PURPURINA
Michel...
É mais grave do que eu estava imaginando, viu?
Ah! Não fala isso, doutor!
Fica paradinho pra mim, fica.
Você tá assim há quanto tempo, hein?
Já faz uns dois anos...
É...
Não sei o que eu posso fazer por você aqui não, viu?
A gente não pode nem operar, doutor?
É muita purpurina, Michel.
Eu sei, doutor...
Eu já tomei muito banho, sabe?
Eu estou esfregando até com aquela parte verde da esponja, mas não sai!
Tem até no couro cabeludo, olha só.
Ai, meu Deus...
Tá se alastrando, Michel.
E... Purpurina não precisa nem de muito pra agarrar.
Doutor, não aguento mais achar purpurina no meu corpo...
Eu estou passando a maior vergonha no trabalho, eu sou engenheiro!
Você deveria ter pensando nisso antes de passar aquele carnaval, né?
Eu não sabia dos riscos, doutor.
O governo não investe muito em informação mesmo não...
Ontem mesmo eu atendi um rapaz, coitado...
Pegou isso só de dar um abraço naquele David Brazil.
Nossa...
É.
Michel, o que eu posso fazer aqui...
Ou a gente cobre todo o resto com purpurina também, deixando uniforme...
É uma manobra arriscada, mas deu certo com a Nany People...
Ou então eu cubro essa área mais afetada aqui com uma mancha de nascença artificial.
Chama procedimento Eri Johnson.
Só não pode cauterizar, porque a Sabrina Sato foi cauterizar
e ficou com aquele cocô de coelho aqui na testa, coitada...
E também não pode demorar muito para decidir, tá?
Por que, doutor?
Como por quê?
Roberto Carlos, Wagner Montes, Lula...
Ai, caralho!
Perdemos ele.
Corre lá em cima.
Avisa que teve um Milton Cunha aqui, vai!