A Independência do Brasil // Lição de História
Olá a todos e bem vindos de volta ao Portuguese With Leo!
Há 2 semanas falei-vos sobre um acontecimento histórico importante
em Portugal, que foi a Revolução Liberal de 1820. Se ainda não viram esse vídeo,
sugiro que o vão ver antes de verem este, o link está na descrição e aqui em cima.
No episódio sobre a Revolução Liberal vimos que a família portuguesa e toda a corte portuguesa
se mudaram para o Brasil em 1807, mais especificamente para o Rio de Janeiro,
para fugir às invasões napoleónicas. No episódio de hoje vamos ver o que
é que aconteceu no Brasil durante o tempo em que a família real portuguesa lá viveu,
que mudanças é que aconteceram que culminaram na independência do Brasil, a 7 de setembro
de 1822, que comemora esta semana 199 anos. Ora, com a mudança da corte portuguesa para o
Brasil em 1807, e com a incerteza de que Portugal conseguisse resistir às Invasões Napoleónicas,
o Brasil torna-se o centro do Império Português e Portugal perde importância o que faz com que haja
uma data de mudanças económicas, sociais e políticas que levam a que, em 1815,
D. João VI eleve o Brasil à condição de Reino. Ou seja, o Brasil deixa de ser uma colónia do
Reino de Portugal e passa a ser ele próprio um Reino. Um Reino unido ao Reino de Portugal
dentro do Império Português, mas ao mesmo nível que o reino de Portugal em
vez de estar subjugado a este, e a capital do império passa a ser o Rio de Janeiro.
A vida continua assim durante outros 5 anos, até que em 1820, se dá a Revolução Liberal
em Portugal, e no ano seguinte, 1821, a família real volta para Lisboa e Lisboa
volta a ser a capital do Império Português. Os reinos de Portugal e do Brasil continuam neste
regime de monarquia dual: 2 reinos governados por um só monarca, D. João VI, que deixa o seu
filho mais velho no Brasil a governar como príncipe regente, D. Pedro de Alcântara.
E é aqui que começa a crescer uma tensão entre Brasil e Portugal,
entre D. Pedro que estava a governar o Brasil e entre as Cortes Constituintes, em Portugal
que são basicamente o Parlamento português. Os membros das Cortes Constituintes não respeitam
D.Pedro e depois de 13 anos em que o Brasil era efetivamente o centro do Império Português,
querem voltar a trazer poder e importância para Portugal e por isso começam a pôr em
causa a soberania do Brasil e a tomar decisões que prejudicam o Brasil.
Primeiro, obrigam D. Pedro a demitir alguns dos seus ministros contra a sua vontade;
depois decretam que o território brasileiro passa a ser governado por D.João VI, e D. Pedro em
vez de ser regente do Brasil, passa a ser apenas governador do Rio de Janeiro; e finalmente, acabam
por exigir que D. Pedro volte para Portugal. No entanto, nesta altura D. Pedro já está farto
dos membros das Cortes Constituintes do parlamento português, e sente-se muito mais unido ao Brasil e
ao povo brasileiro, e portanto a sua resposta a esta exigência de que volte para Portugal
veio num jornal brasileiro em janeiro de 1822, e é a seguinte: "Como é para o bem de todos e para
a felicidade geral da nação, estou pronto: Diga ao povo que eu vou ficar". Ou seja, D.Pedro recusa-se
a ir para Portugal e decide ficar no Brasil. Isto ficaria conhecido como o Dia do Fico.
Depois desta declaração, toda a tensão que foi crescendo entre D. Pedro no Brasil e as
Cortes Constituintes em Portugal chegou ao seu auge, e o general português Jorge Avilez
iniciou um motim na cidade do Rio de Janeiro. Este motim é rapidamente subjugado pelas forças
de D. Pedro, que expulsa o general Avilez para Portugal e nomeia José Bonifácio,
que mais tarde viria a ser conhecido como o Patriarca da Independência, para o cargo de
ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros. Em resposta a isto, as Cortes Constituintes,
em Lisboa, procuram anular os poderes de José Bonifácio e opor-se à autoridade brasileira.
Mas é aqui, que temos então o momento mais famoso da independência brasileira, no dia 7 de setembro
de 1822, em que D. Pedro como resposta a esta tentativa de retirar o poder brasileiro grita
nas margens do rio Ipiranga, no estado de São Paulo: “Independência ou morte!”. Este momento
ficou conhecido como o “Grito do Ipiranga”. Na semana seguinte D. Pedro volta para o Rio de
Janeiro, onde é aclamado como imperador do Brasil no dia do seu aniversário, 12 de outubro de 1822.
No entanto, a separação oficial dos 2 países só se dá uns meses mais tarde, no dia 1 de dezembro
de 1822, quando D. Pedro é então coroado D. Pedro I, o primeiro imperador do Brasil.
Como devem imaginar, as coisas não ficaram por aqui, e Portugal tentou reconquistar o Brasil,
numa guerra que durou 2 anos e que foi combatida ao longo de vários pontos
da costa brasileira e até do Uruguai, que na altura fazia parte do Brasil.
Uma das figuras que mais se destacaram da Guerra da Independência do Brasil foi Maria Quitéria,
conhecida por muitos como a Joana D'Arc brasileira,
que se alistou no exército disfarçada de homem e que, mesmo depois de ter sido descoberta,
foi admitida nas tropas, e até lhe deram um uniforme especial com um saiote. Mais tarde,
ela até foi condecorada por D. Pedro com o grau de Cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro.
A Guerra da Independência acabou em 1823 e em 1825 Portugal finalmente reconheceu a Independência
do Brasil, com a assinatura do Tratado de Paz, Amizade e Aliança entre os 2 países.
Hoje em dia, a independência do Brasil é celebrada no dia 7 de setembro, também conhecido como o Dia
da Pátria, que é o dia do famoso Grito do Ipiranga: o momento em que D. Pedro decidiu
que o Brasil ia ser um país independente. Embora D. Pedro seja conhecido como D. Pedro
I no Brasil, em Portugal nós conhecemo-lo como D. Pedro IV, porque mais tarde, depois de tudo o que
ele fez no Brasil, D. Pedro veio para Portugal, foi coroado rei de Portugal e ainda combateu
na Guerra Civil Portuguesa, entre 1832 e 1834. Mas isso é tema para um futuro episódio. Até lá,
espero que tenham gostado do vídeo, e se gostaram, por favor ponham gosto
e comentem e subscrevam o canal se ainda não estiverem subscritos. Um abraço e boa semana.