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Portuguese With Leo (2021), 25 de Abril de 1974: A Revolução dos Cravos // História de Portugal

25 de Abril de 1974: A Revolução dos Cravos // História de Portugal

Olá a todos e bem vindos de volta ao Portuguese With Leo!

No domingo passado foi dia 25 de abril, que é um feriado muito importante em Portugal,

marca uma revolução, um acontecimento histórico do qual eu não consigo falar sozinho,

e por isso pedi ajuda ao meu amigo Miguel Brandão, que é um entusiasta de história, gosta muito de históia

e vai-me ajudar a explicar o que aconteceu nesse dia.

Antes de começar o episódio de hoje quero só dizer que este é um tema muito polémico em Portugal

e que neste episódio vamos limitar-nos a tentar explicar da forma mais imparcial possível

os factos relacionados com o 25 de Abril, o que é que aconteceu e as consequências

que isso teve para Portugal.

Então, conta-nos lá o que é que aconteceu no dia 25 de abril.

No dia 25 de abril o que aconteceu foi uma revolução.

Portanto, a 25 de abril de 1974, o regime ditatorial acabou, as pessoas foram à rua

e finalmente conseguiram festejar a liberdade.

Como é que era o regime em Portugal antes do 25 de Abril?

Antes de 25 de Abril, ou melhor, a partir de 1933, que foi quando aconteceu uma outra revolução

que fez com que Portugal ficasse um regime ditatorial de direita,

a partir desse momento as pessoas não tinham liberdade de expressão,

não podiam formar o partido político que quisessem, legalmente, e podiam ser presas por causa disso.

Ou seja, se tu não concordasses com certas coisas daquele regime, ias para a prisão.

E havia… há duas prisões que ficaram mais famosas, onde iam os prisioneiros políticos, que são...

Exatamente. Portanto, tens uma prisão em Peniche, muito perto aqui de Lisboa, e outra prisão,

que é muito conhecida, que era a Prisão do Tarrafal, que ficava numa ilha em Cabo Verde.

Cabo Verde, que era uma antiga colónia portuguesa.

E nessa altura, portanto, nesse regime ditatorial, Portugal não era apenas Portugal Continental,

as ilhas dos Açores e da Madeira.

Também tínhamos colónias, que eram Angola, Moçambique, Cabo Verde, onde ficava o Tarrafal,

e também Guiné-Bissau; e São Tomé e Príncipe, Goa, Damão, Diu, e Timor-Leste.

Exatamente. Muita, muita, muita terra.

Muita colónia.

E… bem, faltou-te foi dizer o nome do ditador, que eu acho que a maior parte das pessoas

já conhece, que nos estão a ver, que é… Ora, na verdade até houve 2 ditadores.

Um, que é o mais conhecido, que é Salazar, e outro, que vai ser aquele que foi deposto

durante o 25 de Abril, que foi Marcello Caetano.

Durante o regime de Salazar, que era muito nacionalista, havia esta grande necessidade

de mostrar que Portugal não só é uma grande potência, ainda, como é um grande império.

Exato.

Por isso é que ele dava tanta importância às colónias e queria tanto demonstrar que

Portugal era maior do que só a nossa terra aqui na Península Ibérica.

Portugal, para Salazar, era a área de todos os países que pertenciam às colónias de

Portugal somada com a área do próprio país Portugal.

Touché! Exatamente!

Era isso mesmo que Salazar defendia, foi isso que Salazar tentou defender, mesmo que isso

significasse uma guerra, que foi o que significou. Exato.

Porquê?

Porque todos os países europeus com colónias em África estavam a libertar as suas colónias

mas Portugal não, por causa desta teimosia de…

De querer dizer que era muito grande e que era uma grande potência.

Exato.

Mas por outro lado, Portugal não dava os mesmos direitos aos cidadãos das colónias,

ou pelo menos aos que não eram originários de Portugal, e muitas vezes os que não eram de raça branca.

E isto levou a uma guerra.

Isto levou a uma guerra, em que tínhamos vários movimentos de libertação em Angola,

Moçambique e em Guiné-Bissau, principalmente.

E a forma como o regime teve de responder a esse “ataque”, na ótica deles, foi

então mobilizar tropas e mobilizar imensas pessoas, cidadãos, para pegar nas suas armas

e para ir para Angola, Moçambique e para a Guiné-Bissau e lutar.

E foi uma guerra que começou em 1961 e que se prolongou até 1974.

Ou seja, 13 anos de guerra.

Exatamente, 13 anos de guerra.

Ainda hoje em dia há pessoas vivas que tiveram, infelizmente, oportunidade de participar nessas guerras,

e ainda hoje é possível ouvir histórias muito tristes sobre isso.

Pessoas que, felizmente, estão bem, mas só fisicamente.

Mentalmente sabemos que ainda têm memórias desses episódios traumáticos.

Eu próprio, na minha família, tenho um tio que lutou nessa guerra e tenho outro tio que,

infelizmente, desapareceu no contexto da independência das colónias portuguesas.

Das ex-colónias portuguesas.

Pronto, temos guerra, por um lado, o que deixa as pessoas descontentes.

Exato.

Temos um regime que não permite liberdade de expressão, não permite liberdade de associação,

não permite liberdade de pensamento, portanto um regime bastante opressor.

No futuro irei fazer um episódio mais focado em Salazar e no regime em si, e o que significou para Portugal.

Também trouxe coisas positivas em seu momento, mas nesta altura dos anos 70, finais dos anos 60 e anos 70,

já estava a trazer sobretudo coisas negativas, e até que as pessoas fartaram-se.

Sim, tudo tem o seu tempo em história, e não nos podemos esquecer de uma coisa,

que nós ainda hoje sofremos muito em Portugal, que com este regime as pessoas eram analfabetas e muito pobres.

Muito pobres mesmo.

E não é por acaso que há poucos anos atrás Portugal tinha das mais baixas taxas de escolarização

e das maiores taxas de analfabetismo na Europa, era exatamente por essas políticas que seguimos durante imenso tempo.

Então, o que é que aconteceu nessa revolução do 25 de Abril?

Nessa revolução, Leo, o que acontece é que os militares começam a ir para a rua,

de forma organizada, é claro, para derrubar o regime.

E a primeira coisa que eles fazem é: eles ocupam centros de comunicação,

primeiro ao som de várias músicas revolucionárias, como, por exemplo, E Depois do Adeus.

Eles tomam conta desses centros de comunicação de forma a parar qualquer possibilidade de

os militares leais ao regime poderem comunicar e poderem fazer uma contra-revolução.

Após isso, o que eles tentam fazer é cercar os membros do regime e cercar as pessoas do governo.

Portanto, acabar com qualquer forma de o regime poder reagir a esta revolução.

E o governo ficou de tal forma sem atuação, que se viu obrigado a refugiar no Quartel do Carmo,

que fica ao pé do muito famoso Convento do Carmo em Lisboa.

E foi no Quartel do Carmo que o Marcello Caetano, o líder do Estado Novo, o sucessor de Salazar,

se rendeu aos revolucionários nesse 25 de abril de 1974.

Uma coisa muito importante nesta revolução, e que nos deixa muito orgulhosos enquanto

portugueses, é que não houve praticamente mortes.

Sim, só houve duas ou três pessoas que infelizmente faleceram, porque houve pessoas que eram dessa

polícia do Estado, que dispararam… ... Dispararam sobre a multidão, e não foi

por ordem de Marcello Caetano, foi… foi por nervosismo, na altura da situação, dispararam sobre a multidão.

Mas fora isso não houve mortos, foi um golpe de estado pacífico, e por outro lado havia

uma florista ali perto que tinha muitos cravos, o cravo é uma flor vermelha, muito vermelha,

e as pessoas que estavam com os militares a assistir à revolução e a apoiar os militares

começaram a pegar em cravos e a colocá-los nas espingardas dos militares.

E portanto o cravo tornou-se o símbolo desta revolução, também conhecida como Revolução dos Cravos,

e a imagem que ficou da revolução é uma imagem de muito vermelho,

mas em vez de ser vermelho de sangue é vermelho de flores, dos cravos,

que é de certa forma uma imagem bonita.

Outra coisa que é vermelha é a famosa Ponte Salazar.

Ponte Salazar?

Que era, chamava-se Ponte Salazar quando foi construída e, nesse dia, os revolucionários

decidiram mudar-lhe o nome para Ponte 25 de Abril, como forma de mostrar que o regime tinha mudado.

A questão da mudança de nome é uma questão que ainda divide muitas pessoas, e portanto

ainda hoje em dia há quem lhe chame Ponte Salazar ou há quem se abstenha de dar um

ou outro nome e lhe chame simplesmente ponte sobre o Tejo.

Normalmente estas pessoas são pessoas mais velhas que viveram durante o tempo em que

a ponte se chamava Ponte Salazar.

A nossa geração, que sempre ouviu Ponte 25 de Abril, custa-nos imaginar outro nome.

Sim, a única coisa que eu posso dizer sobre essa ponte é, lá está, ponte sobre o Tejo,

mas na verdade agora há duas. Exatamente.

E é uma ponte muito famosa porque faz lembrar a Golden Gate de São Francisco.

Mas esta é mais bonita. Vamos dizer que sim, vamos dizer que sim…

Mas não basta uma revolução no dia 25 de Abril para as coisas mudarem de um dia para o outro.

Marcello Caetano foi exilado para o Brasil, durante uns tempos o governo ficou nas mãos

dos militares, mas isso também não pode durar muito tempo.

Que mudanças é que houve, o que é que aconteceu com as colónias, que se tornaram ex-colónias,

e como é que Portugal evoluiu depois desta revolução?

Depois desta revolução acho que houve 3 grandes temas que mudaram drasticamente em Portugal.

O primeiro foi a nível político, foi possível as pessoas juntarem-se, fazerem um partido

e concorrerem a eleições livremente.

Claro que esse processo não foi fácil, havia grandes pressões para que Portugal ficasse

um país comunista, não nos podemos esquecer… Ou seja, estávamos do lado da extrema direita, quase,

pode-se dizer, e quase que fomos para a extrema esquerda.

Exato.

Mas depois lá caminhámos para uma posição mais cêntrica.

Exato, em que havia liberdade de associação, liberdade de pensamento e que as pessoas eram

livres de fazer um partido de centro, esquerda, direita, extrema-esquerda, extrema-direita,

como ainda é possível, felizmente, hoje. Exatamente.

Outro tema que foi muito complicado após o 25 de Abril foi um tema social.

Como disseste bem, Leo, havia muitas colónias, nessas colónias havia muitos portugueses,

e após a independência dessas colónias, esses portugueses tiveram de voltar.

Ora, esses portugueses são os retornados.

Aqui também tenho uma história familiar, porque o meu pai cresceu em Angola,

sendo um cidadão português naquilo que era, quando ele cresceu, Portugal,

e que deixou de ser após o 25 de Abril.

E embora as colónias tenham sofrido injustiças às mãos de Portugal,

os portugueses que lá viviam não eram Salazar

a dar ordens e a tratar mal as pessoas que lá viviam.

No entanto, para os revolucionários em Angola, todos os portugueses eram maus,

e portanto essa questão dos retornados também foi dura

porque foi difícil para os portugueses que tinham crescido e criado as suas raízes em Angola

de repente verem-se obrigados a voltar para Portugal, deixarem tudo,

e tentarem sobreviver a essa mudança de regime

nos países que antigamente tinham sido colónias portuguesas.

Foi um acontecimento muito duro, disruptivo e que fez com que Portugal tivesse de um ano

para o outro mais de meio milhão de habitantes.

Exato, a mais.

A mais, portanto, não havia casas para as pessoas, foi um acontecimento social bastante disruptivo.

E agora, o problema económico a uma escala mais macro, do país.

Exato, portanto, temos que perceber que a perda das colónias foi um grande golpe para

um país que tinha colónias riquíssimas como Angola e Moçambique

e não é por acaso que essas colónias depois vão ter guerras civis, não é por acaso

e que do nada fica com o Portugal que quase toda a gente sempre, sempre teve,

que foi este cantinho na Península Ibérica. Exatamente.

E principalmente, qual é que é o grande problema?

É que, como eu já disse anteriormente, a população não tinha educação, era analfabeta,

e a nossa economia dependia de recursos, de matérias-primas.

Petróleo das ex-colónias; Madeira… … das ex-colónias...

… e assim adiante.

E isso vai criar então, nos primeiros anos após o 25 de Abril, grandes perdas económicas.

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