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Porta Dos Fundos 2018, ESCRAVIDÃO

ESCRAVIDÃO

Tá errado. A gente tinha que ter virado ali, Matias.

-Eu falei. Porra, é teimoso. -Eles são brancos, mas são do bem.

-Fala comigo, meu chegado. -Opa, tudo bom?

Tudo bom. Eu estou reparando... Vocês são navegadores?

Somos, somos. Eu não tenho nada, menino.

Desculpa, tá? Eu estou ocupado.

É que eu estou vendo que pela roupa vocês devem ser lá da terrinha.

É, a gente parou aqui um pouco, porque eu acho que eu me perdi...

Eu estava pegando um caminho aqui pras Índias, só que...

Teve obra aí? Porque mudaram tudo...

Não, não, imagina! Fica à vontade! A África é sua.

Não repara a bagunça, né?

Eu queria te fazer uma pergunta...

Vocês estão precisando de escravos?

-Quê?! -Escravo, escravo.

Gente de raça inferior pra trabalhar pesado de graça.

Não, não, a gente está bem, tá? A gente está muito bem.

É que a gente está procurando alguém pra poder escravizar a gente

que aqui está entediante, está um saco.

Aí se você souber de alguém que queira, alguém pra indicar...

Mas pra que vocês querem alguém pra escravizar vocês, gente?

É uma tara nossa.

A gente pode dar uma carona pra vocês no máximo.

Não, não, o pessoal quer ser submisso mesmo.

A gente quer chicote no lombo, uma corrente no pé até.

Tá... Legal... Eu vou indo lá.

Não, espera aí! Vou te mostrar uma coisa aqui.

Ô Zulu, chama na capoeira pra ele aqui. Olha!

-Que isso, o garoto está caindo? -Olha que maravilha! Vem aqui.

Olha isso. Ô Jamila, samba aqui pro menino ver. Samba pra ele ver.

Isso aqui é uma dança sensual criada nossa.

A gente joga e ela ensina pra sua mulher de repente.

Faz um quadradinho de oito pra ele então, Jamila.

Não precisa! Olha só, menino, não precisa, tá?

Muito bonito vocês, mas eu vou indo.

-Espera aí, meu patrão, meu patrão. -Meu Deus...

Pensa comigo. Olha só:

marcenaria, agricultura,

uma segurança privada, entretenimento até!

A gente faz uma rinha humana que você vai adorar!

A gente topa tudo!

Ô garoto, sabe o que que é? Eu vou te falar.

É porque depois a gente leva vocês

e aí vão dizer que a gente é que escravizou, entendeu?

-E aí é a gente fica mal. -Não vai ter isso, né?

-Não vai ter isso, não. -Tem certeza?

Qualquer coisa você fala: "Ah, o Jamal liberou!"

Todo mundo me conhece aqui.

Olha, gente... A gente é até contra isso, entendeu?

-Porque isso não é muito saudável. -Pode confiar...

Pois é, mas aí é porque...

Eu só faria porque vocês estão pedindo tanto

com essas carinhas aí que eu não consigo dizer não.

-Confia. Palavra de preto, pô! -Tá bom. Vambora!

-Mulheres e crianças primeiro! -Bora, negada!

E foi exatamente assim que aconteceu.

Os portugueses mal pisaram na África!

Os negros de lá é que entregavam outros negros pra ele.

E agora a hora da pergunta mais importante:

"Que Brasil você quer pro futuro?"

A senhorita não me venha com uma roupa provocante dessa

que eu não vou lhe estuprar. Isso ainda é considerado um crime.

Que isso? Mas eu sou safada, estou te implorando.

E nem pense em chupar minha rola

que eu não saberia me defender de uma atrocidade dessa, uma violência.

Mas eu vim com essa roupa justamente pra isso, pra ser estuprada.

Você tem certeza?

Minhas amigas fazem isso direto, relaxa.

Então passa a periquita pra cá logo,

mas eu quero deixar claro que eu vou fazer isso a contragosto

e em nome da heterossexualidade, tá certo? Venha.

E a gente está casado agora há três anos já.

Um beijo, meu amor, Raiane Carla.

Coronelzinho te ama, hein? Hoje tem!

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