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História do Brasil, Guerra do Paraguai - Causas do conflito

Guerra do Paraguai - Causas do conflito

Antecedentes do Conflito

Argentina reunificada

Com fim da Guerra do Prata, em 1852 foi assinado o Acordo de San Nicolás, que modificou completamente o pacto unitarista na então Confederação Argentina, descentralizando o país e permitindo as províncias uma grande autonomia.

Tal acordo não fora aceito por Buenos Aires, que não aceitaria a possibilidade de perder sua influência e poder sobre as demais províncias, levando-a se retirar da confederação. De 1854 até 1862, a Argentina esteve dividida em dois Estados rivais que lutavam para subjugar um ao outro. De um lado, os federalistas da Confederação Argentina, liderados por Justo José Urquiza (comandante-em-chefe das forças aliadas em Monte Caseros), do outro, os unitaristas de Buenos Aires sob Bartolomeu Mitre (um dos comandantes argentinos que lutaram ao lado dos aliados em Caseros). Os conflitos armados entre ambos se extinguiram com a vitória dos unitaristas sobre os federalistas na batalha de Pavan em 1861, que resultou na incorporação da Confederação Argentina a Buenos Aires, formando como resultado a República Argentina em 1862, tendo Mitre como seu primeiro presidente. A posição de Mitre sobre o país recém reunificado era tênue e o presidente recém-eleito governava efetivamente apenas a região da província de Buenos Aires.

Para manter firme o país sob o controle do governo central, Buenos Aires dificultava a exportação de produtos provenientes das demais províncias, com o intuito de mantê-las dependentes da capital. Os antigos desejos da recriação do Vice-Reinado do Prata não haviam desaparecido por completo, de maneira que Buenos Aires também criava dificuldades para os produtos paraguaios, visando enfraquecer o país vizinho e forçá-lo a aceitar sua supremacia. Os federalistas e o governo paraguaio, ambos sufocados pela falta de liberdade de navegação dos rios platinos, buscaram realizar suas exportações, e assim manter suas independências, através dos portos de Montevidéu, capital do Uruguai, então governado pelo Partido Blanco. Para manter o país unido, e impedir novas revoltas e guerras civis por parte dos federalistas, Mitre apoiou os membros do partido Colorado no Uruguai em suas revoltas contra o governo blanco.

Enfraquecendo o governo blanco, possivelmente permitindo aos seus aliados colorados chegarem ao poder, Mitre seria capaz de manter sob seu controle não só as demais províncias argentinas, mas também o Paraguai e Uruguai, tornado uma possibilidade real a recriação do Vice-Reinado. Formara-se, portanto, um quadro de alianças circunstanciais, de um lado unitaristas argentinos e colorados uruguaios, do outro, federalistas argentinos, paraguaios e blancos uruguaios. Mitre tinha noção da militarização do Paraguai, e temia uma aliança militar entre este país e as demais províncias argentinas (principalmente as sempre problemáticas Corrientes e Entre Rios governadas por Urquiza), que poderia resultar num ataque direto a Buenos Aires e conseqüentemente na derrota dos unitaristas (ainda mais por que o exército argentino remontava a apenas seis mil homens espalhados pelo território).

Havia em Buenos Aires, entre a população em geral, um certo desejo de ver ocorrer uma guerra entre o Paraguai e o Brasil. A razão disto era por que o Império sempre impediu a anexação do Paraguai e do Uruguai por parte da Argentina e também por uma rivalidade histórica herdada de suas respectivas pátrias-mães (Portugal e Espanha). Contudo, os resultados seriam imprevisíveis se tal conflito de fato viesse a ocorrer. Se o Paraguai vencesse, as províncias argentinas muito provavelmente se revoltariam e a unificação de toda a região viria a ocorrer, mas não sob os auspícios de Buenos Aires. Se o Brasil vencesse, a possibilidade de anexação dos países vizinhos pela Argentina se tornaria definitivamente impossível. E a guerra civil uruguaia iniciada em 1863 poderia vir a causar este temeroso conflito entre Brasil e Paraguai. Mitre percebeu que ela precisava acabar e logo, e por tal razão acolheu com bons olhos a intervenção brasileira sobre o país vizinho. O Paraguai se prepara para a guerra

As relações entre o Brasil e Paraguai, até meados da década de 1850 formalmente aliados, tornaram-se cada vez mais complicadas e tensas.

A razão disto era devido à incapacidade de ambos os países de chegarem a um acordo quanto as delimitações da fronteira e à livre navegação dos rios Paraná e Paraguai. A república paraguaia reivindicava os limites fronteiriços no rio Branco, de acordo com o Tratado de Santo Ildefonso assinado em 1777 por Portugal e Espanha. Entretanto, o Brasil recordou ao Paraguai que o Tratado de Badajoz assinado por Portugal e Espanha, após a Guerra de 1801, não só anulara o tratado de 1777 como também definira a fronteira na região no rio Apa, mais ao sul do rio Branco. O Paraguai não via com bons olhos a possibilidade de tal fronteira, pois o rio Apa permanecia seco por boa parte do ano, o que facilitaria o avanço de tropas brasileiras no caso de um conflito armado entre ambos os países. A tensão entre os dois países chegara a tal ponto que o ditador paraguaio Carlos Antonio López acabou por expulsar o enviado brasileiro Felipe José Pereira Leal, em 1853 e no ano seguinte, proibiu a navegação de qualquer navio estrangeiro nos rios enquanto não se definisse de uma vez por todas os limites entre o Brasil e Paraguai. O Império brasileiro se alarmou com a situação, pois a província do Mato Grosso ficou efetivamente isolada do resto do mundo, tanto em relação a contato, quanto também a comércio e transporte (não havia estradas por terra, e da cidade de São Paulo até Cuiabá levava cerca de seis meses de caminhada por terreno selvagem não mapeado e praticamente intransponível).

As mesmas medidas que Buenos Aires utilizava contra o Paraguai dificultando-lhe o contato e comércio com o mundo exterior para negociar em situação de vantagem, a república paraguaia decidiu utilizar na relação com o Brasil. Após alguns meses de indecisão, o governo brasileiro enviou uma esquadra formada por vinte navios de guerra, com um total de cento e trinta canhões e dois mil soldados para se chegar a um acordo quanto a navegação dos rios, mas o almirante recebera ordens de não atacar o Paraguai em hipótese alguma.

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