×

우리는 LingQ를 개선하기 위해서 쿠키를 사용합니다. 사이트를 방문함으로써 당신은 동의합니다 쿠키 정책.

image

Porta Dos Fundos 2020, TEOCRACIA EM VERTIGEM - ESPECIAL DE NATAL (1)

TEOCRACIA EM VERTIGEM - ESPECIAL DE NATAL (1)

O ano é 33.

A agitação nas ruas evidencia uma Jerusalém dividida,

polarizada.

A maioria da população,

incentivada pelo poderoso sacerdote Caifás,

prefere votar pela condenação de Cristo,

a do assassino Barrabás.

O governador romano Pôncio Pilatos comanda a votação

que acontece em frente ao seu palácio.

O que se seque é baseado em fatos reais e atuais.

Pela minha família, pela família tradicional jerusaleia!

Por Jeová, o pavor de Jó!

Pela memória do coronel Nabucodonosor!

-Tchau, querido! -Pelo fim dos falsos profeta!

César acima de tudo e Deus acima de todos!

Por Barrabás, eu voto sim!

Eu voto sim!

Não vai ter golpe!

Quanta honra o destino me reservou, de poder, da minha voz,

sair o grito de esperança pra milhões de hebreus!

Jesus! Jesus!

Pelo povo do Sudeste do baixo Jericó!

Pelo meu povo sofrido do Centro-Oeste da antiga Mesopotâmia

que agora faz fronteira com Jerusalém, vai até um pedacinho de Damasco,

eu digo sim pelo futuro de Barrabás!

Mito! Mito! Mito!

Que Deus tenha misericórdia dessa nação.

Eu voto sim.

Está autorizada a instauração de um processo de crucificação

do sr. Jesus Cristo de Nazaré.

Sr. Pôncio Pilatos, muito obrigado por presidir a sessão.

Eu sou israelita

Com muito orgulho Com muito amor

Dona Maria,

me conta do seu filho.

Eu nunca quis ter filho, não.

Mas aí aconteceu, né?

Eu amo ele mais que tudo nesse mundo.

Eu não era nem casada, e virgem, você imagine só.

Mas minha gravidez foi tranquila, enjoei pouco.

Aí dia 25 começaram as contrações.

Eu pedi uma doula, mas José falou: "Deixa que eu mesmo faço o parto".

Você imagine só.

Nunca viu nada aqui e já ia me ver toda desbeiçada.

Não sei se a senhora já viu parto de bezerro, não é bonito.

Não é bonito.

E foi invasivo, sabe?

Tinha um bando de bicho em volta,

era mosca pra tudo quanto é lado.

Mosca varejeira é abusada.

Pousou num lugar... que eu não tinha acesso.

A gente não precisa nem falar disso aqui.

Mas estava lá José, de frente para o meu Jardim do Éden,

falando: "Faz força! Faz força!".

Situação muito chata, né?

Eu tive a oportunidade de fazer o parto com o anjo Gabriel,

mas eu preferi o humanizado mesmo.

Enfim.

Jesus nasceu.

Aqui.

Bonito. Três quilos e trezentos.

Saudável, uma graça.

Sabia que o nome dele não ia ser Jesus?

Ia ser Maomé.

Aí eu falei: "Não. Maomé não..."

E falaram: "Yeshua". "Não, num..."

Jesus cabe na boca.

Ficou Jesus.

Aí aqui é onde eu vivo, né?

Pouca coisa mesmo, não preciso de muito.

Brinquei muito aqui, cara. Eu cresci aqui mesmo, né? Eu nasci ali.

Ali onde tá meu estagiário ali.

Dá um "oi" aqui pro documentário.

Amo Jesus, meu irmão, irmão que a vida me deu,

frequentou minha casa, minha mãe chama ele de filho.

Eu que botei o apelido dele de Zinho.

Que a gente chamava Jesus, Jesuszinho,

aí comecei a chamar de Zinho, o pessoal começou a chamar.

Aqui na rua é só Zinho mesmo.

Mas era muito chato, era muito difícil.

Ninguém aturava brincar com Jesus.

A gente ia brincar de esconde-esconde,

ele virava, contava até XX, quando ele saia,

ele já sabia que Luan tava em cima da árvore,

Joílson tava atrás do muro,

que Brenda tava atrás dele dando uma de malandra.

Não tinha graça nenhuma.

Pega-pega, ele saia correndo pro meio do lago,

ficava lá parado, em cima da água lá.

Quem que vai pular? Um frio do caralho aqui em Jerusalém, meu irmão.

Vai pular no meio da água pra pegar Jesus?

Aí depois voltava, falava: "Ganhei". "Ah, ganhou, Jesus,

mas a galera meteu o pé, e aí?". O que adianta?

Aquela de fazer sombra.

Você ia lá, fazia o cachorrinho, fazia o coelhinho, não sei o quê.

Jesus metia um hang loose, malandro,

você via o Jardim Suspenso da Babilônia animado!

Criança não entende, criança fica puta, não quer brincar.

Brincadeira de médico, desagradável, cara.

Jesus bonitão, todo mundo queria brincar com o cara.

A pessoa deitava lá, tirava a roupa, ele fazia tipo um heiki assim, já falava:

"Tá com ovário policístico

e você tá com um HPVzinho aqui de colo de útero".

A pessoa ia embora envergonhada, às vezes, chorando, cara.

Criança não entende essas coisas, cara.

Não entende mesmo, assim. Não tem como.

Gato-mia. Como você brinca de gato-mia com um cara que enxerga no escuro?

Ele chegava do teu ladinho assim, fazia só assim: "Miau".

Acabou.

Acabou a brincadeira.

Não tinha graça nenhuma. Não dava tempo.

Às vezes, você tava brincando com as primas...

você quer, pô, você quer encostar o bracinho aqui, menino, né?

Eu lembro como se fosse ontem.

A gente tava no Jardim 2, cara, devia ter uns 7 anos de idade.

Tinha o Jefferson, o moleque era bom de amarelinha, cara.

Ele lançava a pedrinha aqui por baixo, assim, ó.

Meteu pé: "Cheguei no Céu".

Jesus falou: "Não, eu que vou!".

Subiu que nem um pirocóptero, malandro.

Voltou e falou: "Fui lá do lado de Deus, tua vó tava lá..

Teu avô não tá lá, não. Parece que fez umas merdas em vida aí."

O moleque até hoje não fala.

Tem minha idade, não fala. Não fala uma palavra. Trauma.

A gente brincou muito de pique-pega americano aqui.

Pique-cola americano.

Eu ia muito ali no Monte das Oliveiras,

onde o menino Jesus pregava.

Mas eu confesso que, no começo, eu ia mais pra comer azeitona mesmo.

Nossa, eu amo aquelas pretas chilena gorda.

O caroço sai fácil.

De vez em quando, eu deitava no pé da oliveira e ficava vendo Jesus.

Nossa! Dava uma paz.

Uma paz mesmo.

Mas aí as oliveiras pararam de dar azeitona.

Aí eu passei a frequentar mais o Monte das Figueiras.

Mas secou tudo também.

Agora eu tenho que até ver outro rapaz aí pra eu ouvir.

Eu tô entre o moço que entoa cântico lá no laranjal,

e tem um senhor que lê poesia no Monte da Amora.

E amora já é bom porque dá pra fazer geleia.

Diz que o rapaz da laranja tá metido com milícia.

Vocês tão sabendo de alguma coisa?

Diz que ele e a família inteira. Todo mundo lá que tá...

Me disseram que Jesus curou a sua lepra.

Foi. Foi Jesus que curou a minha lepra, sim.

Eu já tinha até ido num messias

que tinha me dito pra eu ficar tranquilo que era só virose.

Mas Jesus logo se ligou.

Só que curou minha lepra e deixou minha diabetes só piorando.

Ele não é todo fodão?

Por que não me curou logo de tudo, de uma vez só?

A gente pede um milagre, a gente quer um milagre bem feito, né?

Um checkapão completo, eletro, cardio, hemoglobina.

"Ah, cura meu câncer de próstata?" "Curo."

"Mas o câncer de pâncreas você não falou nada."

Claro! Não sei nada de doença, não sou médico.

Eu desentupo fossa de terma de romano

e cato umas coisinhas por aí pra fazer minhas bijuterias.

Essa é a minha vida.

A lepra eu percebi porque, quando caiu a segunda orelha,

eu falei: "Uh-uh, isso não tá bom".

"Isso não é coincidência."

Mas a diabetes é uma doença sorrateira.

É silenciosa, não tem como saber, mas ele sabia.

Ele fez de propósito.

Fez. Fez de propósito. Ele me queria por perto, sabe?

Dependente dele.

Ele queria seguidor, né? Queria gado.

Mas eu não quis falar nada, porque fiquei morrendo de medo

de ele devolver minha lepra.

E eu gosto tanto de usar brinco.

Agora eu tô aqui, tendo que evitar açúcares

e vinho tinto, acredita?

Muito chato.

Tem alguma lembrança de infância que tenha te marcado mais?

Ah! Quando ele sumiu.

Tinha 12 anos.

Ficamos três dias procurando a peste e encontramos ele no templo.

José tava com um ódio...

Menina, sabe quando você...

Sabe aquela coisa de você abraçar batendo? Sabe como que é isso?

Uma mistura de amor e raiva, que fala com os dentes trancado:

"Você não some nunca mais!".

Batia assim no pulmão do garoto.

Uma bobeira, foi.

Mas Jesus naquela fase de adolescência, né?

Que quer confrontar.

"Eu não sei por que vocês estavam preocupados comigo.

Estava aqui no templo, o tempo todo, na casa do meu pai."

Como quem quer dizer: "Não, José, você não é o pai.

Quem é meu pai é Deus." Pra quê?

José só faltou jogar capoeira...

Hoje eu acho engraçado, mas na hora não foi, não.

Eu lembro dele falando: "É Deus que paga os boletos lá de casa?

É Deus que faz mesa de centro pra madame

pra você ter seus ábacos de última geração?".

Depois passou.

Messias cresceu,

virou mito.

Ele pregava aqui na montanha do lado da minha.

Moleque bom, nunca criou caso comigo, não.

Ele era maneiro, o que estragava era o fã-clube dele.

A galera fazia uma algazarra, fazia uma barulheira que não dava, não.

Era inteligente também, moleque bom, falava difícil.

Usava mesóclise, sabe? "Vós sois"... mas errava onde?

No amor.

O cara insistia no amor, e amor aqui não dá engajamento, não.

A rapaziada gosta de ver sangue, rapaz.

Gosta de ver osso saindo.

Sabe aquela chicotada que chega a abrir aquela beiça, hein?

Acerta o nervo.

Entendeu? Quando dá crucificação aqui, a galera chega, traz criança

pra fazer piquenique.

É o que a gente gosta.

Eu já sou mais o messias do enfrentamento também.

No estilo Moisés, tradicional, aquele que subia a montanha,

carregar pedra.

Tem quem cair pra dentro, tem que cortar prepúcio.

A galera gosta de quê? De messias no estádio,

torcendo pra gladiador, xingando a mãe de Golias,

cantando o hino, tem que ser assim, meu irmão.

Por isso que eu proponho a volta do quê? Da punição com curra de jegue.

Porque tem uma hora...

Caraca!

Tá tudo bem?

-Tá vendo aí? -Precisa de alguma coisa...?

Isso aqui é fã meus. Me ama.

Taca outra, filha da puta!

Eita! Porra!

-Meu... -É isso mesmo. Foda-se.

Olha só, esse negócio que no meu casamento

ele transformou água em vinho, isso não existe.

Tinha vinho, sim, senhora!

A festa tava regada!

É que Maria futriqueira, invejosa, quis fazer uma intriguinha,

porque meu casamento foi muito melhor do que o dela,

que casou por interesse, porque tava embuchada,

que todo mundo sabe e comenta.

Ela quis diminuir minha festança

e veio com essa história de que não tinha bebida suficiente.

Tinha, sim!

Eu tô aqui com o orçamento do buffet, e vou mostrar!

Tinha vinho, sim, tinha champanhe, sim,

tinha destilados variados, tinha gin.

Tinha sakerinha de lichia, meu amor.

Sobrou.

Sobrou!

Tô com garrafa de vinho guardada até hoje.

Que história é essa? Tá pensando o quê?

"Ai, porque Jesus quer te ajudar."

Quer me ajudar? Varre minha casa, rega minhas plantas,

mas não me vem com esmolinha de vinho tinto, não,

que eu não estou precisando!

Quer dar vinho? Dá pros apóstolos dele aí,

que, aliás, apareceram na festa

e não foram convidados.

E levaram bem casado socadinho nos bolsos das mantas, que eu vi!

Mas não falei nada, né? Porque aqui é fartura.

A verdade é que Jesus vivia numa bolha, né?

Ele vivia numa bolha ali.

A gente, vou fazer um "mea culpa" aqui também,

enquanto amigo e parte do staff,

a gente que é do staff ali, a gente blindava muito o cara.

A gente não deixava chegar notícia ruim pra ele.

Então ele ficava naquele mundo da Lua dele ali, sabe?

Ele não sabia, por exemplo, que tinha muita gente aqui

mal-intencionada de fazer uma maldade com ele.

E eu falava, eu chamava Jesus no canto e falava: "Jesus, abre teu olho.

Nem Abraão agradou todo mundo, cara."

Me fala um pouquinho da sua relação com Jesus.

Bom, eu vivi muito tempo com Jesus, né...

Ô! Ô! Ô! Não pode falar de Jesus aqui, não, hein?

-Peraí! Peraí que estamos... -Que isso?

Fez um ótimo trabalho ele, não fala, não.

-Não pode falar, não. -Que isso, gente?

Learn languages from TV shows, movies, news, articles and more! Try LingQ for FREE