ATLÂNTIDA
Jonathan, nunca ninguém conseguiu encontrar
essa civilização antiga, que ainda é
um dos maiores mistérios da humanidade.
De acordo com o alinhamento das estrelas,
a cidade de Atlântida fica bem aqui!
Veio da mata, espera a madrugada
pode ser que apareça o bicho-papão
Que é isso?
Opa! Entra aqui rapidinho, amor, que aqui tem mosquito pra caramba.
-Entra rapidinho. Tudo bem? -Com licença.
Eu estou procurando a cidade perdida de Atlântida.
É aqui, achou! Não está mais perdida, não.
Não, não é aqui, não. Deve ter tido algum erro...
Não, tem erro nenhum, não.
Essa aqui é a única cidade em 1000km, a única que existe é essa daqui.
Aliás, a única com cerveja gelada! É ou não é?
Senhor, eu procuro esta cidade há 25 anos.
Aqui é difícil de chegar mesmo. Eu também demorei um tempo.
Aliás, o cara me cobrou 50 merréis para me trazer aqui de canoa.
Foi difícil. Agora que o meu primo colocou um serviço aqui de traineira
que é 20 merréis, ida e volta, que tu faz tranquilo.
Depois te dou até um cartão.
-Vocês moram aqui? -Moramos, sim.
No Brasil não está dando para morar mais, não, meu amor.
Aliás, tem gente de tudo quanto é lugar, aqui, ó.
Marquinhos, Governador Valadares.
Entendeu? Aqui mora muita gente.
Aqui mora mais brasileiro do que atlantidense!
"Atlantidense" é nativo da região aqui, é isso?
Atlantidense é nativo da região.
Tico-ico! Vem cá, querido. Vem cá. Vem cá ver a moça.
-Como é o nome da senhora? -É Sheila.
Sheila! Não, não é "uh", não!
Leva o presente dela lá, pelo amor de Deus.
Olha aí, ó. Leva lá, leva lá, leva lá.
Ó, sinal que gostou da senhora, hein?
Não olha pra rodela do peito dele, não, pelo amor de Deus.
Não estou olhando, não. Estou olhando não.
-Vem pra cá, Tico-ico. -O quê que tem aqui?
Isso é uma caixa de bombom.
Tem uma iguaria da tribo dele aqui dentro?
Não, é bombom da Garoto, mesmo, que tem aí.
Antigamente eles davam cabeça de morcego quando gostavam de alguém.
A gente que adaptou isso aí e colocou para dar bombom,
para matar um pouco a saudade de casa, e tudo mais.
-Mas era uma tradição deles, né? -É, era tradição,
mas o brasileiro transforma todo mundo em brasileiro, entendeu?
Quando eu cheguei aqui, não tinha nem internet aqui, pô!
Agora estão até colocando o gato, ali, para assistir o Brasileirão.
Mano do céu... Vai cair daí, Coco-oco!
-Oh! -Que absurdo isso, gente.
Não, absurdo é ter um monte de carne de javali
e você não poder comer com uma farofinha de banana, entendeu?
O melhor do Brasil é o brasileiro, meu amor!
A gente pega um limão e transforma numa caipirinha!
Caipirinha. Vocês fazem a cachaça de vocês, é isso?
Não, não, aí a gente importa tudo isso aí.
Caipirinha, bolo de rolo, chinelo Havaianas,
doce de leite, Tico-ico adora.
Gosta tanto que às vezes esfrega na cara!
A gente traz brasileiro para fazer show aqui, pô!
Ah, que interessante essa ação cultural de vocês.
Traz música brasileira para os nativos da região.
Anota aí, Jonathan.
Não, na verdade a gente traz é peça de improviso mesmo.
-Monstro. -Qual é, Sheila!
-Você é um monstro. -Sheila!
-Vou levar. -Para com isso, Sheila!
-Abre esse sorriso! -Você é um monstro!
Vamos, Tico-ico! Faz aquela dança, Tico-ico.
Não, é girando, girando.
Opa. Está aqui. Vai lá, não esquece de me avaliar bem, não, tá?
-Vai para onde? -Aeroporto.
Noventa gravetos.
Quê isso, não era por contagem de passos?
Pô, gringa. Aeroporto é preço fixo.
-Faço por oitenta, vamos. -Atlantidense é foda mesmo. Vai.
Agora aprendeu a falar rapidinho, né?