PROBLEMATIZANDO O COPO
Bom dia, pessoal. Eu sou o Anarriê.
Desculpa aqui a provocação que eu vou lançar pra vocês,
mas até quando vocês vão continuar usando copo?
PROBLEMATIZARTE
É muito difícil vocês perceberem a violência
que o copo representa com o objeto água?
Todo recipiente encarcera a coisa líquida.
Tudo que é líquido nasceu pra escorrer, pra escoar.
E o que não escoa, não escorre, morre.
Você não coloca um pássaro numa garrafa,
mas você coloca água e água é vida, mano.
Quem vê copo não vê coração.
Copo. Copo, gente. Copo. Para pra pensar.
De onde é que vem essa palavra?
Do inglês, "cop". Policial. Aquele que prende.
Que tira a liberdade. Daí a palavra "tira".
"Olha os tiras", porque eles "tira".
Eles encarceram.
Tanto a água quanto a população negra jovem,
política, prioritariamente negra da periferia,
fenotipicamente periférica.
Se o mundo fosse um copo...
não haveria rios, tampouco o Rio de Janeiro,
ou o Rio Beberibe, Capiberibe, que não é menos importante
que o Rio de Janeiro, por estar fenotipicamente no Nordeste.
E vamos lembrar também que copo, gente, é uma palavra masculina, né?
E aí eu faço um mea culpa aqui, enquanto homem.
O homem prende. A mulher escoa.
A mulher é torneira. O homem é copo.
Por isso, prefira beber da torneira, da cachoeira...
ou da bica.
A gente está lançando esse movimento:
#MamaDaBica
Tira você também uma foto com um cartaz escrito:
"Copo? Não topo."
Esse movimento tem o apoio do Glass is Violence
e do movimento Free Waters. Agradecer a eles também.
Entra nessa onda.
Porque água nasceu pra escorrer, não pra morrer no copo.