PORTA DE COLÉGIO
Atenção, pessoal!
Atenção!
Rapidinho aqui!
Eu sei que tá todo mundo trabalhando.
Tá todo mundo endividado.
Mas eu peço pra pararem só um instante
porque eu tenho um aviso que eu acho que pode ser importante aqui pra nós.
Rafa, chega aí.
Opa!
Rafael, esse cara aqui é sobrinho da minha esposa.
Um cara bacana pra caramba, se formou agora em administração na Estácio.
Isso.
E a gente bateu um papo, eu expliquei a nossa situação pra ele...
Parece que ele pensou bastante e achou aí um... Um ''buraco'', né?
Na verdade, eu nem... Nem pensei muito não...
Tive... Uma coisa que eu vi.
Certo.
Então fala aí pra gente, por favor.
Então...
Vamos lá.
A operação de vocês, ela gira em torno do quê?
A gente... pega bala e vende na porta das escolas.
Certo.
E o que vocês fazem pra fidelizar esse consumidor de vocês?
A gente injeta cocaína e heroína dentro da bala.
As crianças compram, ficam viciadas e aí voltam sempre pra comprar mais bala.
Certo.
E você vende essa bala a...?
- Cinquenta centavos. - Cinquenta centavos...
E a cocaína e a heroína que você compra...?
- Bota aí... 100, 150 reais... - 100, 150 reais.
E vocês colocam a cocaína e a heroína na bala pra...?
Porque aí as crianças voltam sempre pra comprar mais bala.
Perfeito.
E quando essa criança volta pra comprar a bala, ela compra essa bala por...?
Cinquenta centavos!
- Cinquenta centavos! - Isso.
Aí... Aí que eu encontrei uma coisa, aí...
O que tá dando problema no orçamento de vocês,
entendeu, Renato?
Tá.
Mas aí, onde é que você quer chegar?
Eu acho que vocês estão gastando mais dinheiro com cocaína e heroína,
viciando as crianças do que com a bala que vocês vendem, entendeu?
Espera aí, Rafael!
Você tá dizendo então que o que a gente tá fazendo aqui há 40 anos tá errado?
Não tem ninguém rico aqui, né Renato?
Se a gente olhar, parece que o negócio não tá funcionando.
Por exemplo, traficante tacando fogo na casa do... Do Josué...
O Sérgio com os dedos quebrados ali.
Pelo pouco conhecimento que eu tenho, tá pessoal?
Eu acho que cocaína e heroína dá dinheiro!
E aí, o que é que você sugere então?
Que vocês não coloquem cocaína e heroína na... na... na... na bala de vocês,
entendeu, Renato?
Ô Rafael, você tá maluco, cara?
Porra, eu te trago aqui e tu vai me fazer passar vergonha na frente da rapaziada?
Como é que não vai botar cocaína na bala?
Como é que as crianças vão voltar pra comprar mais bala?
Vão voltar pelas balas de vocês...
Ok.
E se vocês...
Vendessem a cocaína e a heroína, direto para o consumidor de vocês?
SEU MONSTRO!