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TED Português, Faz o teu caminho | Nuno Santos | TEDxULis... – Text to read

TED Português, Faz o teu caminho | Nuno Santos | TEDxULisboa (1)

고급 1 포르투갈어의 lesson to practice reading

지금 본 레슨 학습 시작

Faz o teu caminho | Nuno Santos | TEDxULisboa (1)

Transcrição: Inês Freire Revisora: Margarida Ferreira

Epá tanta gente, meu Deus do Céu.

Olá, muito boa tarde!

Público: Boa tarde.

Ai tão bom ser recebido.

- Boa tarde! - Boa tarde!

Ai tão bom. Mais uma vez, boa tarde!

Como é que é? Tudo bem?

Boa noite? Quem é que disse "boa noite"?

Estou a ver que estão bem dispostos. Gosto.

Antes de mais quero vos agradecer por terem vindo.

E que agradeçam a vocês próprios

o facto de se terem disponibilizado para estar aqui comigo, connosco,

com estes oradores, com vocês próprios, numa de se inspirarem e se motivarem,

e desde já agradeço.

O meu nome é Nuno Santos, tenho 27 anos

e venho contar-vos um pouco da minha história.

Como podem ver ali,

eu sou apologista disto, acho que todos nós temos esta capacidade.

Música.

Não há mas era bom não era...

(Risos)

Quero vos perguntar se alguma vez se sentiram perdidos.

Quem é que aqui, neste auditório, já sentiu uma ligeira noção

de que não sabia quem era, para onde ia e o que andava aqui a fazer?

Ih, Jesus...

Espera aí...

Uau!

99.8, fantástico.

Boa.

Querem as boas notícias ou as más notícias?

(Respostas confusas do público)

Vão levar com as duas.

(Risos)

Eu acredito que ambas são precisas.

As más, é que isto vai continuar a acontecer, ok?

Nós vamos sentir que, de vez em quando,

vamos sentir-nos perdidos, não sabemos quem somos

devido a algumas circunstâncias ou escolhas nossas

e vamos atingir alguns becos sem saída.

E vamos nos sentir falhados.

A boa notícia é que é muito importante que isso aconteça

e que vocês não descartem esse acontecimento.

O facto de nós nos sentirmos perdidos, vai-nos obrigar a sair da zona de conforto

e a procurar novos caminhos, novas direções.

Eu até aos 16 anos era um rapaz muito ativo,

fazia muito desporto, fui federado em várias áreas

fiz andebol, ténis, "parkour", "bodyboard",

fazia tudo e um par de botas.

(Risos)

Yeah.

Estão comigo. Estou a gostar.

(Risos)

'Bora lá entrar com o pé direito. É mesmo isso.

(Risos) (Aplausos)

Obrigado.

(Aplausos)

Eu até aos 16 anos era muito saudável.

Estava sempre à procura de aventuras, de adrenalina,

a minha vida era baseada em experiência.

Eu queria, tinha uma sede de vida, um desejo de me sentir vivo

Procurava tudo aquilo que fosse limites,

no desporto e fora dele.

E, como podem ver ali, já era um rapaz jeitoso.

Mas depois passei a ser um rapaz jeitoso, mas careca.

Aos 16 anos é-me diagnosticado um cancro, um tumor ósseo muito agressivo,

já com metástases pulmonares e coisas horríveis

e, enfim...

Não há aí um violino?

Uma coisa assim, horrível.

Foi-me dito aos 16 anos que não sabiam se eu ia conseguir sobreviver ou não.

No entanto, iam tentar de tudo, íamos fazer o protocolo todo

disseram-me inclusive que eu não o pedi, que ninguém mo deu,

"it is what it is".

A verdade é que a sede de vida estava em mim

e aquilo entrou-me por um ouvido e saiu pelo outro.

Eu não me sentia doente, eu sentia-me bem

apesar de notar que o meu rendimento, na escola e na vida

já não era o que era.

Ali, no fim dos 15,

há um episódio que despoleta todo esse declínio de bem-estar.

Eu lembro-me de ter ido para a Praia Grande

num dia de S. Martinho, em 2007,

com o meu melhor amigo de infância

e estão a imaginar o mar de inverno na Praia Grande.

Não é propriamente algo confortável. É para doidos.

Já no verão é assim agressivo.

E eu, na inconsciência da adolescência,

decidi que era boa ideia ir apanhar ondas.

Ora, assim que eu cheguei à praia,

havia mais surfistas vestidos na areia do que na água.

Aquilo devia ter sido muito respeitado, esse sinal.

Eu achei que não.

Eu tinha feito 30 km, eu queria apanhar ondas,

e assim fiz.

Entrei na água, ou na máquina de lavar,

(Risos)

saí um bocadinho desbotado porque apanhei uma onda,

apanhei duas e à terceira caí

e andei para lá embrulhado, puxado pela prancha.

Lembro-me de ter feito contas à vida ali debaixo.

Não podia fazer nada, portanto,

fiquei ali a pensar nas coisas que devia fazer

quando chegasse a casa.

Quando vim ao de cima, senti-me um bocadinho abalado.

Despenteado, inclusive.

E saí da água a coxear.

Desde então foram exames, exames, exames,

ninguém desconfiava de nada, achavam que era da coluna

daquele impacto.

E pronto, lá me diagnosticam um cancro ósseo,

um sarcoma de Ewing.

Esta foi a probabilidade de sobrevivência.

Disseram-me: "Nuno, tu tens 3 a 5%, na melhor das hipóteses.

"Nós não podemos fazer promessas. Vamos tentar de tudo."

E eu aí engoli em seco e percebi

— na altura era mais jovem — percebi algo que era

"tu estás tramado".

Provavelmente, não te vais safar desta,

que isto não é fácil.

Coisa que eu hoje em dia não acredito.

Eu hoje em dia, se me dissessem isto, ria-me,

porque, para já, isto é percentil, certo?

Qual é a escala disto? Não é?

Se eu for a ver, afinal somos bués a sobreviver. Come on!

(Risos)

Não me assustem com números, ok?

E eu hoje acredito que todos nós,

por mais percentagens que nos deem, em qualquer área da nossa vida,

nós somos criadores da nossa realidade.

Podem-nos dar zero, "Tu não és capaz, é impossível".

"Então observa.

"Dá-me cinco minutos.

"Vamos ver se eu não crio 1% de probabilidade do que quer que seja".

Fiz muitos tratamentos, aquela coisa horrível

— violino por favor —

quimioterapia, autotransplante.

o autotransplante é uma coisa horrível de ficar 30 dias dentro de um aquário.

Eu fiquei num aquário durante 30 dias, perdi 30 quilos.

Eu sei que é um sonho para muita gente, não queiram.

(Risos)

Decididamente não.

Porque eu não comi durante três semanas.

Durante três semanas eu sentia a boca a escamar, a sangrar.

Enfim...

É tão bonito.

Fiz uma cirurgia de remover a anca porque era lá onde estava alojado o tumor.

E aí disseram-me:

"Olha Nuno, tu vais poder ser operado.

Uma das armas para o cancro pode ser usada em ti, que é a cirurgia."

Tão bom...

E em que é que consiste?

"Ah, és capaz de perder a mobilidade."

Hum...

(Risos)

Então não sei se não gosto. Acho que não.

Acabei de me aperceber que não gosto muito dessa hipótese.

No entanto, entre perder a mobilidade e estar vivo,

se calhar prefiro estar vivo.

Porque no fundo eu sempre quis isto, de estar vivo.

Rejeição de prótese, uma coisa horrível.

Também não interessa a ninguém.

Mas há um evento particular a meio da quimioterapia que eu não me esqueço.

Lembro-me de estar numa tarde de verão, isto já estávamos no final de junho,

estava ali no IPO de Lisboa,

a minha mãe e a minha irmã foram a Sete Rios buscar uma "pizza"

porque eu podia estar a morrer de cancro mas ao menos morria feliz.

(Risos)

Trouxeram-me uma "pizza", mas antes disso eu fiquei, meia hora,

no máximo, porque elas tinham encomendado, fiquei meia hora

sozinho no quarto de hospital e eu aí pela primeira vez senti:

"Tu estás tramado. Tu és capaz de morrer."

Começo a sentir um fogo, uma adrenalina vinda não sei de onde...

Foi um ataque de pânico, hoje em dia eu sei.

(Risos)

"Ah", gritei tanto, dei um soco na parede, e tão depressa veio tão depressa foi,

desapareceu,

e aí cai-me a ficha de:

"Nuno, tu gostas disto. Ok?

"Isto é uma fase. Isto não te define, em nada.

"É transitório. Tu vais sobreviver, tu queres sobreviver, tu vais vencer."

E pronto, eu começo a perceber que, para mudar, eu preciso de estratégia.

Eu preciso de mudar a minha vida toda

com base em algumas coisas que foi, mudar a minha cabecinha,

a maneira como eu pensava.

Eu era derrotista, era pessimista, era o meu pior inimigo.

Quantas vezes eu não me sabotava com coisas que eu queria fazer

com medo, com receio, com a opinião dos outros.

Parvoíce.

Parvoíce autêntica.

Mudei a minha alimentação, passei a comer muito melhor,

continuei a treinar bem

porque o desporto, apesar de estar muito limitado na altura,

tinha dores, vivia sempre com dores,

fazia o que podia, com o que tinha e no momento em que estava.

E fiz muito humor, como eu disse eu tive um sarcoma,

sarcoma,

e lembro-me de,

eu tomei morfina durante, aproximadamente um ano.

Já estou a ouvir alguém a rir-se.

(Risos)

E então, eu lembro-me da minha mãe muito preocupada, como qualquer mãe, obviamente,

ela tentava-me enfiar comida pela goela abaixo, para ficar forte,

e lembro-me de a ouvir dizer: "Sir, coma" .

(Risos)

Ai, tão bom...

(Risos)

Não houve nenhum enfermeiro, nenhum médico

que eu não tivesse praxado,

desde comprar seios falsos no Carnaval, tapar-me e dizer:

"Eu estou com uma dor no peito".

(Risos)

E o enfermeiro: "Não, vamos ver, vamos auscultar".

E lembro-me de eles pousarem os auscultadores,

desabotoarem, fazerem aquela cara de ...

(Risos)

E eu: "Yes".

Porque eu estava acamado, mas estava vivo. Eu tinha vida em mim.

Eu não me ia deixar abater.

No entanto, por mais estratégias que eu tivesse,

eu continuava-me a sentir perdido,

continuava-me a sentir muito em baixo

porque aquela perna já tinha dado de si.

Eu já tinha gasto todos os recursos emocionais, físicos,

psicológicos e financeiros

possíveis e imaginários.

Eu estava super deprimido,

eu tive pensamentos suicidas durante muito tempo.

Faz parte.

Até que comecei a pensar,

até que ponto é que eu preciso desta perna?

Até que ponto é que eu tenho que aguentar isto?

Estas dores...

Tudo isto que eu estou a viver...

Porque é que eu tenho que aguentar isto? O que é que eu ganho?

Hum...

E se há alguma cirurgia mais para a frente que me salva a perna?

E se há algo mais para a frente que eu consiga fazer?

E se... e se... e se... e se...

Não.

No fim da linha, resume-se a uma coisa,

isto...

(Risos)

Caretas, também,

mas decidir.

Ninguém me disse, ninguém me sugeriu,

ninguém me aconselhou.

Eu lembro-me que no fim do ano de 2014,

que foi o meu pior ano,

porque já tinha vencido a parte oncológica

mas a perna, lá está, não dava de si.

Eu pensei: "Que se lixe. Eu vou tirar a perna.

"Eu tenho mais dois braços, eu tenho uma perna,

"não sou assim tão feio.

"Às vezes até digo umas larachas.

"Porque não?

Porque é que eu tenho que manter esta perna?

Foram dois anos de preparação.

Não foi nada fácil.

Imaginem o que é que é.

Ah, o cinema está fechado, se calhar vou tirar uma perna.

(Risos)

Não é uma decisão do pé para a mão.

(Risos)

(Aplausos)

Mas tinha que ser feito.

Tinha que ser feito.

A medo, com algum medo, naturalmente,

mas estava tão entusiasmado.

Lembro-me do dia em que cheguei ao hospital

eu estava aos pulinhos.

Eu cheguei a filmar e tudo.

Está tudo na "net".

Eu dancei com as enfermeiras.

Eu ri-me com os médicos.

Estava mais feliz do que nunca

porque sabia que, finalmente, o meu tormento ia acabar.

Eu ia deixar de viver em função de uma perna

para viver em função de mim.

Dito e feito.

Eu avancei.

Por mais perdido que eu tenha andado — e que faz parte —

hoje em dia já aceito, sei que faz parte do processo.

Eu encontrei-me na minha decisão.

Muita queda, muita...

Fui contra muitas paredes.

Mas encontrei-me.

Porque eu decidi decidir.

Deixei de andar na maré

e peguei as rédeas.

E eu acredito que é isso que todos nós devemos fazer.

Por mais perdidos que nós nos possamos sentir.

Malta, não é desculpa.

Todos nós sentimos, todos nós pensamos,

todos nós temos uma intuiçãozinha,

algo que fala connosco e que diz que é por aqui.

Seja aquilo que for na vossa vida,

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