Quinta-feira dia 7 de maio, algo inesperado
Nesse dia eu me levantei muito cedo.
Tomei café da manhã lá pelas 6 horas e cheguei no trabalho o mais cedo possível para poder dar conta do serviço. Estávamos passando por um período muito atribulado, onde os prazos de finalização de vários projetos coincidiram.
A bruxa estava solta: era um problema atrás do outro e às 11:30 eu resolvi fazer uma pausa, tomar ar fresco e ir almoçar, antes de entrar na próxima reunião que começaria meio-dia em ponto.
Desci as escadas do prédio e vi pela janela que estava começando a chover.
A cantina fica um pouco afastada do meu prédio, e como começou a cair o maior toró, tirei os meus óculos do rosto e os coloquei no meu bolso esquerdo. Resolvi então correr para não ficar completamente ensopada.
Mal dei 4 passos, eu tropecei no asfalto.
Meu pé direito engatou em alguma coisa no asfalto e em seguida o meu pé esquerdo (que eu usaria para aliviar a queda) ficou preso na barra da minha calça - que era uma calça boca-de-sino. Nesses poucos segundos, a única coisa que passou pela minha cabeça era que o meu chefe e o pessoal do meu departamento estava ali do lado, e eu pagaria um mico enorme com esse tombo.
De repente, o medo de passar vergonha na frente dos colegas foi superado pelo medo de quebrar os dentes.
De algum modo eu vi o meu rosto se aproximando do asfalto e só lembro de ter pensado "tomara que eu não quebre nenhum dente".
Foi um tombo fenomenal, onde me esfolei toda.
A verdade é que me arrebentei inteira.
Sentada no asfalto eu não conseguia falar. A dor era muita e as lágrimas escorriam feito cachoeira. Eu só me lembro do meu chefe e colegas usando guarda-chuvas para tentar me proteger da chuva (e chovia canivetes nesse momento) enquanto eles telefonavam para a portaria dando a localização e pedindo para enviarem primeiros socorros.
Eu, muito envergonhada, só pedia desculpas.
E eles respondiam que não era minha culpa.
Alguém teve a idéia de me ajudar a levantar e me ajudar a andar até o prédio mais próximo, que era o prédio da produção.
Parecia um galpão. Ali ficamos protegidos da chuva até que o chefe da segurança, e especialista em primeiros socorros, chegou.
Atribulação = situação de tormento, desagradável A bruxa está solta = diz-se quando acontece uma sucessão de coisas ruins cair um toró = chover muito, tempestade chovendo canivete = chovendo muito, caindo um pé d'água se esfolar = se ferir, tirando uma parte da pele pagar mico = passar por constrangimento, vexame, situação embaraçosa.