BUSCA DE ENTORPECENTES
Oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh!
-Boa noite. -Boa noite.
Essa aqui é uma blitz de entorpecentes.
O senhor permite que a gente reviste o seu carro?
Com certeza, senhor. Com certeza.
-Boa noite. -Tem maconha aí?
-Não, senhor. -Tem muita cara de maconheiro.
Não, tenho não.
Maconheiro que fica rindo quando não é para rir, sabe?
-Não, não uso, não. -Não usa, né?
Peçanha, olha o que eu encontrei aqui atrás.
Ih, olha só o que tinha na gaiola desse curió, rapaz.
Isso aqui tu não está usando para esconder maconha, não, né?
Não, que isso. Eu não uso maconha, não. Não é isso, não.
Isso é arminha, que eu deixo aí para matar os outros.
-Parece cachimbo isso aqui, hein? -Vê se tem maconha escondida
-no cano, aí, Mesquita. -Não tem, não.
-A gente já viu cada coisa aqui, ó. -Eu imagino.
Polícia deve ver um monte de coisas aqui.
Pelo amor de Deus. Não uso disso, não.
Essa maleta aí, curió?
-É dinheiro, com certeza. -Não é maconha?
Não, não uso!
Então abre a maleta aí, curió. Para a gente ver esse "dinheiro".
-Sim, senhor. -Esse dinheiro verde,
que o curió planta...
-Não. -Ele fuma, e fica com aquela...
boca seca, aquele olho vermelho.
-Abre a mala, maconheiro! -Peraí, senhor!
Eu não uso droga nenhuma, não, juro para você, olha!
É dólar aí, é franco, nem sabia que tinha, é real, tem euro...
Tu enrola essa porra para cheirar cocaína?
Que tem maconheiro que gosta de cocaína.
Não, Deus me livre, senhor.
Isso é prostituição, isso é álcool e churrasco com os amigos.
-Aham. Entendi. -Não uso drogas, não.
-E o carro está sem placa por quê? -É porque é roubado.
-Ah, é roubado. -É roubado, roubado.
Entendi.
Tu não vendeu essa porra dessa placa
para comprar maconha, não, hein, ô maconha?
-Não, senhor! -Que tu tem cara de maconheiro!
Cara de tecladista de Los Hermanos!
Toca uma flauta no "Móvel Colonial de Aracaju"?
Na Lapa, não é isso, não?
-Ih, Peçanha! -Que é?
Encontrei um negócio aqui no porta-malas.
-Olha só... -Aí, ó. Tsc, tsc, tsc...
Está parecendo muitos quilos de maconha, isso aí, hein?
-Isso é maconha, curió? -Não, não.
Não uso maconha, não, senhor. Não é maconha, não.
-Tira aí, Mesquita. -Caralho, bagulho pesado, hein?
Com certeza não é maconha não, senhor. Não é maconha.
Não uso nenhum tóxico, como eu falei para o senhor.
-Não é maconha, não, Peçanha. Aí. -É maconheiro, porra!
-Tu conhece ele? -Não, não conheço.
Estacionei meu carro ali, ó.
E aí isso aí estava aí dentro, agora, que vocês viram.
Ô, vagabundo. Está fumadão, hein, Peçanha?
Vagabundo foi fumar maconha na mala do carro do cidadão. Tu viu isso?
-É. Acontece muito aqui nessa área. -Está liberado.
Muito obrigado, viu, chefe? Obrigado mesmo, maior respeito.
Olha o cheiro.
-Cheiro sabe de quê? -É o quê?
Isso é Humanas UFRJ, aí, ó.
Já viu na meia dele?
Epa! Olha só o que eu achei aqui, Peçanha!
Olha aí! Né, maconheiro?
Maconha da boa. Está difícil de achar maconha boa dessas, hein?
Está fingindo que está dormindo.
Dormindo de olho aberto, tu é burrão, hein?
Otário!
Aí, passa para cá. Sou teu superior, vai.
Calma aí, Peçanha.
Quem apreende que fuma primeiro. Tu que me ensinou essa porra.