BASTIDORES
Amém!
Hoje tá demorando pra começar.
É, porra. Cara, eu tô nervoso hoje.
Tô sabendo que o Valdomiro tá aí na plateia.
-Valdomiro tá aí? -Uma baita oportunidade, né?
Ai, que saudade que tô do Valdomiro.
Fiz um workshop muito maravilhoso com ele uma vez.
-Ah, é? -De corpo, sabe?
-Ah, eu quero! -Depois eu te passo o link dele.
-E os filhos? -Tá bem, né? Tão apanhando muito, né?
-Minha mulher. -A mulher tá bem?
-Sento-lhe a porrada. -Tô com uma saudade dela.
-Tem que bater bem nela. -Ah, sim.
Fazer o que hoje depois daqui?
Tô pensando em sair pra comer umas puta e cheirar uma cocaína.
Fumar um crackzinho.
Não, não, não, cara, crack tá me batendo malzão.
-Ai, tá batendo mal? -Muito mal.
Desde que eu saí com a Monique aqui, não foi, Monique?
Deu ruinzão, né, Monique?
-Foi péssimo. -Péssimo no sentido de bom?
Não, ruim mesmo.
Ele doa dinheiro pra pobre, carrega sacola de velho.
-É triste. -Porra, vamos fazer o seguinte.
Vamos sair pra perder o dinheiro do aluguel todinho no jogo, hein?
-Eu quero. -Eu vou lá, que é a minha vez, hein.
-Merda, merda. -Merda.
Merda. Eu vou lá, hein.
Eu não saio do corpo dele!
-Aí, tá bem, né? -Ah, gosto muito do trabalho dele.
Menina, semana passada eu fui numa igreja
em Sulacap maravilhosa.
-Ah, é? Em Sulacap? -Nossa, o chão todinho de mármore.
-Os pastores escrotos ótimos. -Ah, eu vou passar lá.
Fui em Ipanema também. Hum, caída.
É que, em igreja de rico, eles não dão valor pra gente.
A gente tem que ir em igreja de pobre,
porque eles reconhecem mais o nosso trabalho.
Precisa ver eu em Bangu.
É aplauso em cena aberta toda hora.
-Plateia tá difícil, hein. -Ah, aqui tá.
Hoje é segunda, né? O pessoal tá cansado.
-Mas tá cheio. -Porque é Segunda do Fogo Eterno.
-Dá muito publicão. -Obrigado!
-Gente, tá difícil mesmo, hein. -Tá, é? Por quê?
Ah, é open-mic de pastor. Esse cara não tem timing.
Eu mandei vários set up, ele não acertava um punch.
Vou lá, gente. Preciso tirar essa merda.
-Ih, acho que é você, Monique. -Mandar o número da puta.
Palavrão sempre funciona.
-Arrebenta, amiga, vai. -Me deixa em paz, caralho!
Eta, porra!
-Eu seguro minha mão na sua... -Eu seguro minha mão na sua...
-Pra que juntos possamos fazer... -Pra que juntos possamos fazer...
-Aquilo que eu não posso... -Aquilo que eu não posso...
-E nem quero fazer sozinho. -E nem quero fazer sozinho.
-Descarrego! -Descarrego!
Pique-cu, pique-cu!
-Eu pego, eu pego! -Pique-cu.