GAROTO DO SINAL
Ô, meu Deus do Céu...
-Dá um emprego aí, tio! -Eu não tenho, não.
Pô, vê um empreguinho aí, tio. Tenho 15 anos de experiência.
-Sou formado em Engenharia na UERJ! -Eu não sou daqui, não, tá bom?
Eu fiz MBA em Gestão de Petróleo, pessoal!
Fiquei lá fora, é muito legal. Falo inglês fluente.
-Não tem um empreguinho, não? -Eu não tenho nada mesmo, cara.
Agora tu me pegou desprevenido. Tá?
Pode ser uma indicação, qualquer coisa...
Ô, meu querido. Acabei de dar o único freela que eu tinha
pro parceiro teu arquiteto, cara. Eu tô zerado aqui.
Ô, não dá para ser uma ligaçãozinha para alguém, não?
Um amigo que trabalha na Petrobras, alguma subsidiária...
Eu não tenho nada, cara, tenho nada mesmo.
Eu posso ser analista júnior, o que for.
-Não, cara, eu não quero. -Sem problema.
Não tem não? Tá, então, só segura aí rapidinho. Aqui, ó.
Tem um currículo aqui que eu imprimi em papel couché.
Pode ficar, aqui, ó. Um pra você, fica um pra você também.
Ô, sai! Tá invadindo aqui! Não pega isso.
Pode ficar sem compromisso, amigo. Fica sem compromisso!
Depois você lê em casa!
Olha esse cheiro aqui, gente! Eu não quero, tá?
Tá. Só pro senhor ver que eu não estava mentindo.
Trabalhei 5 anos aqui na Halliburton,
sub-gerente lá. Inglês fluente, domino Excel...
Está bom. Bonito, muito bonito.
Tem carta de recomendação e o caramba.
Legal, tá? Tá, vai pra lá. Vai ali, pra lá.
Só... Deixa só mostrar então uma coisa que eu sei fazer?
Ô, meu Deus do Céu...
Está vendo, Fernanda? Você vai dar ideia pra esses caras, olha aí.
Ah, aí, olha lá. Ah, legal! Ele podia estar trabalhando em circo!
Você é bom, cara!
Peraí, deixa eu ver se eu tenho alguma coisa aqui, peraí.
Bom, tem... Ah, tem aquela coxinha que você não quis mais!
-Ah, sim. Você aceita? -Eu sou vegano.
-Eu queria só um emprego mesmo... -Ah, porra!
A gente quer dar comida, vocês recusam!
Aí fica difícil, né, irmão? Porra.