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Paciente 63 - Primeira Temporada, T1E10

T1E10

Paciente 63, episódio 10.

Paciente 0.

Instruções para imunizar Maria Cristina Borges.

Essa é a foto dela. Presta atenção.

Eu sugiro fazer contato no aeroporto e ganhar a confiança dela.

Sei lá, puxar um papo e ir de algum jeito.

É claro que isso é uma agenda.

Ejetar nela 0,5 mililitros do meu sangue...

com uma seringa para insulina com agulha curta de 6 milímetros.

Eu não vou explicar para você os fundamentos biológicos disso...

nem porque tão pouca quantidade é suficiente.

Mas a Maria não vai sofrer dano algum.

Eu prometo.

O único efeito secundário é que o novo plasma...

vai destruir temporariamente o seu sistema imune.

E isso é muito mais difícil do que eu pensava.

Mas vai ser um efeito colateral mínimo.

Apenas um encontro para deter a replicação do vírus...

e o nascimento do Pégaso.

Mas você precisa ser forte, Beatriz.

Toda ação tem suas consequências.

A segunda possibilidade...

se perceber que imunizar ela não é possível...

é evitar que a moça suba no avião.

E isso requer uma atitude forte.

Você sabe melhor do que eu...

um comprimido de funitrazepam de 2 miligramas...

deve ser o suficiente.

Beatriz...

eu sei que não vai ser fácil.

Mas o futuro depende de você.

Dia 24 de novembro de 2022.

Esta é minha última gravação...

com relação ao paciente 63.

Eu me olho no espelho.

Dormi duas horas só.

Eu tenho ouvido todos os arquivos de novo.

Cada frase, cada data.

Eu notei certas incoerências nas cronologias...

e nos comentários.

Eu não sei se eu soube...

mas eu notei certas incoerências nas cronologias dele.

Ele diz que no futuro...

foram eliminados todos os ismos...

mas também diz que no expurgo de Berlim...

morreram alguns estudantes de budismo.

Ele diz que não sabe o que são as redes sociais...

e que não existe Wikipedia...

mas logo depois diz que estudou profundamente...

o Gaspar Marim e os fóruns dele.

Ele diz que se aproximar de alguém é um ato de fé...

mas tem uma tatuagem, uma tatuagem atual.

Diz que viajou com a esposa dele para Noruega...

mas fala que as pessoas foram para o campo...

morar em cordões sanitários.

E mesmo assim...

eu acredito no paciente 63.

Eu acredito no que ele diz.

Eu acredito que a gente pode mudar o futuro.

Ontem à noite eu falei com os adolescentes em Porto Alegre.

Eu deixei eles conectados entre si...

e pedi para lembrarem do meu nome.

Eu sei que eu devo ter parecido uma pessoa instável...

mas talvez seja bom parecer assim.

Então a minha situação é a seguinte...

eu acredito numa impossibilidade...

que me impulsiona a romper com tudo o que eu já construí.

Eu posso me esquecer disso...

ou eu posso fazer pela primeira vez na minha vida um ato...

um movimento que faça sentido.

Mesmo que baseado numa mentira.

Mesmo não servindo para nada.

Entre uma vida normal...

e o que se espera que eu faça...

hoje eu escolho acreditar.

Olá, Dani.

Aqui é a tua irmã.

A mamãe me passou o teu número.

Eu não estava conseguindo escrever.

Eu soube da tua doença.

E me contaram que você vai começar um tratamento novo.

Eu sinto muito, Dani.

Eu sei que a gente se distanciou e...

eu não sei como eu vou fazer isso.

É que pra mim tudo tem sido tão difícil.

Mas eu quero que você saiba que é importante pra mim...

a gente se comunicar de novo.

E que você importa pra mim.

Eu te perdoo, tá?

Eu te perdoo por tudo.

Eu vou estar de passagem em Madrid alguns dias...

e eu adoraria te ver.

Eu te amo.

Eu adoraria te ver.

Eu estou numa espécie de...

de mudança de vida.

Uma mudança de vida radical, na verdade.

E não pode existir uma mudança...

sem começar pelo cabelo.

E se ainda a mudança for radical...

então a gente precisa disso aqui.

O CENTRO DE DETECÇÃO DE MEDICINAS E MEDICINAS

Para o registro, 17 de dezembro de 2022.

Senhor delegado, o que o senhor acaba de ouvir...

corresponde à última gravação dos nove arquivos em MP3...

que no dia 30 de novembro foram encontrados...

pelos investigadores no apartamento da doutora Elisa.

Como eu expliquei no primeiro relatório...

Elisa Beatriz Amaral Fontes, brasileira, solteira, 38 anos...

médica psiquiatra pela Universidade de São Paulo...

desapareceu no dia 25 de novembro de 2022.

No dia anterior, dia 24, na parte da manhã...

ela usou o cartão de identificação dela...

para retirar do banco de sangue do hospital...

duas amostras de um paciente não determinado.

Posteriormente, as câmeras mostram ela entrando...

num estúdio de tatuagem, onde ficou aproximadamente três horas.

No seu celular tinha várias imagens de tatuagens de asas.

Então é possível supor que foi esse o...

desenho que ela escolheu para tatuar.

Logo depois, ela se dirige ao aeroporto...

para pegar o voo 6433 de São Paulo a Madrid...

onde a pista dela se perde.

A ordem de busca foi emitida dia 27 de novembro.

O desaparecimento dela é um completo mistério até o momento.

A nossa equipe tem a convicção de que o desaparecimento...

e o citado paciente estão diretamente relacionados.

A seguir, talvez, a pista que nos falta nesse caso.

O celular de Elisa gravando as escondidas...

provavelmente para um registro pessoal.

O celular foi encontrado no cesto de lixo...

de um banheiro do aeroporto.

Desculpa, tem alguém sentado aqui?

Não, não, não. Pode sentar. Por favor.

Oi.

Oi.

Nossa, demais o teu cabelo. Eu sempre quis raspar assim, sabia?

Obrigada.

É... eu precisei.

Algum motivo especial?

Ai, não, não, não.

Eu só queria saber se você estava com a Elisa.

Algum motivo especial?

Ai, não, desculpa. A minha pergunta não tem nada a ver. Ai, desculpa.

Não, não, não. Fica tranquila, fica tranquila.

Digamos que eu precisava começar do zero.

Ah, começar do zero. Eu sei. Eu te entendo perfeitamente.

Como você se chama?

Maria. E você?

Beatriz.

Beatriz. Nossa, por alguma razão o teu rosto me é familiar.

A gente se conhece de algum lugar?

Eu acho que não. O que você faz?

Eu sou artesã, faço joias. E você?

Eu sou psiquiatra.

Ah, nada a ver.

É, não. Não muito mesmo.

Você já ouviu dizer que a gente conhece pessoas porque já conhecia elas de antes?

Sei lá, de outra vida?

Como é?

Ai, não, deixa pra lá. Ai, que tonta eu.

Não liga, tá?

Não, não, não. É que eu já ouvi isso sim e eu acho bonito.

Pois é. Eu não sei muito, mas sempre me pareceu coerente.

Tem tanta coisa que a gente ouve.

É, eu já ouvi que existem vários universos diferentes e que em cada um deles a gente se conhece e vai trocando de papéis.

Mas nós somos sempre os mesmos.

É, pra mim faz sentido. Muito sentido, na verdade.

Já aconteceu com você?

Eu não sei. Olha, eu só senti isso com uma única pessoa, na verdade.

Eu acho que todo mundo tem essa pessoa, né?

Acontece algo diferente. Química, sei lá.

A incondicionalidade.

Isso. Isso mesmo.

Pesado, né?

É, pesado. Bem pesado.

Mas me conta, você tá indo pra onde?

Madrid. E você?

Eu também.

Ai, jura?

Nossa, coincidência.

Eu vou visitar minha irmã.

Eu uma amiga.

Férias?

Ai, não. Não. Antes fosse.

Antes fosse.

Na verdade ela...

LATAM, voo 6433 com destino a Madrid. Embarque portão 15B.

Ih, é justamente meu voo.

E o meu também.

Gente, que demais.

Olha, eu acho que a gente precisa checar o número das poltronas, hein?

Maria, eu posso te pedir um favor?

Claro, pode.

É que eu sou diabética e eu preciso me aplicar.

E como eu não quero deixar minhas coisas sozinhas, mas também não quero te causar problema...

Nossa, não. Imagina. Não se preocupe. Eu te acompanho. Vamos lá.

LATAM, voo 6433 com destino a Madrid. Embarque portão 15B.

Você segura a bolsa um segundinho, por favor?

Opa, claro. Pode me dar.

Que nervoso.

Mas você já deve estar acostumada, eu imagino.

Quê?

Ah, é...

Mas você estava me contando que vai visitar uma amiga.

É... Bom, na verdade é bem mais do que uma amiga.

Ai, quer dizer, fomos bem mais.

Ai, enfim. Ela está doente.

Escuta, você está bem?

Parece que está meio tremendo.

Não, eu estou...

É, não, acontece sempre. Não é nada, não.

E o que tem sua amiga?

Leucemia. Muito agressiva.

Mas eu sei que ela vai se recuperar. A Dani é forte. Sempre foi.

O que foi que você disse?

O quê? Eu disse que ela tem leucemia.

Não, não, não. Você disse Dani?

É. Ela chama Dani. Daniela Amaral Fontes.

Por quê?

Ela é minha irmã.

Caraca!

Você é a irmã psiquiatra?

Não.

Eu não estou acreditando. Claro!

Por isso eu achava teu rosto conhecido.

Eu não estou entendendo por quê.

Desculpa, é que eu não falo muito com a minha irmã. Eu estou um pouco...

Você não sabia?

Eles vão começar um tratamento novo e precisam do meu sangue.

Parece que eu tenho uma anomalia no meu plasma que pode fazê-la se recuperar.

O quê?

Eles fizeram uns testes em mim e descobriram que eu sou compatível.

Terapia imunológica de plasma. Não é demais?

Beatriz, você está bem?

Nossa, a gente precisa ir para...

Pode ir, pode ir.

Mas...

Vai! Vai, eu estou bem.

Como assim?

Eu não posso te deixar sozinha. Você está com um problema.

Maria, vai, por favor.

Mas...

Mas você tem certeza que...

Vai!

Para o relatório.

É preciso registrar que a equipe conferiu milhares de vezes as câmeras de segurança

e não encontrou nada.

Não, não, não.

Não, não, não.

Não, não, não.

Não, não, não.

Não, não, não.

Não, não, não.

Não, não, não.

Não, não, não.

Não, não, não.

Não, não, não.

Não, não, não.

Não, não, não.

Não, não, não.

Não, não, não.

Não, não, não.

Fim do relatório. Escrivão Alberto Ramos.

Abertura

Por que eu estou algemada?

O que eu estou fazendo aqui?

O que aconteceu com a Maria Cristina?

Você pode me dizer o seu nome?

É... eu...

Eu não...

Eu não me lembro.

Você não se lembra do que aconteceu?

Não.

Encontraram você nua no banheiro do aeroporto...

falando sobre um sequestro e sobre o fim do mundo?

Como você entrou no aeroporto?

Eu não estou entendendo.

Quem você pretendia sequestrar?

Quem é você?

Seus digitais coincidem com os de uma moça de 28 anos.

Você não acha isso estranho?

Você disse que eu estava nua?

Eu...

Você realmente não se lembra?

Por favor, o interrogatório ainda não acabou.

Então você vai ter que esperar.

Até eu não dar a alta, ela é minha paciente.

Pedro?

Não.

Eu sou o Dr. Vicente Correa.

Vamos precisar fazer alguns exames.

Tudo bem?

Desculpe, seu delegado. Pode deixar a gente sozinhos?

Eu só quero ouvir o que ela tem a dizer.

Veja...

Você sofreu um choque.

É normal você não lembrar ou ter pensamentos confusos.

Sem fazer nenhum esforço...

Você pode me contar o que sabe?

Ou o que acha que sabe?

Pedro...

Não estou entendendo.

Por que você insiste em me chamar de Pedro?

Eu não estou entendendo.

Ok. Fique tranquila.

Eu sou...

O que você não entende?

Eu me chamo...

Vou ajudar você a lembrar.

Segundo a ficha médica, deixa eu ver aqui...

Está aqui.

Paciente 63.

Disse chamar Elisa Beatriz Amaral Fontes.

Hora de entrada 19h22 do dia 24 de novembro.

Foi encontrada nua no banheiro do aeroporto.

Num dos banheiros do embarque internacional.

Com ideações paranóides e confusão.

Relatava uma curiosa história sobre o fim do mundo.

No futuro.

No futuro?

Sim. No futuro.

Espera...

Espera... Em que ano estamos?

Você não sabe em que ano estamos?

Que ano é hoje?

Estamos em 2012.

O quê?

Hoje é 24 de novembro de 2012.

Paciente 63 é uma série original Spotify.

Protagonizada por Mel Lisboa e seu Jorge.

Criada por Julio Rojas.

Originalmente produzida em espanhol por Emisor Podcasting.

Design de som de Francisco Tapia, Alejandro Parada e Alex Vilches.

A trilha sonora original é de Moant.

Versão brasileira, ultrassom.

Vozes adicionais de Veridiana Toledo, Heitor Goldfuss, Nelson Basquervilli,

Marcelo Galdino, Clara Carvalho, Rafael Maia e Lavínia Lorenzon.

Pela ultrassom, a direção executiva é de Flávia Pfeffer e Rubem Pfeffer.

Produção executiva, Julio Rojas e Alex Vilches.

A trilha sonora original é de Moant.

Produção executiva é de Flávia Pfeffer e Rubem Pfeffer.

Produção executiva, Érica Marques.

Produção, Marou Blanques.

Assistente de produção, Beatriz Leone.

Gravação de voz, Alisson Nazário.

Edição de diálogos, Caio Gox, Fernando Rechia e Lucas Amadeu.

Locução, Jhonatas Joba.

Pelo Spotify, a produção executiva é de Javier Pinhol e Nath O'Rilo.

A adaptação de Pacientes 63 para o português tem produção de Rodrigo Vizeu.

Supervisão de produção por Camila Justo e Beatriz Roque.

Gerente de operações, Anny Chocron.

Marketing, Ellen Rocha.

Comunicação, Marina Telec.

Promoção editorial, Flora Poe.

Assistência jurídica, Whitney Potter.

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