Florença
Ah, Florença, que cidade encantadora. É praticamente um museu ao ar livre. São tantas esculturas, tantas obras arquitetônicas, e tudo concentrado numa região só. É muito fácil de se locomover na cidade e apreciar todas essa maravilhas.
Assim como em Roma, não é preciso pagar para entrar nas igrejas em Florença e como sempre, no finalzinho da tarde, raramente tem fila para entrar. Então, como de praxe, nós largamos todas as coisas no hotel e fomos explorar a cidade, começando pela catedral.
Para a maioria das pessoas, visitar Florença é um passeio cultural. O pessoal vai visitar o museu onde está a famosa estátua de Davi. Na verdade, para ver o Davi não é preciso entrar no museu, já que há cópias dele, em tamanho original, espalhadas pela cidade.
Nós não entramos no museu, pois minha companheira de viagem achou o preço da entrada caro. Para ela, visitar Florença foi um passeio para compras. Entramos em trocentas lojas que vendiam blusas de cachmere, e eu fui junto, para fazer companhia, apesar de eu detestar fazer compras.
As únicas compras que fiz foram no mercado municipal. Para mim, visitar Florença foi uma viagem gastronômica. Provei e comprei diversos tipos de queijo parmesão, de azeite de oliva e de vinagre balsâmico. Foi uma experiência sem igual. Eu não imaginava que haviam vários tipos de maturação para esses produtos e que o sabor poderia variar tanto.
No andar superior do mercado havia uma praça de alimentação enorme. Almoçamos lá e eu provei uma especialidade local. Antes da viagem eu tinha ouvido falar de um prato típico chamado Lampredotto, que é o estômago de boi, cozido. Dizem que é muito bom, mas eu não tive coragem de provar. A aparência não me agradou.
Em compensação, naquela mesma barraca, tinha um panelão bem grande com uma placa dizendo: Trippa alla Fiorentina. Eu pedi para o rapaz me mostrar o que era, e eu reconheci na hora. Era dobradinha e eu adoro dobradinha! Para quem não sabe, dobradinha é o intestino do boi, e no sul do Brasil ele é cozido em molho de tomate com cenouras e feijão branco, e servido com arroz. Hmm, que delícia. Me deu água na boca só de pensar.
Pedi uma porção da tripa à fiorentina e matei a vontade de comer dobradinha. Estava realmente muito boa. Gostei tanto, que cheguei a indicar o prato para uns brasileiros que apareceram no mercado e se instalaram na mesa atrás de nós. Eu percebi que eles não sabiam o que escolher, e eu dei a dica da dobradinha para eles. Eu e essa minha mania de falar com todo brasileiro que aparece!
Antes de ir embora do mercado, passamos na frente de uma sala de aula, onde uns turistas estavam aprendendo a fazer pratos típicos italianos. Eu percebi que dar aula de culinária para turistas virou uma febre. Tem em todo canto e custa em torno de 100 euros por pessoa. Caro, mas se for de qualidade, é uma experiência para o resto da vida.
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trocentos = muitos, vários (palavra usada quando se quer exagerar ou causar impacto)
praxe = rotina; o que se faz de maneira habitual
mercado municipal = local onde se vendem produtos frescos, como frutas, verduras, peixes.
febre = moda do momento