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No dia seguinte, a Aurora Archer acordou toda entusiasmada por causa da nova amizade com o Sam.
Vestiu-se depressa e foi logo para o parque, com esperança de o ver outra vez.
Quando chegou ao sítio de sempre, viu o Sam sentado num banco, a mexer numa coisa com as mãos.
— Ei, Sam! — chamou ela, a acenar com energia.
O Sam levantou a cabeça e sorriu quando viu a Aurora a aproximar-se.
— Olá, Aurora! Eu estava a trabalhar numa coisa que queria mostrar-te — disse ele, levantando um pequeno aparelho com luzes a piscar.
A Aurora ficou curiosa e chegou mais perto.
— O que é isso? — perguntou ela, com os olhos bem abertos.
— É um mini sistema de mira que eu andei a montar — explicou o Sam, todo orgulhoso. — Achei que podia ajudar a melhorar a tua pontaria quando atiras flechas.
A cara da Aurora iluminou-se.
— Sam… isso é incrível! Obrigada! — disse ela, e deu-lhe um abraço rápido, cheio de gratidão.
— Eh lá, cuidado, ainda desligas as luzes! — brincou ele.
— Desculpa! — a Aurora riu. — Então… como funciona?
— Olha, põe isto aqui no arco — disse o Sam. — E depois vês estas luzes? Elas ajudam-te a alinhar com o centro do alvo.
A Aurora experimentou, com atenção.
— Assim?
— Sim, isso mesmo. Agora tenta um tiro.
Ela respirou fundo.
— Ok… vamos lá.
A flecha saiu e acertou mais perto do centro do que antes.
— Uau! — disse a Aurora. — Isto ajuda mesmo!
— Eu disse! — respondeu o Sam, a sorrir. — Mas a maior parte continua a ser tua. Tu já és boa.
— Mesmo assim… é tão fixe teres pensado nisto para mim.
— Eu gosto de inventar coisas — disse ele. — E gosto de ver-te a treinar. Dá vontade de ajudar.
Enquanto falavam e testavam o sistema, a Aurora sentiu-se mesmo agradecida. Ela sempre adorou tiro com arco, mas agora parecia ainda mais especial, porque tinha alguém com quem partilhar isso.
Depois de passarem a manhã no parque, o Sam olhou para o relógio.
— Tenho fome. Vamos almoçar?
— Sim! — disse a Aurora. — No sítio dos hambúrgueres?
— Claro. O nosso sítio.
Foram a pé até ao restaurante ali perto. Sentaram-se numa mesa, com batatas fritas e hambúrgueres.
— Então… como é a tua família? — perguntou o Sam.
— É pequena — disse a Aurora. — O meu tio é a pessoa que mais me apoia. E a tua?
— A minha é barulhenta — disse ele, a rir. — Mas no fundo são bons. Só falam todos ao mesmo tempo.
A Aurora riu.
— Eu imagino.
Falaram sobre escola, coisas de que gostavam, e o que queriam fazer no futuro. A certa altura, a Aurora ficou mais séria e disse:
— Sam… eu tenho um sonho.
— Diz — respondeu ele, atento.
— Eu quero usar o tiro com arco para ajudar pessoas. Quero ser uma heroína, tipo as dos comics.
O Sam não riu. Só fez um ar sério, mas bom.
— Eu acredito em ti, Aurora Archer. A sério. Tu tens talento e não desistes. Um dia vais ser uma grande heroína.
A Aurora sentiu um calor bom no peito e sorriu.
— Obrigada. Eu precisava de ouvir isso.
— Então promete-me uma coisa — disse o Sam.
— O quê?
— Que não vais desistir, mesmo quando for difícil.
A Aurora assentiu.
— Prometo.
E ela ainda não sabia, mas a aventura dela estava mesmo a começar. E ia descobrir que amizade verdadeira e coragem podem levar a coisas incríveis.