PROFISSÃO
Tudo bem, Diego?
Saiu o resultado do seu teste vocacional aqui.
Ah, e aí?
O que é que fala aí?
Então, deu aqui que você vai ser um merda.
Quê?
É, um merda que vai tentar ou abrir uma startup,
abrir uma paleteria ou fazer um aplicativo que só você vai gostar e vai tudo falir.
É, eu tinha pensado nisso aí...
É...
Mas... Mas não deu mais outra coisa?
Deu que você vai ser ou desempregado ou cunhado, ou os dois.
Ah, é que eu queria ser médico...
Médico...
Ou advogado...
Ah... Entendi...
Imagino que você deve estar estudando muito pra ser médico ou advogado, não é não?
Não? Nossa!
Nossa, que supersa.
Bom, aparece aqui você como mendigo, mas mais se a coisa do cunhado não der certo.
Sua irmã é casada?
É.
Olha só, você já é cunhado.
Esse negócio aqui é espetacular.
Não erra.
Sim, mas não tem nenhuma outra aptidão que mostra aí minha pra nenhum trabalho?
Parece inútil, né?
Mas não chega a ser exatamente uma profissão... É inútil...
Tá, mas eu sou mais de humanas ou de exatas?
Você é mais de frustrado mesmo, né?
Aqui diz que você vai ser um cara triste e frustrado.
É que eu gosto muito de esportes...
É...
Eu gosto de batata.
Cara, eu não preciso disso aí não.
Isso aí é papel e caneta, só.
Eu vou abrir uma escolinha de futebol!
Diego, e se... Eu tô jogando aqui, tá?
E se em vez de tentar abrir a sua escolinha de futebol,
que é um passo ousado, é arriscado...
Investimento.
Você ficasse mais em casa?
Consertando as coisas... De repente trocando uma lâmpada...
Batendo uma laje...
Indo à feira pra sua mãe...
Pagando um boleto na lotérica...
Cara, eu posso ser quem eu quiser.
Só eu sou senhor de mim mesmo.
Nossa, impressionante a precisão desse teste aqui.
Frase de efeito.
Você já é um merda!
Quando é que você vai estrear seu solo de stand up?
O que é isso?
Eu não sou mendigo não, cara.
Não quero isso aqui não.
O que é isso, cara?
Eu não sou mendigo não, cara.
O que é isso?
Ih, isso aqui, tem coisa boa aqui hein?
Quer um pouco?
Quer não?