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Paciente 63 - Primeira Temporada, T1E6

T1E6

paciente 63 episódio 6 prova de história

o registro pacientes 63 27 de outubro de 2022 prova do polígrafo a cargo do

Ernesto Silva está pronto Ernesto? Estou. Obrigada.

Senhor Pedro Reuter, obrigada pela sua colaboração na prova do polígrafo.

Esse procedimento é comum doutora? Você usa ele com todos os seus pacientes?

Não, não é. Muito raramente. Por favor, tenta não se mexer, tá?

Me faz sentir especial. No futuro a gente não tem máquinas para detectar mentiras.

Então, ou vocês estão muito avançados e nós fomos envolvendo, ou daqui a pouco

vocês vão perceber que essas máquinas não servem para nada. O que ele detecta, doutor?

Resposta galvânica ou condutância da pele? Quando alguém mente, acontecem sutis variações

de pressão arterial, ritmo cardíaco, frequência respiratória. Você está confortável?

Tão confortável quanto pode estar alguém com eletrodos no braço e no peito.

Estou confortável sim. Ok. Eu vou lhe fazer umas perguntas para calibrar o aparelho.

Diga por favor que dia é hoje? Hoje é quinta-feira, 27 de outubro de 2022.

Me diga por favor alguma coisa concreta que você esteja vendo agora?

Alguma coisa concreta. Eu estou vendo você, doutora, pela primeira vez sem o jaleco,

de blusa branca. Vejo uma sala, uma mesa de metal, um espelho na parede onde eu suponho

que deva ter uma câmera me filmando ou alguém me olhando. Vejo você, doutor, olhando como

o ponteiro do seu detector de mentiras detecta variações no papel. Continue.

Agora eu preciso que você fale uma mentira. Uma mentira? Deixa eu ver. Ok.

Eu não conheço você, doutora. Ernesto? A gente pode começar. Ok.

Qual o seu nome, por favor? Pedro Reuter. E você vem de que ano?

Como você gosta dessa pergunta? Eu venho do ano de 2062.

Me conta, por favor, alguma coisa que você já tenha experimentado.

Pode ser alguma coisa que você já tenha me contado? Não tem problema, você já me contou antes.

Eu não quero parecer enfadonho. Algo específico?

A coisa mais importante para você que tenha acontecido no futuro.

Aos 20 anos eu tive uma namorada que me ensinou o amor pelo cinema antigo.

É algo mais concreto? Algum acontecimento importante?

Isso é como se eu pedisse para você fazer um resumo do século XX.

Tem coisas boas e coisas ruins. E tem coisas transcendentes.

Tem coisas boas no futuro? Claro. Existe um profundo cuidado com as crianças.

Tem muita consciência ecológica. Não tem plástico.

O conceito de que uma mulher possa ser violentada ou abusada é inconcebível.

Menos ainda que ela experimente algum tipo de discriminação.

O mesmo acontece com conceitos como o racismo, os nacionalismos.

São conceitos estranhos. Os ismos caíram completamente.

Bom, fora disso não tem muita coisa. O pegaso vence.

Antes disso, coisas ruins. Coisas sobre as quais ainda não falamos.

Conta, por favor.

Outubro de 2023. Crash econômico mundial.

Colapso dos mercados. Explosões sociais. A disseminação da pandemia do pegaso.

2030. O expurgo de Berlim. Talvez o momento mais sombrio da nossa história.

Eu acho que foi nesses anos, começo dos anos 20,

as pandemias e os confinamentos obrigaram a população a ficar cada vez mais na frente das telas.

Segundo me contou o meu pai, tudo começou por uma boa razão.

Castigaram os racistas, os estupradores, os corruptos poderosos que tinham conseguido fugir da justiça.

Todos eles foram julgados pelas redes sociais e funcionou.

As massas opinantes geraram um acordo grupal, espontâneo, inorgânico,

sobre quem era o inimigo e quem fazia parte do grupo vulnerável que precisava ser protegido.

Depois essas massas focaram sua atenção na história e começaram a derrubar os símbolos de uma sociedade injusta.

Em 2027, ou 28, porém, tudo foi se complicando.

Surge um conceito, a egrégora, uma espécie de regulador coletivo do comportamento e do pensamento,

formado por milhões de opinantes.

A arte, certos livros, certas peças de teatro que parecem críticas veladas ao movimento, são simplesmente canceladas.

Começa uma perseguição àqueles que discordam da egrégora,

ou àqueles que começam a perceber que a egrégora é uma entidade totalitária e sem controle,

e que não estão de acordo com que um coletivo anônimo tome a justiça nas mãos.

No final dos anos 20, o sistema de justiça tradicional perde a validade social.

A marca e a punição coletiva da egrégora são as únicas coisas que valem.

Mas dentro da egrégora tem quem critica seu próprio poder.

Eles vão ficando expostos e logo depois os cidadãos começam a ser investigados ao acaso,

à procura das sementes das dissidências.

É a época das grandes perseguições, culturais, religiosas e científicas.

Qualquer um marcado pela egrégora perde imediatamente seu trabalho, sua família, sua reputação e é expulso da sociedade.

Muitos sofrem agressões.

Se estabelece um sistema de castas, os puros, os duvidosos, os cancelados.

Isso leva à queda do pensamento crítico.

No cinema, as peças de teatro precisam passar pelo crivo da egrégora,

e quando não são aprovadas, são marcadas e destruídas.

Os museus são saqueados.

Os centros de pesquisa incendiados.

Os coletivos filosóficos e religiosos são perseguidos.

Todos colaboram com a egrégora para delatar inimigos.

Eu cresci naqueles anos.

Cresci com o temor o tempo inteiro de fazer algo errado.

Mesmo o silêncio e a não participação nas redes era um sinal de dissidência.

Você viveu isso tudo?

Eu tinha nove anos.

Mas conheci alguns amigos do meu irmão mais velho,

que tiraram a própria vida porque achavam que seriam marcados fatalmente pela egrégora.

Você falou do expurgo de Berlim. O que é isso?

O ponto de inflexão.

Foi uma data bem sombria para a história.

Sábado 11 de maio de 2030,

a egrégora marca, julga e condena os estudantes clandestinos que dizem budismo

e uma multidão incendeia o prédio onde eles meditavam.

Morrem 132 pessoas.

Muitas crianças e muitos jovens.

As redes sociais globais são obrigadas a fechar.

A egrégora se apaga, mas o dano já estava feito.

E o pêndulo oscila para o individualismo.

Isso em... Desculpe, estou anotando.

Em 2030?

Sim. A egrégora se apaga em 2035.

36 ou 37?

Posso continuar?

Por favor.

Wan Xia. Esse é outro marco.

Wan?

Se pronuncia Wan Xia.

E o que é isso? Uma comida chinesa? Um meteorito?

Não. Um jogo. Um jogo virtual.

Muitas pessoas vão morar num mundo virtual chamado Wan Xia.

Um videogame de imersão em que elas passam a viver grande parte do tempo.

Trabalham, namoram.

Um mundo que vicia. É pacífico.

Onde não existe pobreza, nem injustiça, nem desigualdades cruéis.

Muitos amigos que estavam estressados pela realidade

tomaram uma decisão e se mudaram para Wan Xia.

Depois da grande queda dos dados, eles foram abruptamente sugados pela realidade

e nunca mais conseguiram se acostumar.

Mais uma última data?

O fato mais transcendente da nossa história.

Eu tinha 19 anos. Aquilo mudou tudo.

E o que é?

Marte.

Você já falou Marte antes? Na primeira ou segunda entrevista?

A colônia marciana fez uma descoberta.

Quarta-feira, 6 de agosto de 42.

Foi um momento histórico.

Joana Flores e André Blake fizeram história.

Os primeiros colonos?

Não. Eles foram a terceira geração.

A gente chegou em Marte em 2031.

A descoberta de Flores e Blake foi em 42.

Os descobridores da estrutura.

A civilização humana.

Uma cidade sepultada sob as areias de Marte.

Extraterrestres.

É um pouco mais complexo que isso.

Nossos ancestrais.

A constatação de que não somente não estávamos sozinhos,

mesmo já sabendo disso desde os arquivos secretos do Pentágono comum.

Me desculpa, quando?

2000...

No ano que vem.

Quero dizer, 2023.

No ano que vem?

Isso.

Mas um monte de documentos confirmando o que muitos ufologistas já falavam faz anos

não remexeu o mundo tanto assim.

Encontrar uma civilização de 50 mil anos atrás em Marte...

Isso mexeu com a gente profundamente como civilização.

Marte era o que alguma vez tinha sido a Terra.

Um planeta com uma civilização florescente.

Um planeta que ficou inviável e, bom, eles tiveram que migar pra cá.

E o que aconteceu depois dessa descoberta?

A civilização mãe.

A civilização mãe.

Como todos começaram a chamar, mudou tudo.

Da filosofia às ciências.

Tudo ficou de cabeça pra baixo.

O mais importante, graças a essa descoberta,

foi possível avançar no conhecimento teórico para viajar no tempo.

E é por isso que eu estou aqui.

Você quer que eu conte o que foi descoberto sobre Deus e as religiões?

Aconteceu alguma coisa?

Acho que deu.

Muito obrigada, Sr. Reuter.

Agora vou pedir pra você nos esperar lá fora.

Sim, claro.

Obrigado.

Fui aprovado na prova, doutora?

Depois a gente conversa.

Com licença.

Me acompanhe, por favor.

Ele é bem surpreendente.

Sim, ele é.

E é por isso que eu queria que você ouvisse ele.

Além disso, ele sabe de coisas privadas que seriam impossíveis de ele conhecer.

E isso, você tem que concordar que embaralha tudo, né?

O que você acha?

Segundo o que está apontando o polígrafo, ele falou a verdade.

O que indica duas possibilidades.

A primeira, ele realmente acredita na psicose dele.

A segunda, ele está mentindo e é alguém treinado

pra passar por essa prova sem uma mínima variação.

Olha esses registros.

É, existe uma terceira possibilidade.

Elisa...

Você não ouviu o que ele disse?

Como é que ele poderia inventar isso tudo sem titubear?

Porque ele é um grande mentiroso.

Mas, Ernesto...

Ele hesitou uma vez.

Você está vendo esse pulo no ponteiro?

Estou.

Eu pedi pra ele mentir e ele disse que nunca tinha te conhecido.

Essa foi a única vez que mentiu de verdade.

É claro, porque a gente pediu isso pra ele, que ele mentisse.

Quer dizer que isso é verdade, vocês dois se conhecem.

Ele é meu paciente, Ernesto.

Eu não estou me referindo a isso.

Você mesma disse que ele sabe coisas tuas que não teria como saber.

Ele andou espionando você.

É, é possível, mas...

Você deveria tomar cuidado com ele.

E eu acho, Elisa, que por tua segurança, você deveria abandonar esse caso.

Esse cara conhece você de antes.

[]

Paciente 63 é uma série original Spotify.

Protagonizada por Mel Lisboa e seu Jorge.

Criada por Julio Rojas.

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