VIDA LOKA
Que isso, cara?
-Ai, gente, vocês não sabem. -O quê que houve?
Descobri que minha namorada estava me traindo.
-Descobri essa porra ontem. -A Carol? Não acredito!
-Como é que foi isso? -A filha da puta
estava dando há mais de um ano para o maluco lá!
Mas eu não deixei essa porra barato, não, tá?
-O quê que você fez? -Ó, você não fez merda, não,
hein, Nando? Pelo amor de Deus.
Vocês estão ligados que eu sou meio maluco, não está?
Sabe o quê que eu fiz? Cheguei, meu irmão,
primeiro bar que eu parei, cheguei pro cara e falei:
"Irmão! Dá Coca-Cola aí, porra!"
-E daí? -E daí que a Carol odiava
quando eu tomava Coca-Cola. Ficava puta, meu irmão!
Mas Carol está comigo? Não está. Então foda-se!
-Tou! Tomei, meu irmão. -Só?
Só? Porra, está pensando que eu sou otário?
Tomei a Coca-Cola toda de gole em gole!
Rapidão, pou, pou, pou!
-Tá, e aí? -E daí que acabou a Coca, porra.
-Só? -Gente, porra,
vocês não me conhecem, não, porra?
Cheguei pro cara do bar, falei: "Aí, tiozinho!
Me dá outra aí!" O tiozinho: "Outra?" Falei: "Outra, porra!"
Fui e tomei, irmão! Gole em gole!
Tou, tou, tou, foda-se! Tomei essa porra!
-Sim, e depois? -Depois perguntei: "Aí, irmão.
-Tem cachaça aí?" -Para. Você bebeu?
Pô, tu não é de beber cachaça...
Aí ele falou: "Pô, a gente tem cachaça sim. Quer?"
Aí eu falei: "Não, não quero, não, irmão. Só curiosidade.
Só queria saber, tal, me dá uma Coca-Cola."
Nisso que eu estava bebendo, estava ficando doidão, já, de Coca.
Sabe o que eu fiz, irmão? Fui na casa dela, compadre!
-Mentira. -Fiquei lá mais de três horas, assim,
olhando na janela dela, só esperando.
Pensando o quê que eu ia fazer. Três horas.
-Sabe o quê que eu fiz? -Foi pra casa?
Toquei o interfone dela, porra! E ela, nada. Não estava em casa.
Eu falei: "Ah, quer saber?" Toquei o interfone
a madrugada inteira, meu irmão! Fiquei lá, só com o dedão lá.
Até acabar a bateria daquela porra!
Calma aí, acabou... Acabou a bateria do interfone?
Não, não acabou a bateria porque não era de bateria, né?
Estava ligado na energia do prédio, aí...
-Tá, aí você foi pra casa. -Que voltei pra casa!
Os dois chegaram lá, abraçadão, os dois lá...
-E o que você fez? -Me escondi, porra! Sou malandro!
Pum, me escondi, e os dois lá como?
Os dois mó otário, lá, se beijando,
mão aquilo, aquilo na mão, achando que eu não estava vendo!
Estava olhando a porra toda, meu irmão!
Aí começou a me dar um enjoo, negócio da Coca-Cola que eu tomei pra caralho.
-Dei maior arrotão lá. -E daí?
Daí que eles viram, tive que sair correndo, irmão.
Saí correndo, passou um carro, meu irmão.
Chapuletou em mim, voei!
Caí todo quebrado no chão, meu irmão, eu falei: "Foda-se".
Mas o otário, ficou como lá, aquele otário?
Com mó arrotão, meu, maior cheirão de arroto,
eu falei: "Otário! Fica com cheiro de arroto aí, seu otário!"
Tou! Foda-se, irmão! Foda-se!
Sou maluco mesmo, porra!
Alô? É da pizzaria?
Com quem que eu estou falando?
É Carol? Ah, desculpa, foi engano!
Vou tentar outra agora!
Alô? Tudo bem? É da pizzaria?
Queria uma pizza de calabresa.