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Porta Dos Fundos 2021, PROBLEMATIZANDO O COPO

PROBLEMATIZANDO O COPO

Bom dia, pessoal. Eu sou o Anarriê.

Desculpa aqui a provocação que eu vou lançar pra vocês,

mas até quando vocês vão continuar usando copo?

PROBLEMATIZARTE

É muito difícil vocês perceberem a violência

que o copo representa com o objeto água?

Todo recipiente encarcera a coisa líquida.

Tudo que é líquido nasceu pra escorrer, pra escoar.

E o que não escoa, não escorre, morre.

Você não coloca um pássaro numa garrafa,

mas você coloca água e água é vida, mano.

Quem vê copo não vê coração.

Copo. Copo, gente. Copo. Para pra pensar.

De onde é que vem essa palavra?

Do inglês, "cop". Policial. Aquele que prende.

Que tira a liberdade. Daí a palavra "tira".

"Olha os tiras", porque eles "tira".

Eles encarceram.

Tanto a água quanto a população negra jovem,

política, prioritariamente negra da periferia,

fenotipicamente periférica.

Se o mundo fosse um copo...

não haveria rios, tampouco o Rio de Janeiro,

ou o Rio Beberibe, Capiberibe, que não é menos importante

que o Rio de Janeiro, por estar fenotipicamente no Nordeste.

E vamos lembrar também que copo, gente, é uma palavra masculina, né?

E aí eu faço um mea culpa aqui, enquanto homem.

O homem prende. A mulher escoa.

A mulher é torneira. O homem é copo.

Por isso, prefira beber da torneira, da cachoeira...

ou da bica.

A gente está lançando esse movimento:

#MamaDaBica

Tira você também uma foto com um cartaz escrito:

"Copo? Não topo."

Esse movimento tem o apoio do Glass is Violence

e do movimento Free Waters. Agradecer a eles também.

Entra nessa onda.

Porque água nasceu pra escorrer, não pra morrer no copo.

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