Toscana – primeiras impressões
Para dar adeus à Toscana nós embarcamos numa verdadeira maratona. Pegamos um passeio turístico de 11 horas, passando por 4 lugares diferentes.
8:45 da manhã, encontramos o grupo na estação ferroviária, onde pegaríamos o ônibus turístico. Como a fila para pagar pelo passeio estava lenta, e italiano costuma se atrasar para tudo, eu achei que teria tempo de “marcar território” antes da partida. Aparentemente, foi eu sair à procura de um banheiro, que a guia mandou o grupo seguí-la até o veículo. Quando voltei, vejo Luciane acenando para mim e eu entendi tudo. Dá-lhe correr para alcançar o povo. OK, o passeio começou com um pouco de estresse, mas também com entretenimento.
Um dos passageiros era um rapaz alto, esbelto e chiquetésimo. Ele estava vestindo: legging lilás, camisão pink, sandálias amarelas, chapéu de palha, echarpe rosa. A tiracolo ele carregava uma bolsa com detalhes rosa e suas unhas da mão estavam pintadas de azul claro.
O fato dele estar vestido como uma alegoria chamou a atenção, claro, mas o que mais me chamou a atenção foi o fato dele estar com a barba por fazer. Achei isso um desleixe, e cheguei a especular se ele estava fazendo algum tipo de experimento social – especialmente porque percebi que ele frequentemente se aproximava das pessoas e perguntava se elas poderiam tirar uma foto dele.
Claro que as pessoas sempre diziam que sim, sorriam, mas eu percebi que a linguagem corporal variava. Não sei, talvez o problema seja eu, que estou acostumada com meus amigos gays, e eles estão sempre muito bem barbeados e vestidos de maneira sóbria e elegante. Meus amigos também raramente fazem passeios desacompanhados. A comunidade gay é vasta e eles sempre encontram companhia. Por isso achei estranho esse rapaz estar completamente sozinho.
Mas vamos deixar esse moço para lá e vamos ao que interessa. O passeio. Nós achávamos que a guia falaria somente em espanhol, mas ela nos surpreendeu narrando tudo em três idiomas: espanhol, português e italiano. O nosso ônibus estava cheio de brasileiros, e a maioria casais, no entanto havia uma passageira que nos chamou a atenção. Ela, uma senhora de uns 62 anos, estava viajando completamente sozinha.
Ela era uma paulista muito gente boa, simpática e espontânea, e ela conversava com todos. Simpatizei com ela imediatamente e quando eu “crescer” quero ser pra frentex como ela: bem-humorada, bem de saúde, mente aberta.
A única coisa que não gostei foi quando ela contou que estava carregando uma mala enorme. Ela brincou dizendo que várias vezes teve vontade de jogar a mala despenhadeiro abaixo. É por essas e outras que eu só viajo carregando bagagem de mão!
Mas chega de falar dos outros e vamos aos detalhes do passeio. Começamos em São Giminiano, depois fomos almoçar e degustar os vinhos da região, Chianti. De tarde nós passamos em Siena, e antes de voltar para Florença ainda demos uma espiada em Monteriggioni.
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tiracolo = correia atravessada de um dos ombros para o lado oposto do corpo, passando por baixo do braço
quando eu crescer = quanto ficar mais velha, se tornar adulto. Aqui, significado figurativo, quando eu tiver a idade dela
gente boa = pessoa agradável, divertida, de bom caráter
ser pra frentex = ser pra frente (positivo, bem-humorado, mente aberta)