#6: A importância da exposição ao idioma [1]
Bom dia, meus amigos, e bem-vindos ao Podcast do LingQ.
No episódio de hoje, temos uma convidada muito especial, a Virginia.
Ela é brasileira, mora nos Estados Unidos e ensina português a estrangeiros.
Portanto, teremos uma conversa sensacional,
porque ela terá dicas ótimas para quem quiser aprender português
ou outros idiomas.
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Para quem ainda não conhece o LingQ e estiver aprendendo um novo idioma,
dê uma olhada, porque vale a pena.
Eu uso o LingQ todos os dias, já que tem muito conteúdo legal
de texto e áudio ou de texto e vídeo sobre vários temas interessantes
em muitos idiomas.
Com o LingQ, é fácil aprender novas palavras,
porque você pode clicar apenas naquelas que você não conhece para ver a definição.
Se você já usa o LingQ, você já deve ter percebido que o aplicativo
tem uma aparência bem diferente.
O LingQ 5.0 é um aplicativo totalmente reformulado,
com uma interface mais fácil de usar, o conteúdo está mais acessível
e tem alguns novos recursos super legais, como a opção de personalizar o aplicativo,
tornando a experiência de uso do LingQ muito mais agradável.
Com o LingQ 5.0, você terá uma biblioteca bem organizada e mais fácil de acessar,
com muitos vídeos, áudios e livros no idioma da sua escolha.
Também tem um sistema de metas diárias de sequência mais abrangente,
mais acesso a conteúdo externo, o que é bem legal.
Uma experiência de leitura mais simplificada.
Uma experiência de audição melhorada e mais opções de personalização,
incluindo o Modo Escuro.
Dê uma olhada. Pessoalmente, como já disse,
eu uso o LingQ todos os dias, mas agora, vamos à nossa entrevista.
Então, hoje temos uma convidada muito especial, a Virginia.
Creio que ela mora nos Estados Unidos e é uma professora espetacular
de português brasileiro, claro.
E é a primeira vez que temos uma professora de português no podcast.
Eu acho que vai ser uma entrevista super legal.
Então, vamos começar.
Virginia, então- Bom, primeiramente, bom dia.
Tudo bem com você?
Bom dia, Gabriel. Muito obrigada pelo convite.
Eu admiro muito o seu trabalho e o trabalho do Steve,
estou muito feliz em estar aqui hoje.
Muito obrigado, a honra é minha- A honra é nossa.
Eu gosto muito do seu trabalho também.
Me diz, então- Vamos fazer uma pequena introdução.
Nos conte qual é a sua história, como você se mudou para os Estados Unidos,
como você se tornou professora de português e tudo mais?
Claro, vou tentar falar em poucas palavras,
porque é claro que minha história com o ensino da língua é um pouco longa.
Mas basicamente, eu sou brasileira, eu nasci em Teresina no Piauí.
Eu acho que isso você não esperava. [risos]
Eu morei muitos anos em São Paulo, em Florianópolis, em todo o Brasil,
e eu me mudei a Nova York há dez anos.
No Brasil, eu trabalhava com publicação de livros, eu tenho formação em línguas,
mas eu não trabalhava com línguas no Brasil.
Mas depois que eu me mudei a Nova York, eu tive que mudar de rodas, eu estava-
Eu me mudei por causa do meu marido e eu estava um pouco perdida aqui,
profissionalmente falando.
Então, eu voltei a estudar quando cheguei, porque ainda não tinha visto de trabalho.
Fiz mais um estudo, mais uma formação aqui
em língua inglesa, numa universidade americana.
E aí, eu comecei a dar aulas de português por acaso, porque eu precisava-
Eu queria fazer aulas, eu não queria ficar em casa sem fazer nada.
E eu comecei a dar aulas de português em algumas escolas de língua estrangeira
aqui em Nova York, Manhattan.
E eu me apaixonei pelo ensino da língua portuguesa como uma língua estrangeira.
Eu não tinha a menor ideia de que haviam tantas pessoas interessadas
em aprender o português brasileiro e fiquei absolutamente fascinada por isso.
Me apaixonei completamente pelo ensino e comecei a me dedicar muito a isso.
Comecei a trabalhar como professora em período integral, dar muitas aulas,
dei muitas aulas em escolas aqui, em Nova York, Manhattan.
Ao mesmo tempo, eu sempre me dediquei ao estudo de línguas.
Eu amo estudar línguas desde criança, eu acho que peguei este amor por línguas
da minha mãe, minha mãe é professora de literatura de língua inglesa.
Então, eu sempre ouvia muito ela falar de línguas, ela também fala várias línguas
e eu sempre tive contato com línguas através dela.
Então, é uma coisa que, paralelamente, enquanto eu estava me dedicando ao ensino
do português, eu sempre me dediquei a estudar línguas também.
E eu descobri um mundo novo depois que eu me mudei para Nova York.
Quando eu morava no Brasil, eu estudava línguas, mas sempre presencialmente.
Eu fiz alguns cursos em escolas.
Aprendi francês com um amigo, na verdade, que era francês e morava em São Paulo.
Mas depois que eu me mudei para cá, eu descobri o mundo online, virtual.
Legal. [risos]
Canais de YouTube, podcasts, professores maravilhosos,
porque eu nunca tinha prestado atenção nisso antes.
Comecei a seguir vários professores incríveis,
me matriculei em alguns cursos online para testar e para me aprimorar.
E foi quando eu comecei a sonhar em talvez fazer a mesma coisa
para ensinar o português brasileiro, porque naquela época,
haviam pouquíssimas pessoas, o ensino da língua estrangeira online
era uma coisa muito nova, mas agora, especialmente depois da pandemia,
se tornou uma coisa muito comum, vieram muitas-
Simplesmente, muitas pessoas- Se você entrar no YouTube, você vai ver
um monte de novos professores e novos canais que não existiam há pouco tempo.
Mas naquela época, era algo novo. Então, eu comecei a sonhar,
comecei a seguir muitos professores e sonhar com essa ideia de algum dia
criar um canal, criar uma escola de língua portuguesa baseada online.
E é isso o que eu tenho agora, eu criei uma escola em 2018.
Então, fazem quatro anos e meio que eu abri a minha escola online.
Ela se chama "Speaking Brazilian."
É uma escola totalmente online com foco no ensino do português brasileiro
- como língua estrangeira. - Que legal.
Eu acho bem aleatório que você-
É "Speaking Brazilian", não é "Speaking Portuguese"?
Porque também, já mata a dúvida. "É o português brasileiro, logicamente."
Exatamente, muitas pessoas me questionam: "Mas por que esse nome? Não é Portuguese?"
Sim, é óbvio que é português, mas...
Eu queria um nome mais divertido e algo que deixasse bem claro que eu ensino
a variação brasileira do português, que convenhamos, é bem diferente
- da variação falada em Portugal. - Sim, com certeza.
E essa é uma questão muito interessante, porque-
Especialmente aqui na França, por exemplo, eu estou morando agora em Paris.
E na França, se alguém for para uma biblioteca ou para uma livraria
e procurar por livros de português, acharão livros para aprender português
e o português se chamará apenas "português."
Mas o português brasileiro será- Resenhando, quero dizer-
É, vai ser chamado já de "brasileiro" e não de "português."
E a minha teoria, pelo menos de como digo, pelo qual eles fazem isso,
eu creio que é pelo fato de que aqui na França existirem muitos portugueses.
E em Portugal, também existem muitos franceses.
E geralmente, muitos portugueses gostam de ser bem claros na diferença.
"Não, você aprendeu o português brasileiro, não é o nosso português que você cita."
Então, me parece que muitos portugueses gostam de mostrar realmente a diferença
que existe e é justo, também. Eu acho isso justo.
Até no francês, por exemplo, o francês canadense de Quebec
é bem diferente, não só na pronúncia, mas nas expressões, nas palavras usadas,
é bem diferente do francês da França e assim vai, o que é bem legal.
Mas então, eu queria te fazer algumas perguntas legais relacionadas
ao aprendizado do português em si.
Primeiramente e logicamente, você pode responder a essa pergunta
de uma maneira geral ou talvez até um pouco específica,
porque eu acho que eu já vou conhecer uma parte da resposta.
Mas a pergunta é a seguinte, quais são as maiores dificuldades
dos estrangeiros que estão aprendendo o português?
Eu adoro essa pergunta.
Depende muitíssimo, como você deve saber.
Depende muito de cada pessoa, depende da língua nativa que a pessoa fala,
depende do lugar onde a pessoa mora, do ambiente, do contato
que a pessoa tem com a língua, mas pela minha experiência,
eu consigo dividir bem as dificuldades em dois principais grupos.
Então, tem o grupo das pessoas que falam espanhol ou outras línguas românicas.
Mas especialmente o espanhol, a dificuldade que essas pessoas têm
é muito diferente da dificuldade de alunos que falam inglês
ou alguma língua não-românica, é muito diferente.
Então, eu vou falar brevemente sobre cada um desses dois grupos.
Então, por exemplo, um falante de espanhol, italiano ou até mesmo francês,
mas especialmente espanhol, eles têm muita facilidade em entender.
Então, eles conseguem facilmente se habituar a entender a língua.
Eles ouvem o português e é familiar, não é tão difícil.
Com pouco tempo de estudo, eles conseguem entender muito bem.
Mas os falantes de espanhol, eles têm muita dificuldade
em superar a barreira de falar português sem misturar com o espanhol.
Esse "portunhol." [risos]
Então, eu acho que a mesma coisa que ajuda é aquela coisa que atrapalha, né?
Então, é muito fácil de entender, mas é muito difícil de falar sem misturar,
porque o nosso cérebro mistura tudo.
E uma coisa com relação à pronúncia, falantes de espanhol têm muita dificuldade
com a pronúncia de certos fonemas que não existem na língua espanhola,
isso é tão interessante, porque há muitos espanhóis diferentes,
cada país tem uma versão diferente.
Mas de uma maneira geral, falantes de espanhol têm muitíssima dificuldade
de pronunciar o som da letra Z, eles pronunciam como S.
Então, eles têm que treinar muito para conseguir fazer o som do Z vozear.
Eles têm muita dificuldade com a pronúncia da vogal "Ó" e "Ô" fechada e aberta,
isso não existe no espanhol, eles pensam, "Wow, o que está acontecendo aqui?"
Eles também têm dificuldade com a pronúncia do G.
Geralmente, eles fazem com o som do X.
Então, são pequenos detalhes que realmente tornam,
você percebe que eles ficam com aquele sotaque bem espanhol
quando eles começam a falar o português.
Então, eles precisam trabalhar muito nisso.
Mas por outro lado, os falantes de espanhol têm muita facilidade em
entender o português rapidamente, porque em pouco tempo,
eles conseguem ter um excelente nível de compreensão oral
e eles não têm muita dificuldade com a conjugação de verbos.
Eles aprendem realmente rapidamente, porque as conjugações são muito similares,
é tudo muito similar, a gramática é similar.
Então, eles têm essa facilidade.
Agora, vamos falar sobre o outro grupo.
Os falantes de inglês e línguas não-românicas no geral.
Eu tenho muitos alunos americanos, pois minha escola é baseada aqui nos E.U.A.
Então, tem muitos alunos americanos, especialmente-
A maioria dos meus alunos têm um relacionamento com um brasileiro,
um namorado, uma namorada, um esposo ou uma esposa,
eles têm muitíssima dificuldade na compreensão oral,
é o oposto do falante de espanhol, demoram muito para superar essa barreira.
Para eles, é uma língua completamente estrangeira.
E eu entendo, eu me coloco no lugar deles.
Eu lembro da primeira vez que ouvi alemão, eu fiquei desesperada.
"Gente, eu não entendo nada!"
Agora, eu estudei por alguns meses, eu não falo alemão, mas-
Agora, quando eu ouço, eu já não fico tão desesperada,
porque eu consigo identificar algumas palavras.
Mas eu lembro que é algo totalmente estranho,
você se sente desconfortável ouvindo aquela língua,
porque você não entende absolutamente nada.
Então, esse é o grande desafio para os falantes de inglês.
Eles realmente não entendem, não conseguem entender,
eles precisam de alguns meses para começar a se sentir mais confortáveis