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Diogo Elzinga, Por que o ACRE é o MELHOR ESTADO do Brasil?

Por que o ACRE é o MELHOR ESTADO do Brasil?

Oi pessoas, Elzinga aqui.

E hoje eu vou te provar que o Acre existe e te dar todos os motivos pra acreditar que

esse é o melhor e mais singular Estado do Brasil.

Hino do Acre.

Bem, pessoas. O Acre é o Acre né. O Estado número 1 dos memes brasileiros. Um lugar

ímpar que todo mundo zoa e no fim nunca visitou e muito menos pesquisou no Google sobre o

que realmente é. Mas hoje a curiosidade chega ao fim junto com muita coisa que você não

aprendeu na escola.

Bem, a gente sabe, o Acre é aquele Estado lá do norte, no cantinho do Brasil, que faz

divisa com o Amazonas, Rondônia, a Bolívia e o Peru. Mas o que talvez seja novidade é

que o Acre tem pouco menos de 900 mil habitantes e apenas 22 municípios, sendo que pouco menos

de 50% da população fica na capital Rio Branco, e que tem um fuso horário atrasado

em 2 horas com relação ao horário de Brasília. E é aí que começam os memes.

O Acre também é o Estado mais distante de qualquer tipo de litoral e de qualquer tipo

de centro econômico, tem a cidade mais a oeste do país: Mâncio Lima, e ainda é o

último Estado a ver o nascer do sol no Brasil e o último a ver o pôr do sol, junto com

um pedaço do Amazonas. Aqui os memes só se intensificam.

É um Estado quente e úmido, tem a quinta menor taxa de urbanização do Brasil, tem

a população composta por 2,4% de habitantes indígenas, estes que ocupam quase 15% de

todo o território do Estado, e tem sua economia baseada principalmente no extrativismo, com

destaque pra borracha, pra exploração madeireira e pra castanha, sendo um dos maiores produtores

da semente do Brasil. Aliás, sobre a borracha, o Acre é o único lugar do mundo a utilizar

o látex nativo na produção de preservativos, então essa é uma indústria muito forte

por lá.

E pra galera que liga o Acre a dinossauros, até dá pra entender, já que sempre foi

uma terra de difícil acesso, mas em 2021 as coisas começaram a tomar outro rumo, quando

foi inaugurada a Ponte do Abunã, e agora, finalmente, o Estado do Acre foi interligado

à malha rodoviária do Brasil. Mas apesar disso, ainda existem 4 cidades que, durante

as épocas de seca, só são acessadas por pequenos aviões: Jordão, Marechal Thaumaturgo,

Porto Walter e Santa Rosa do Purus.

O Acre também é um Estado que tem se destacado em alguns números, como a 4ª melhor taxa

de crescimento do PIB, dentre os Estados brasileiros, em 2014. Também 9º lugar nos anos iniciais

do ensino fundamental na rede pública e 6º nos anos finais. Cresceu 28% no IDH nos últimos

10 anos. E é o único Estado do nosso país que lutou pra ser brasileiro, contrário de

todos os movimentos separatistas. E aqui cabe uma história bem rápida desse pedaço de

terras longínquas.

No final do século 19 a região do Acre pertencia à Bolívia, mas como o país não dava bola

pra região, uma galera brasileira, principalmente vinda do nordeste, resolveu ir pra lá explorar

os recursos naturais. Nessa época a indústria crescia no mundo, e por conta disso começaram

a implantar seringais na região do Acre pra produção da borracha. Foi muita gente pra

lá, principalmente depois da grande seca nordestina de 1877, e com isso muitos nativos

da região foram expulsos e mortos. Pra se ter uma ideia, antes da invasão do território

viviam aproximadamente 150 mil indígenas na região; hoje são nem 20 mil.

Só que tantos brasileiros em terras bolivianas gerou conflito, óbvio, então a Bolívia

e o Brasil acabaram criando a Linha Cunha Gomes, em 1898, pra demarcar o que era de

quem. Depois disso, a Bolívia fundou uma cidade chamada Puerto Alonzo, que atualmente

se chama Porto Acre, pra cobrar impostos da produção da borracha. Os brasileiros ficaram

full pistola, organizaram um movimento e expulsaram os bolivianos do território.

E aí entra a tal da Revolução Acreana. De repente a Bolívia, o Brasil e até o Peru

queriam esse pedaço de terra. A peleja durou uns 4 anos, até que em 6 de agosto 1902 um

gaúcho chamado Plácido de Castro iniciou a última tentativa de tornar o Acre independente,

e foi lá que ele soltou sua célebre frase: “Não é festa, é Revolução!”. Detalhe,

ele havia lutado na Revolução Federalista do Rio Grande do Sul alguns anos antes e estava

lá medindo terras aleatoriamente.

Então, em 1903 os combates terminaram depois que o Ministro das Relações Exteriores,

o Barão do Rio Branco, fez algumas negociações, pagaram 2 milhões de libras esterlinas, algo

em torno de 1 bilhão de reais hoje, o Tratado de Petrópolis foi assinado e o Acre passou

a ser reconhecido como território brasileiro, mesmo que tenha virado Estado só em 1962.

E se você gosta de curiosidades, certamente esse vídeo todo é uma grande curiosidade

pra muita gente, mas existem ainda mais algumas bem interessantes a serem comentadas aqui.

Você sabia que a expressão “à beça”, que é atribuída a enormes quantidades vem

de uma discussão entre Rui Barbosa e Gumersindo Bessa com relação ao território do Acre?

O tal do Gumersindo Bessa usou tantos argumentos pra defender a independência do Estado que,

um belo dia, o presidente Rodrigues Alves utilizou o sobrenome do rapaz como uma expressão

pra admirar a eloquência de um cidadão. Ele disse “O senhor tem argumentos à Bessa”.

Aí depois o negócio pegou, só a palavra foi remodelada mais pra frente.

O Acre também é a região brasileira onde mais ocorrem terremotos, mesmo que fracos,

justamente por estar mais próximo à borda da Placa Tectônica de Nazca com a Sul-Americana

que juntas formam a Cordilheira dos Andes. E aqui a Cláudia Leitte errou feio na música,

porque no Brasil tem terremoto sim. Em 2015, por exemplo, dos 17 que ocorreram no país,

13 foram só na cidade de Tarauacá no Acre. Mas calma o coração porque o negócio não

é tão intenso como a gente vê na TV. Na realidade esses abalos ocorrem a mais de 100

quilômetros de profundidade.

O Acre também é um Estado com mais de 300 sítios arqueológicos cheios de geoglifos

que comprovam a ocupação indígena milenar do território e que formam diversas figuras

geométricas dos mais variados tipos. Também tem uma gastronomia com forte influência

boliviana, peruana, indígena, libanesa, portuguesa e brasileira com pratos incríveis como o

quibe de macaxeira, também carne de sol com pirarucu, rabada, pato no tucupi, tacacá,

mingau de banana, mingau de tapioca, baixaria (com cuscuz, carne moída, ovo e vinagrete)

e saltenha acreana.

E você sabe o que significa Acre? Se procurar no dicionário provavelmente vai achar algo

relacionado a alguma unidade de medida de área, mas dizem os estudiosos que o Estado

do Acre tem esse nome de uma palavra derivada dos apurinãs que habitavam a região e quer

dizer algo como “rio dos jacarés”. Aliás, quem nasce no Acre é acreano, simples assim,

mas desde o último acordo ortográfico há quem diga que o correto é acriano. Por via das dúvidas diga sempre “moradores do Acre”. E você já ouviu falar na Ayahuasca? Os índios yawanawás conhecem como “uni” e alguns

cultos religiosos não indígenas como Santo Daime. A Ayahuasca é uma mistura de um cipó

chamado mariri com as folhas de uma planta chamada chacrona que resulta numa bebida que

causa alucinações e que se espalhou por todo o mundo. Até hoje muitos estrangeiros

e também brasileiros procuram a região do Acre pra participar dos rituais que utilizam

a mistura. O Alok é uma dessas pessoas, tem até um vídeo dele experimentando isso e

relatando a experiência. Estima-se que a Ayahuasca seja consumida por mais de 70 grupos

indígenas na Amazônia e que exista há mais de 5 mil anos.

O Acre também é berço de alguns nomes conhecidos como Enéas Carneiro, Marina Silva, Chico

Mendes, Glória Perez, João Donato, e o mais famoso de todos: Bruno de Melo Silva Borges,

o Menino do Acre, que em 2017 sumiu por 5 meses, deixou o quarto cheio de mensagens

codificadas e ganhou os noticiários do Brasil inteiro. O rapaz despertou a curiosidade de

todo mundo, virou fonte de memes e quando apareceu disse que se isolou pra encontrar

a verdade dentro de si. Certo que tomou Ayahuasca.

Bem, como essa introdução tá ficando mais comprida que cuspe de bêbado, vamos virar

a página e ir direto para os atrativos do Acre pra você se convencer de vez que esse

é o melhor estado do Brasil. Lembrando apenas que essa série de vídeos busca mostrar o

que cada Estado tem de melhor e de singular para oferecer. Então, sem bairrismos, ok?!

Bem, primeiro é importante falar que, ao contrário de grandes destinos turísticos,

o Acre tem pouca infraestrutura pra receber turistas. É um Estado bastante ligado ao

ecoturismo, à História do Brasil e à cultura regional. Pense no Acre como um refúgio em

meio à natureza, um lugar para ter experiências únicas em meio à cultura e aos festivais

indígenas, para andar sobre as árvores, voar de balão sobre a Amazônia e, acima

de tudo, viver algo completamente diferente do que você já viu na vida.

Começando pela capital Rio Branco, essa, como você deve imaginar, é a cidade mais

urbanizada do Estado inteiro, e é por lá que passa a Estrada do Pacífico que liga

a região noroeste do Brasil com o litoral sul do Peru.

Alguns destaques da capital são as diversas praias fluviais. Também o Calçadão da Gameleira,

a primeira rua de Rio Branco. O Palácio Rio Branco, antiga sede do governo, inspirado

na arquitetura grega e que hoje é um museu dos povos acreanos. O Parque Ambiental Chico

Mendes, o maior parque natural da cidade. O Parque da Maternidade, muito popular entre

os habitantes. A Biblioteca da Floresta. O Novo Mercado Velho, com um nome um pouco curioso

e cheio de ervas medicinais, artesanato e artigos religiosos.

A Catedral Nossa Senhora de Nazaré. A Passarela Governador Joaquim Macedo, o cartão postal

de Rio Branco. O Parque Capitão Ciríaco, popular “museu seringal”, e único seringal

urbano do mundo. E também o Museu de Paleontologia da Universidade Federal do Acre cheio de fósseis

de dinossauros. E esse assunto também dá margem para mais um meme.

Saindo da capital, na cidade de Cruzeiro do Sul, a segunda mais populosa do Acre, é onde

encontramos construções históricas do ciclo da borracha, praias fluviais de areias claras,

vegetação selvagem e, claro, a famosa farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul, um patrimônio

cultural do Acre.

Alguns destaques da cidade são a Ponte da União, a única do Acre projetada pra resistir

a abalos sísmicos. O Aeroporto de Cruzeiro do Sul que lembra muito uma oca indígena.

A Comunidade do Rio Croa que vive num lugar fantástico, que é adepta ao uso da ayahuasca

e que atrai muitos curiosos. O próprio Rio Croa que, durante as chuvas de verão, é

invadido por uma planta aquática chamada de pasta e que forma uma espécie de tapete

verde pelas águas, assim como as Vitórias-Régias que fazem parte do folclore brasileiro.

Ainda a Catedral Nossa Senhora da Glória em estilo germânico. O Igarapé Preto, perfeito

para dar um “tibum” durante o dia. O Instituto Santa Terezinha e também o Cais do Porto,

tombado como Patrimônio Histórico do Acre.

E logo ali em Cruzeiro do Sul existe um lugar chamado Parque Nacional da Serra do Divisor,

que tenho certeza que você nunca ouviu falar. É uma unidade de conservação e proteção

da natureza que tem, simplesmente, a parte mais diversa em biodiversidade da Floresta

Amazônica, logo, do mundo todo. O Parque abrange ainda um território do Peru e as

cidades acreanas de Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves e Mâncio Lima,

por onde é feito o acesso. Uma curiosidade, nesse parque é onde se encontra uma tal de

fruta-ovo muito curiosa.

Em Xapuri, o berço da Revolução Acreana e símbolo do Movimento Ambientalista Mundial,

encontramos uma cidade histórica e o lugar onde nasceu e morreu o famoso seringueiro

Chico Mendes. Por lá existe um circuito chamado Passo de Chico Mendes que conta toda a história

dos conflitos na região e passa pela Casa de Chico Mendes, tombada pelo Iphan em 2011,

também pelo Centro de Memória Chico Mendes.

Ainda o Seringal Cachoeira, palco do movimento de resistência dos povos da floresta contra

o desmatamento da região. Também a Igreja São Sebastião, que encanta os turistas.

A Reserva Extrativista Chico Mendes.

E aí, tá gostando do Acre né?! Tenho certeza que você tá descobrindo muita coisa nova.

Comenta aí, e se já conhece o Acre utilize a #MinhaFotoNoElzinga quando publicar algo

nas redes sociais e vamos provar ao mundo que o Acre existe sim. E se tu gostou da minha

camiseta, vai na descrição, entra na minha loja e leve a sua hoje mesmo.

Continuando. Em Manoel Urbano é possível visitar a área de proteção do Parque Chandless

que atrai muitos observadores de aves. Em Assis Brasil, uma cidade na tríplice fronteira

do Brasil com a Bolívia e o Peru, é um lugar perfeito para observar o Rio Acre e a desembocadura

do Igarapé Javari. Com alguns destaques extras como o Marco Rondon,

que marca a fronteira com a Bolívia. E ainda a Fronteira Trinacional.

Em Senador Guiomard, a “terra do amendoim” é onde fica o Sítio Arqueológico Jacó

Sá que atrai inúmeros turistas que chegam para observar os famosos geoglifos. Em Feijó

o grande destaque é o Festival do Açaí que rola todos os anos no mês de agosto e

que é considerado o melhor do Brasil por inúmeros críticos. Em Tarauacá é onde

se produz os incríveis abacaxis gigantes e também é o lugar de onde, em 2006, o Globo

Repórter exibiu uma reportagem da série “Riquezas Amazônicas” falando sobre uma

combinação de ervas que fazia crescer cabelo em careca.

Em Brasileia, na divisa com a Bolívia, é onde encontramos uma certa infraestrutura

hoteleira e restaurantes que atendem turistas da região da zona franca de Cobija na Bolívia

e onde fica o Igarapé Bahia, um famoso ponto turístico da região. E em Porto Acre, o

destaque fica pro Seringal Bom Destino, o grande exportador de látex da Amazônia e

que funcionou como um quartel general pros brasileiros que lutaram na Revolução Acreana.

E como eu falei antes, o Acre é um lugar perfeito para viver experiências, e talvez

as mais marcantes sejam durante os famosos festivais indígenas. Por lá, é possível

visitar inúmeras aldeias e se encantar com a cultura e o zelo com a natureza que esses

povos têm. Alguns bons exemplos de festivais são o Xinã Bena na cidade de Jordão. O

Retiro Espiritual Nukini próximo a Mâncio Lima. O Retiro Espiritual Shanenawa em Feijó.

O Festival Mariri com os índios Yawanawá em Tarauacá. E o próprio Festival Yawanawá

que também fica em Tarauacá. E eu só vou parar de falar desses festivais agora porque

realmente eu não consegui ler nenhuma palavra indígena… essas foram as mais fáceis.

Então gente, deu por hoje. Era isso. Espero que o título do vídeo tenha sido respondido.

De qualquer forma, tenho certeza que alguma coisa nova você aprendeu e que agora você

sabe que o Acre realmente existe. Maísa: “Acre… que Estado que é Acre?”

Aliás, não achamos quase nada sobre dinossauros na pesquisa, então “chupa” resto do Brasil.

Mentira, achei esse cara que se fantasia de dinossauro e se chama Dino Acre e tá fazendo

um baita sucesso lá pra aquelas bandas. Muito bom.

E se gostou do vídeo passe ele adiante. Se não gostou, nem sei porque assistiu até

aqui.

Um beijo nas suas tetas com todo o respeito do mundo, e até a próxima. Tchau!

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