PAPINHO
Ai, vou dar uma circulada, hein?
-Tem vários boyzinhos interessantes. -Vai, vai. Veio pra isso, né?
Vai se dar bem. Aproveita, aproveita...
Opa!
-Oi. -Estou de olhando há um tempão ali
-criei coragem e vou te perguntar. -Ah, é?
Vem cá, teu pai é padeiro?
-É. -Porque... Oi?
É, meu pai é padeiro.
Ele tem uma rede de padaria de luxo na Barra da Tijuca.
A gente faz pão artesanal.
-Ih, caraca. -Você está querendo emprego?
Porque, se quiser, essa semana ele está abrindo uma filial
-no condomínio do Romário, então... -Não, não é não.
Perguntei por curiosidade mesmo.
Que coincidência...
Posso te fazer outra pergunta? Tua mãe é costureira?
Não, mas está costurando pra poder diminuir a pena na prisão.
-Ah, está presa, ela? -Ela era palhaço da alegria
no Hospital do Câncer, sabe?
Mas acho que aquilo mexeu tanto com ela
que primeiro ela entrou em depressão,
depois a gente teve que internar no manicômio.
No manicômio, ela se desentendeu
com a ex-mulher do chefe do Comando Vermelho,
-matou a mulher a facada. -Eita.
Mãe, né?
-A minha era super impulsiva. -Eita...
-Tem mãe que às vezes... -É, pois é...
Caraca.
Tu come rato?
-Já comi. -Porque tu é uma gata.
-Tu já comeu? Ô, nojo. -É, eu fui fazer
um trabalho voluntário em Uganda.
Bem na época que estourou a Guerra Civil. Aí lá,
-primeiro a gente ficou sem água... -Eu vou ao banheiro.
E aí, amiga, pegou alguém?
Porra nenhuma, né?
Esses homens de hoje em dia só querem fazer networking.
Valeu.
-Bora meter? -Bora.
Está sentindo cheiro de tinta, amigo?
Estou não.
Porque está pintando o maior clima.
-Vamos embora, irmão. -Vamos embora, gatinho.
Quanto tu calça?