MORREU
Rapaz, foram 3 gols de bicicleta.
- Eu tô falando sério... - Nilton!
- Tenho notícias boas pra você. - Ihhh...
Repuseram o crepe de Nutella no buffet?
Melhor!
A sua mulher morreu
e ela tá aqui.
Como assim?
Nilton, meu amor!
Quanta saudade!
E aí, tudo bem? Você é a...?
Lúcia, sua mulher.
Lúcia?
Há 35 anos que eu choro
- a sua ausência, meu amor... - Menina...
Tu tá mudada, hein?
Tá vivida.
Deu uma espichada boa, né?
- Ai, eu te amo tanto... - É...
Ai, só você...
Deixa eu só falar com o Gabriel um negocinho.
Uma coisa, bobagem... Rapidinho...
- Gabriel, tudo bem? - Oi... gostou?
Ah, nossa! Amei.
Deixa eu te falar,
é que quando eu morri a Lúcia tinha 27 anos.
Será que a gente não consegue dar uma...
- Oi, essa é a...? - Essa é amiga de papai.
Ela... Deixa eu só falar com o pessoal aqui.
- Eu já vou resolver gente, eu só vou... - É...
- Nilton... Elas são...? - Elas são as afilhadas do Gabriel.
Sabe o que é que é uma coisa boa?
Quando a pessoa chega no céu ela tem que dar uma circulada, dar uma andada
pra conhecer gente, pra fazer contato.
Hebe Camargo passou aqui
- não tem nem cinco minutos. - Não, não.
- Eu quero ficar junto com você. - Ahhh...
- Tá bom... Então, ó... - É...
Um beijão.
Vou dar um circulada e aí a gente marca esse chope.
E onde é que a gente vai morar aqui?
- Ah, o Nilton mora ali, ó. - Não.
O Nilton não mora em lugar nenhum.
O Nilton, ele tá aqui conversando numa boa, civilizado.
Ah, não.
Mas eu quero ir logo pra casa pra matar a saudade...
Pois é, mas o que é que acaba acontecendo?
Não sabia que você vinha, então eu não me programei
e tô cheio de coisa pra fazer aqui.
Eu vou resolver e o que tem que resolver e a gente depois se encontra.
Eu te espero aqui.
Ê...
Ela é teimosa que só ela.
Só ela.
Deixa eu falar com o Gabriel pra arquitetar esse planozinho,
tá bom?
Fala aqui com elas.
- Gabriel, deixa eu te falar. - Fala.
Eu queria entender em relação a ela,
você acha que haverá algum tipo de mudança?
- Mudança? - É...
- Eu digo de fisionomia... - Tá.
- De ossatura mesmo. - Então, deixa eu te explicar.
ela veio assim, ela vai ficar assim para toda a eternidade mesmo.
- Não muda, tá? - É...
- Mas a coisa de morar junto - Sim.
é imprescindível?
Deixa eu te explicar,
- ela é o amor da sua vida. - Ela era
o amor da minha vida.
Hoje ela é a senhorinha que atirou o colar do Titanic.
- É... - Tá bom? Hoje ela é minha bisa.
Deixa eu te explicar.
Deixa eu te explicar.
- Vocês nasceram um para o outro... - Mas ninguém mandou me matarem em 1982.
- Meu amor, você tá igualzinho... Olha só. - E você... Tá!
- Me beija? - É, aí é a merda.
É que eu não queria que chegasse a esse ponto.
- Ah, mas eu te amo tanto... - É, mas anjo não tem sexo.
É coisa de Hollywood
- que inventa Mag Ryan e Nicolas Cage. - Não, não, não.
Eu quero te sentir!
É, mas isso é até errado falar isso.
Não vai não.
Fica aqui só um minuto.
Me dá só essa atenção aqui.
Vem cá, amor.
- Eu te amo tanto... - É, pois é...
- Vamos... Vamos... - Me beija!
Vamos fazer um selinho?
Vamos combinar um selinho...? Foi.
- Selinho foi. - Não, não, não.
Só isso não.
Eu quero mais.
Eu quero língua.
Não meu amor, eu já tô indo.
Já tô indo.
Pra entrar na internet você precisa ter wi-fi.
Não é botão.
Wi-fi não é... Assiste TV.
- Nilton. - Tá, já te ligo. O Gabriel tá aqui.
Tá bom, beijo.
- Tenho uma notícia boa pra você. - Olha lá..
- Sua primeira namorada morreu. - Hã?
tá aqui e disse que você é o maior amor da vida dela também.
- Epa! - Garanhão, hein?
É?
Olha ela aí.
Eba...
- Opa! - Tudo bem?
Você... desculpa?
Sou a Jéssica.
Jéssica?
É que eu sou trans.
É...
Oi, meu amor. Hoje eu vou chegar um pouco mais tarde.
É.
Conhece a Jéssica?