A Revolução Liberal do Porto de 1820 // História de Portugal
Olá a todos e bem vindos de volta ao Portuguese With Leo!
Fez esta semana, no dia 24 de agosto, 201 anos desde a Revolução Liberal de 1820,
e como muitos de vocês sabem, eu gosto de falar sobre acontecimentos históricos neste
canal mais ou menos na altura em que eles acontecem, por isso o episódio de hoje vai
ser precisamente sobre a Revolução Liberal: Porque é que aconteceu, o que é que ela
foi exatamente e quais é que foram as suas consequências.
Antes de começarmos, não se esqueçam de pôr um gosto, subscrever o canal, e ativem
as legendas se precisarem.
Para começar, vamos falar sobre o contexto histórico: No início do século XIX, o continente
europeu era dominado por Napoleão, que em 1806 decretou o Bloqueio Continental, que
consistia em impedir o acesso dos navios ingleses aos portos da Europa.
O objetivo do Bloqueio Continental era ferir a economia britânica, uma vez que França
e Inglaterra estavam em conflito, mas Portugal, sendo o aliado mais antigo de Inglaterra,
não aderiu a este bloqueio, e continuou a fazer comércio com a Inglaterra.
A consequência disto foi que, em 1807 Napoleão invadiu Portugal, o que resultou na fuga da
família real portuguesa para o Brasil, Brasil esse que na altura ainda era uma colónia
portuguesa.
Mas não por muito tempo!
Depois da primeira invasão francesa, em 1807, ainda houve mais duas, em 1809 e 1810, mas
todas elas falharam e Portugal manteve-se independente da França, muito graças ao
apoio dos ingleses, que estavam a retribuir o nosso favor em não termos aderido ao Bloqueio Continental.
Até aqui tudo bem, mas o problema foi que, depois da última invasão francesa e com
a família real portuguesa no Brasil, Portugal ficou efetivamente sob o controlo militar
dos ingleses e do seu general William Beresford.
Isto levou a que os portugueses começassem a sentir que Portugal já não era Portugal.
A sensação agora era que o Brasil é que era o centro do Império Português, e que
Portugal em si era mais um protetorado da Grã-Bretanha do que propriamente um país independente.
Em 1815, este descontentamento levou à criação de um movimento secreto de oposição à liderança
britânica, baseado nas ideias liberais que tinham começado a dominar a Europa no século XVIII
e liderado pelo general Gomes Freire de Andrade.
Infelizmente para Gomes Freire de Andrade, a sua conspiração foi descoberta em 1817,
e ele e os restantes conspiradores foram todos executados.
No entanto, as ideias liberais e o descontentamento geral da população continuaram a espalhar-se
pelo país, e em 1818, no Porto, foi criada uma sociedade secreta chamada Sinédrio.
Os objetivos iniciais do Sinédrio eram, nas palavras de um dos seus membros fundadores:
“Observar a opinião pública e a marcha dos acontecimentos, vigiar as notícias da
vizinha Espanha” e, “se rompesse um movimento anárquico, ou uma revolução, conduzi-la
para bem do País e da sua liberdade”.
Ora, foi precisamente ao “vigiar as notícias da vizinha Espanha” que o Sinédrio encontrou
o momento certo para agir.
Isto porque em janeiro de 1820 deu-se em Espanha um golpe de estado que deu origem ao Triénio Liberal,
que foram 3 anos de governação liberal em Espanha.
Poucos meses depois desse golpe em Espanha, quando a situação política espanhola já
estava estabilizada, e aproveitando que o general inglês William Beresford não estava
em Portugal, mas sim no Brasil, o Sinédrio organizou então o seu próprio movimento
no Porto, no dia 24 de agosto de 1820.
Na madrugada de dia 24, grupos de militares dirigiram-se para o campo de Santo Ovídio
no Porto, formaram em parada, ouviram a missa e deram uma salva de 21 tiros que anunciou
o início da Revolução Liberal.
Não houve grande oposição a esta revolução, e às oito da manhã, os revolucionários
do Sinédrio reuniram-se na sede da Câmara Municipal do Porto e formaram aquilo que ficou
conhecido como a Junta Provisional do Governo Supremo do Reino.
Este movimento espalhou-se pelo país e um mês mais tarde, em setembro de 1820,
um golpe semelhante aconteceu em Lisboa, criando outra Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, na capital.
Estas duas Juntas Provisionais acabaram por se fundir numa só e procuraram legitimar
e consolidar o seu poder.
Começaram por enviar uma carta a D. João VI,
o rei de Portugal que estava no Brasil, assegurando-o da sua fidelidade, para
que este não sentisse que estava a ser traído.
Nessa carta explicavam também os motivos e os objetivos desta revolução e pediam
ao rei que voltasse para Portugal.
Outra coisa que fizeram foi impedir o desembarque do general inglês William Beresford em Lisboa,
quando este voltou do Brasil, obrigando-o a rumar para Inglaterra e impedindo assim
que este voltasse a tomar o poder em Portugal.
Em janeiro de 1821 deu-se então a primeira reunião das Cortes Constituintes,
que foram basicamente o primeiro parlamento português.
As Cortes Constituintes redigiram uma nova constituição, baseada nos valores liberais
da altura, e nesse mesmo ano a família real portuguesa e a sua corte voltaram do Brasil
para Portugal, tendo ficado apenas uma pessoa para trás:
D. Pedro de Alcântara, que ficou no Brasil na condição de Príncipe Regente.
D. Pedro de Alcântara viria a tornar-se D. Pedro I,
o primeiro imperador do Brasil, e mais tarde até D. Pedro IV de Portugal.
Mas isso é tema para um futuro episódio, daqui a 2 semanas, quando falarmos sobre
a independência do Brasil e sobre o Grito do Ipiranga.
Até lá, espero que tenham gostado do vídeo, e se quiserem pôr à prova o vosso português
e aprender um pouco mais sobre este momento da História de Portugal, sugiro que vejam
o episódio do programa Conta-me História que fala sobre este assunto, que se chama
“Transferência da Corte para o Brasil”.
O link está na descrição e boa semana!