OPA, TUDO BEM? BELEZA?
–Opa, tudo bom? –Beleza?
–Opa, tudo bom? –Beleza?
Opa, tudo bom?
Não.
Na verdade, não está tudo bem não.
Complicado.
–O que é complicado? –Tudo isso aí.
Tudo isso o quê?
Toda essa situação que a gente está.
A gente? Porque você também não está bem?
–Está com algum problema? –Não.
Quando eu falo "a gente", digo de uma forma mais ampla.
A gente enquanto sociedade, Brasil,
todo mundo aí na batalha.
Mas que sociedade? Só tem nós dois aqui.
Não estou entendendo onde quer chegar.
Não faço a menor ideia, cara.
A gente nunca fez isso aqui.
Isso é novo pra mim, não sei o que falar.
Ah, entendi, então entendi.
Quer dizer, tudo isso pra não me perguntar:
"Djalmir, o que aconteceu com você?"
–Quem é Djalmir? –Eu sou Djalmir.
Faz dois anos que sou seu vizinho de frente,
achei que a gente podia, hoje de repente, trocar uma ideia...
Xiiiiii, por favor.
Aí não, por favor.
Vai destruir tudo o que a gente construiu junto.
–O que a gente construiu? –Nossa relação.
Perfeita.
–Que relação? –Melhor relação que já tive.
A gente não sai do "Opa, tudo bem? Beleza?"
há não sei quanto tempo.
Exatamente.
É perfeita.
A gente respeita o espaço um do outro.
Isso é lindo tá?
Queria eu ter uma relação assim com minha mãe,
–com meu chefe, com minha ex. –Ex?
Terminou com aquela altona?
Tem tempo já.
Caraca, cara, como você tá?
Tô bem, né?
A gente já vinha num processo... Aaaaaaa!!!
Não! Parou!
Já sei o que está tentando fazer aqui, e não!
Por favor!
Por favor, cara, só hoje.
Amanhã a gente volta pro "Opa, tudo bem? Beleza?".
Preciso falar um pouco.
Tá bom.
Só essa vez.
–Vamos lá, Djair. –Djalmir.
Desculpa. Djalmir.
O que foi que te aconteceu?
Rebocaram meu carro, cara.
Complicado.
–Opa, tudo bom? –Beleza?