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Paciente 63 - Primeira Temporada, T1E3

T1E3

Paciente 63, episódio 3, Pegasus.

Hora 10h15, 24 de outubro de 2022.

Terceira sessão, paciente 63 para o registro.

Doutora Elisa Amaral.

Depois do bip a gente começa.

Como foi, doutora?

Como foi o quê?

O sonho e a tarefa que eu te pedi para fazer.

Ah, é. Sim, sim.

Eu dei um Google e essa teoria de uma outra eu do futuro me sussurrar respostas em sonhos não é sua.

É de um doutor em física, o Jean-Pierre Garnier-Mallet.

O fenômeno do desdobramento do tempo.

Eu posso fumar?

Pode, claro.

Obrigado.

Você não está desenvolvendo um quadro psicótico com ideias organizadas.

Você simplesmente está mentindo.

Eu nunca disse que a teoria fosse minha.

O fenômeno Garnier-Mallet é ensinado nas escolas desde que eu tinha 10 anos.

Em 2034.

Me diz, por favor, o nome do seu professor de física.

Eu posso te dizer, mas duvido que ele te dê alguma resposta.

E por que não daria?

Porque ele hoje tem 16 anos.

Ah, é claro. Óbvio.

Muito conveniente para você.

Eu não sei se é conveniente, mas é um fato.

É conveniente, porque ninguém aparentemente pode desmentir a sua teoria.

E nem confirmar.

Se põe no meu lugar só por um segundo.

Como você se sentiria se de repente ninguém a reconhecesse?

Se você soubesse quem é essa pessoa, o que significa para você,

mas essa pessoa não a reconhecesse.

Como se sentiria se ninguém pudesse confirmar a sua existência?

Depende.

Talvez o fato de alguém confirmar quem eu sou me prejudicasse.

Você já falou com os meus pais?

Eu gostaria de saber por que você está mentindo.

Mentindo sobre o quê?

Sobre tudo.

Como foi que você falou agora há pouco é...

Dar um Google, né?

É, é, dar um Google.

Ah, deixa eu pensar.

Dar um Google para você seria para mim como ir em uma biblioteca?

Lamentei que te dizer, doutora, que daqui a muito pouco,

ir em uma biblioteca vai ser bem mais necessário do que você imagina.

Um presságio? Ah, por favor, me conta.

A grande remoção.

Todas as nuvens, os buscadores, todos os dados.

Profit. Nada. De um dia para o outro.

Quer saber a data? Essa eu sei.

É um marco. Me falta muito pouco.

Olha, eu tenho muitos anos de prática clínica.

E eu sei quando eu estou com alguém com algum problema de saúde mental,

com um transtorno de personalidade, o que merece todo o meu respeito, minha atenção.

E quando alguém é uma fraude.

Você simplesmente é uma fraude.

Se eu for uma fraude, você também é.

Eu não estou dizendo que eu vim de um lugar imaginário.

Nessa sala só tem um que está mentindo.

Você fala isso porque quem está vestindo um jaleco branco é você

e quem tem uma tatuagem do Coringa sorriu?

De todas as ciências da saúde, a que você escolheu

é a que mais mentiras e erros cometeu sistematicamente.

Eu posso enumerar?

Eu não acredito que você vai começar com o discurso...

Pães de gelo, lobotomias...

Antipsiquiátrico...

Eletrochoques, confinamentos forçados. Posso continuar?

Fica à vontade. O discurso é seu.

Antidepressivos que produzem suicídios.

Barbitúricos que produzem dependência.

Metilfenidato que gera crianças quietas em série.

Bruxas queimadas na fogueira.

Aqui a fraude vem do outro lado.

Do lado de quem acha que sabe tudo sobre a mente.

E realmente não sabe nada.

Sabe o que eu estou vendo?

Estou vendo uma mulher atraente, mas que parou de se gostar.

Não é uma mulher que está se divertindo.

Uma mulher atraente, mas que parou de se gostar.

Com seu jaleco branco impecável que protege ela das pessoas de fora.

O cabelo preso e certinho, mas que ela gostaria de deixar longo e solto.

Olheiras de quem não dorme bem por algo que sempre a deixa intranquila.

Essa sensação de não pertencer.

Acabou?

De estar desconfortável.

Olha que isso aqui está ficando interessante.

Nós dois começamos a mostrar o verdadeiro jogo.

Sabe de uma coisa?

Eu prefiro você assim, com a sua verdadeira personalidade.

E não fazendo essa encenação de viajante do tempo.

O que foi que lhe disse a doutora Elisa?

O que você quer?

Você quer se declarar incapaz por alguma razão?

Fugir da justiça? Não sei.

O segredo médico te protege. Você pode me falar.

Sou um viajante do tempo.

Venho do ano de dois mil e sessenta e dois.

Ok. E qual é especificamente a sua missão?

Eu já sei que é evitar que uma mulher chamada Maria Cristina Borges pegue um avião.

E você acha que eu vou te ajudar nisso.

Vamos deixar assim por enquanto.

Vamos aos porquês.

Uma pandemia vai exterminar a humanidade.

Eu preciso deter o paciente zero.

Eu lamento te dizer que você chegou atrasado.

Depois de dois anos, nós estamos finalmente...

Eu não estou me referindo à pandemia de dois mil e vinte.

Me refiro à grande pandemia.

A grande?

A de dois mil e vinte foi só a disseminação de um vírus.

Desagradável, contagiosa.

O primeiro dos grandes confinamentos globais pelo que eu estudei.

Mas não, não foi totalmente letal. Não, não estou falando dessa.

E está falando de qual?

Depois da vacinação mundial, o vírus ficou em latência.

Nem todos tiveram imunidade.

Aos oito anos, eu já tinha sido vacinado quinze vezes.

Você é médica.

O vírus se replica em cada ser humano.

E em cada réplica, basta um pequeno erro.

Um raio cósmico, uma proteína mal codificada.

Uma junção defeituosa no RNA para que mude.

E foi isso que aconteceu no corpo de uma moça.

Uma mutação.

Que vai detonar a quarta onda.

A última.

Quer dizer...

O paciente zero, em cujo corpo vai se produzir a mutação definitiva...

É uma mulher brasileira...

Maria Cristina.

Isso mesmo, Maria Cristina Borges.

A gente sabe tudo sobre ela.

A gente só não sabe onde aconteceu a mutação do vírus...

Embora tenha uma ideia aproximada dos dias em que isso possa ter acontecido.

O que sabemos sim, é quando ela começou a disseminar.

No vórtice.

Foi num voo comercial.

Ela vai pegar o voo 6433 de São Paulo a Madrid no dia 24 de novembro de 2022.

E a gente sabe que é a partir desse voo que o novo vírus vai se disseminar pelo mundo todo.

E tem vacina para esse novo vírus?

Não existe vacina para o Pegaso.

Pegaso?

Transmissão pelo ar.

Sob o microscópio.

É branco.

Parece ter asas.

É rápido.

Alguém pensou que esse nome era poético.

Pegaso.

Exato, Pegaso.

Tudo bem, doutora?

É difícil pensar nesse frio, não é?

A chuva não tem o mesmo som daqui de dentro.

Quando a gente está fechado, os sons de fora soam hostis.

A gente esquece o som do mundo.

Nosso próximo encontro poderia ser em um lugar aberto.

Prometo não fugir.

Então o vírus Pegaso é uma cepa evoluída?

Exatamente.

Ok, é uma cepa evoluída.

Mas se essa mutação, o Pegaso, vai ser produzida em novembro desse ano,

e você disse que o fim de tudo é em 2053,

e se o Pegaso é tão letal como você diz, pela transmissão aérea, etc,

por que ele não eliminou a população imediatamente?

Porque, como eu disse antes, o horror do fim do mundo não é o que importa.

É o desgaste progressivo da espécie.

É se acostumar.

Com as primeiras pandemias, nós aprendemos a nos proteger, a ficar confinados.

Com o Pegaso, a gente pensou.

Ah, mais um vírus.

Mais uma vez presos em casa.

E as vacinas?

As vacinas conseguiram controlar o Pegaso durante um tempo.

Mas o que é que a gente faz?

Conseguiram controlar o Pegaso durante um tempo?

Mas ele foi mudando.

Uma e outra vez.

Vacina, mudança. Vacina e mudança.

Trinta anos de desgaste.

Depois tudo começou a desabar.

Todos foram se isolando, abandonando as cidades, evitando o contato.

Nem todos, claro. Alguns agiram como se nada tivesse mudado.

Esses morreram logo.

Você teve sorte, então.

Tem um velho ditado.

Os covardes sobrevivem.

Eu fui um deles. Um covarde.

Perdi a mulher que eu amava.

O Pegaso matou ela e eu nem pude me despedir do seu corpo.

Uma manhã ela saiu de casa rumo ao trabalho.

A gente riu de alguma coisa que eu não me lembro.

Eu disse que prepararia algo especial para o jantar.

Eu sou um bom cozinheiro.

Mas eu nunca mais a vi.

Você está fazendo isso tudo por amor?

Os maiores sacrifícios são por amor.

E você está sacrificando o quê?

A minha vida inteira.

Para ver ela de novo?

Não, doutora.

Eu jamais vou ver ela de novo.

Minha linha de tempo, minha linha de origem...

Não tem como mudar.

Minha vida junto a ela, ela junto a mim.

A morte dela.

Isso não muda.

Se eu mudar alguma coisa agora, vai mudar o futuro.

Mas vai ser outro futuro.

Não vai mudar o futuro de onde eu vim.

Eu sei que é confuso, mas você vai entender.

Inclusive, se eu pudesse voltar...

Eu ia voltar à minha linha de origem, onde ela já não está mais.

Mas como eu já expliquei...

A minha viagem é uma...

É uma viagem somente de ida, não é?

Isso.

E aí?

E aí que eu só quero que ela exista num novo futuro.

Embora ela não esteja mais comigo.

Embora ela nunca tenha me conhecido.

Meu trabalho é gerar um futuro diferente.

E melhor.

Sua vida em troca da de toda a humanidade.

As revoluções não se tratam disso?

Fazer alguma coisa agora que vai impactar desconhecidos muitos anos depois?

Ninguém vai saber que foi você.

Como sabe que eu sou o primeiro?

Ah, é.

É.

Isso é verdade.

Eu fiquei sabendo de vários casos como o seu.

De pessoas que dizem ter vindo do futuro.

Até no YouTube.

Fraudes.

Sinceramente, eu não sei do que você está falando.

Eu estou me referindo ao fato de que nem eu, nem você sabemos se isso já aconteceu.

Talvez a gente seja consequência de outros heróis anônimos

que modificaram linhas de tempo que existiram.

Que eram diferentes dessa, mas a gente só sabe que pertence a uma.

E às vezes, só em sonhos conseguem entrar em contato com elas.

Seu famoso fenômeno Garnier-Malais.

Exato.

Então você é um herói anônimo, é isso?

Sua sensação é essa?

A palavra herói só existe quando alguém reconhece o seu mérito.

Eu não vou ser um herói por ter salvado o mundo.

Isso me parece louvável bastante.

Eu vou ser um herói porque você vai se encarregar de me lembrar desse jeito.

Eu?

Sim, você.

Você é a única pessoa que me concede a existência.

Se eu existo, é graças a você.

Você quer ser lembrado como um herói.

Eu ser lembrado, suponho que você vai contar a minha história.

A questão é você conseguir convencer as pessoas.

E que eu acredite em você.

Você já acredita em mim.

Você já acredita em mim e é por isso que não quer me contar o que sonhou essa noite.

Mas se você quiser, eu posso te dizer com o que você sonhou.

Você sonhou com um cavalo, certo?

E não era qualquer cavalo.

Sonhou com um cavalo com asas.

Totalmente branco.

E você tinha...

Eu tinha que matá-lo.

Eu tinha que matar esse cavalo.

Paciente 63 é uma série original Spotify.

Protagonizada por Mel Lisboa e Seu Jorge.

Criada por Rúlio Porras.

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