DIZ PRA ELA
É uma mistura tranquila, entendeu? Isso vem...
-Cala a boca, espera aí! -Eu estou falando baixo, caralho.
É uma mistura. Eu não sei se eu conto agora,
ou se você vai ser capaz de não espalhar para as pessoas.
Me escuta, porra. Eu estou falando do crepe.
Aí tem uma hora que, por exemplo...
Porra!
Caralho!
Meu Deus!
Adilson!
Adilson!
Adilson!
Armando!
-Cadê você? -Armando, aqui!
-Puta que pariu... -Aqui em cima.
-Puta que pariu. -Está me vendo?
Adilson, estou te vendo. Eu vou te tirar daí.
Armando, eu vou morrer.
-Tem um negócio aqui atravessado... -Não vai.
Se acalma, eu vou te tirar daí. Eu vou te tirar daí.
Armando...
diz para a minha mulher que eu amo ela.
Tá, eu digo, Adilson, eu digo, mas a gente vai sair daqui, Adilson.
Diz para ela que não importa o que a vida faz com a gente...
...o amor vai sempre triunfar perante às adversidades nebulosas
que vêm de Deus à terra
e que submerge das altitudes...
-onde temos a seiva da vida... -Adilson...
...que desce dos céus para nos proteger.
Armando, diz para ela.
Então, eu fiquei perdido já lá na parte do amor...
The life is the beginning of the world.
-É inglês isso, né, Adilson? -And what is this?
In your face, what, what's, how?
Adilson, não vou te enganar, não,
eu não entendo inglês, peço perdão.
Armando, diz isso para ela, por favor.
Não vou conseguir, peço perdão. Não vou te enganar.
-Leva isso aqui, olha. -I don't speak... O quê?
-Leva isso para ela. -Levo.
Levar coisa, eu levo.
Levar... Não, espera aí!
Puta que pariu, tu abriu a mão do nada, Adilson!
-Que porra é essa, Adilson? -É do solo de onde nos conhecemos.
Ah, caralho, mas tu abriu a mão do nada!
-Porra, Adilson! -Armando.
-Armando, vai ali na mochila. -Estou catando a areia aqui.
Rapidinho, ali no bolsinho pequenininho da frente...
Qual?
Esse, não, Armando, o outro. Não toca aí.
Isso, nesse.
Caralho! Tem um pinto aqui dentro, porra!
Entrega esse pequeno pinto para ela.
Para ela criar na nossa fazenda que não tivemos.
-Para criar na fazenda? -Com os filhos que jamais teremos.
Tá bom, eu levo.
-Armando. -Oi.
Larga esse pinto, Armando.
Pega ali, no outro bolso mais compridinho, ali.
-Esse aqui? -Esse, esse!
Aqui. É uma flauta, né?
-Leva essa flauta para ela, Armando. -Isso eu vou levar.
Isso aqui, você pode ter certeza de que isso eu vou levar.
Toca "Brasileirinho" para ela, Armando.
Caralho...
Eu vou colocar a família deles para comer de graça lá na Tapicrepe,
é o mínimo que eu posso fazer, né?
Aí, o que eu pensei?
O Adilson, vou colocar o crepe dele para ser o de frango.
O quê?
Tá.
Eu vou atrás do Cabo Rogério, e você vai por aqui,
-e eu vou por aqui. -Tá, beleza.
E o de frango, eu vou colocar catupiry de verdade,
não vou colocar requeijão, não.
Depois a gente conversa, então.
Ih, que legal! Tem um lago aqui...
Tem um laguinho aqui, ele nem viu.
Armando!