Conto do Cão - parte 1
Naquela época eu trabalhava para a Secretaria de Saúde, mais precisamente para a Vigilância Sanitária de São Paulo, e eu estacionava James (o nome que dei ao meu carro) no pátio, em frente ao prédio principal.
Aquele estacionamento estava sempre cheio de gatos. Lembro-me de uma vez em que dei uma carona para Talita, uma colega de trabalho, e no caminho para casa ouvimos um barulho estranho vindo da frente do carro. Talita me assustou dizendo que tinha gato dentro do capô do carro. Fiquei encafifada, e aquele comentário não saía da minha cabeça.
No final daquela semana, peguei James e depois de rodar algumas quadras, percebi que ele estava prestes a ferver. Parei, esperei o motor esfriar um pouco e segui viagem. Repeti esse procedimento várias vezes até que finalmente achei um posto de gasolina.
No posto, depois de muito quebrar a cabeça para descobrir a origem do problema, o frentista viu que a correia do ventilador tinha saído do lugar. Não sei porque, mas quando vi a correia caída, pensei no que Talita tinha dito: Que tinha gato embaixo do capô do carro. Fiquei então com pensamento fixo de gato dentro do capô!
_ encafifado = preocupado, cismado, desconfiado frentista = pessoa que trabalha em posto de gasolina, atendendo os clientes e, geralmente, colocando o combustível nos veículos