essas combinações

de preposição e artigo que nós chamamos de "preposizioni articolate", nós temos são seis

artigos, mais um se considerarmos o "l" apóstrofo (l'). O sétimo artigo, também podemos dizer

que temos sete artigos, que se combinam com 5 preposições. Portanto temos 30-35 combinações possíveis.

Exatamente, exatamente, e nós só temos as 16, a tabelinha das 16, que já agora os artigos são "o", "a", "os", "as",

sempre muito fácil, e as preposições são "de", "em", "a" e "por". E em italiano temos os artigos "il", "lo",

"la", "i", "gli", "le", "l" apóstrofo (l'). E sempre a falar sobre os artigos, em português também existem

artigos indefinidos plurais, o que nós não temos em italiano. Para expressar uma quantidade não especificada de

alguns objetos, de pessoas, o que for, em português podemos dizer "umas", sei lá, "maçãs", "umas amigas" ou "uns

amigos", "uns amigos". Mas em italiano, o que é que nós fazemos? Não temos esses artigos, portanto nós

utilizamos o chamado de partitivo. O partitivo com o auxílio da preposição "di". Dizemos "delle mele",

"delle persone", "degli amici". Mas isto não quer dizer "das pessoas" ou "dos amigos", quer dizer..

"Alguns" ou "uns", exato. É como o francês, também tem esta esta particularidade gramatical.

Então uma coisa que é bastante difícil, acho eu, em português, é a colocação dos pronomes pessoais

na frase. Em português, tipicamente, o pronome pessoal objeto é posto depois do verbo, não

é? Por exemplo, a frase mais bonita do mundo é "amo-te", não é? Então o "te" vem depois do verbo, enquanto

em todas as outras línguas da nossa família, digamos, é o contrário, "ti amo". A não

ser que a frase comece com certos elementos, como por exemplo uma negação, o "não", o "nunca", ou a palavra

"já" ou uma palavra interrogativa como "quem", "que", "quando", etc. Nesse caso o pronome já é posto..

Antes do verbo. Exato, então, "eu amo-te" mas "não te amo". Ou por exemplo, "eu disse-lhe que blá blá blá",

mas eu "já lhe disse" ou "não lhe disse que blá blá blá". Então isso pode ser bastante difícil, sobretudo

no princípio para quem aprender português. Para quem quer aprender português de Portugal, porque

no Brasil isto não é assim, exato. De Portugal e de África, pronto, a variante não brasileira,

basicamente. Já agora, também temos a mesóclise. A chamada mesóclise é quando.. quer dizer que,

basicamente, nas formas do futuro do indicativo e do condicional, o pronome até pode ficar no meio,

entre a raiz do verbo e a terminação do verbo conjugado. Por exemplo, isto é muito

estranho para quem falar português do Brasil porque não existe naturalmente no português do

Brasil. "Eu recomendaria ao Leonardo", por exemplo, um livro, não sei. "Eu recomendar-lhe-ia". Exato, exato, eu sei,

é estranho, é estranho. Mas para quem estiver a aprender português eu não sei se.. não sei se quem nos está a

ver se sabia sequer que isto existia, mas nem todos os portugueses acertam. Portanto, podemos ficar

descansados que é difícil até para nós. Há muitas pessoas que dizem.. que às vezes dizem.. é um erro e as

pessoas sabem que é um erro mas às vezes sai, tipo, "Eu recomendaria-te. Ah, não. Eu recomendar-te-ia". É um

erro bastante comum. Os meus amigos brasileiros riem-se às gargalhadas cada vez que eu utilizo estas

formas porque eles dizem "o que é que é isso? Não pode ser verdade". Exato. É excessivamente complicado, não é?

É, é. Uma última coisa sobre esses pronomes é que quando temos uma.. um verbo no infinitivo com o

pronome a seguir, cai o "r" do infinitivo e aparece um "l" à frente do pronome. Fazer a coisa, fazê-la.

Também temos outro.. outra forma que é com "n", portanto, quando temos um "m", por exemplo, "eles

fazem essa coisa, eles fazem-na". Vamos agora falar em preposições. Obviamente em português temos o

"por" e o "para", duas preposições, em vez de só "per", em italiano. A diferença principal é que o "por"

indica mais um meio, é uma passagem por um lugar, ou uma razão, um motivo. Enquanto o "para" indica mais

o fim, o objetivo final e também o destino, a direção, o destino do movimento. Isto é, digamos, a

diferença principal. Claro, há muitas, muitas funções que estas preposições têm. Enquanto italiano,

poderias pensar que eu possa ter problemas com a diferença entre "por" e "para", mas a minha dica

para evitar esse problema é não considerar o "por" como uma tradução de "per". Na minha cabeça o "por" não

é "per". Já não é "per". Na minha cabeça o "por" é "através de". Exatamente. Portanto, italianos, registem, tomem nota.

Mesmo assim, se quiserem ver com detalhe as diferentes utilizações de "por" e "para" em português, também tenho

um vídeo sobre o "por" e o "para". "Por" é "attraverso" e "para" é "per", na maior parte das situações. Depois

há sempre pequenas situações em que isto muda porque, por exemplo, a voz passiva nós usamos o "por",

"feito por mim", ou seja, "fui eu que fiz", e vocês usam "da", "fatto da me", "fui eu que fiz". E sempre falando

em preposições, o "de". Neste caso já é o italiano que é mais complexo porque da preposição latina

"de", o italiano é a única língua que tirou duas preposições em vez de uma. Então o português,

o espanhol, francês, todos têm "de". E o romeno, que tu também falas romeno que eu sei. O romeno também.

E nós, italianos, nós temos o "di" e o "da". Duas, somos diferentes (pois é). E estas preposições também têm várias funções, mas

uma das mais interessantes diferenças entre as duas é que nós em italiano podemos dizer "una tazza

di caffè" e "una tazza da caffè". O que é que quer dizer? Uma chávena de café, ou xícara para os nossos

ouvintes do Brasil (brasileiros). Exato. Se eu disser "tazza di caffè", quer dizer uma chávena com café já dentro.

Eu vou beber esse café, não é? Mas se eu disser "tazza da caffè" só quero dizer que é uma chávena

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